Não é só na Índia: veja outros 6 escândalos de fraude em provas

Por BBC |

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Cerca de 300 pessoas foram presas no último sábado no Estado de Bihar em meio a um escândalo de cola em massa que também levou à expulsão de pelo menos 750 estudantes

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Muitos estão dispostos a fazer qualquer coisa pela carreira dos filhos, mas na Índia, a tentativa de uma multidão de pais de passar as respostas de uma importante prova a seus filhos vai sair cara. 

Cerca de 300 pessoas foram presas no último sábado no Estado de Bihar em meio a um escândalo de cola em massa que também levou à expulsão de pelo menos 750 estudantes.

Indianos escalam prédio escolar para passar cola para estudantes na cidade de Hajipur
AP Photo/Press Trust of India
Indianos escalam prédio escolar para passar cola para estudantes na cidade de Hajipur

Além disso, os testes de Ensino Médio, uma espécie de vestibular indiano, foram cancelados em diversas escolas.

Autoridades começaram a investigar o caso após surgirem na internet fotografias mostrando pais e amigos dos estudantes escalando muros para passar as respostas para os alunos.

Segundo as autoridades, os pais subornaram policiais para que fizessem vista grossa.

Agora, os que foram pegos "colando" serão proibidos de fazer a prova por três anos, além de correrem o risco de ser presos ou ter que pagar uma multa.

O impacto do caso se deveu a sua magnitude e pouca sutileza. Mas este não foi o único caso de cola em testes que causou revolta nos últimos anos.

Veja aqui outros casos notórios que foram descobertos.

1. Fraude no Enem
O Enem de 2009 teve que ser cancelado depois que a prova foi roubada da gráfica em que estava sendo impressa.

O caderno de perguntas foi enviado a um jornal um dia antes da aplicação do teste.

A prova seria aplicada para mais de 4 milhões de pessoas. O vazamento ocorreu em um momento delicado, quando o Ministério da Educação tentava consolidar o exame como um vestibular unificado.

Depois disso, outras fraudes menores ocorreram nos anos seguintes.

Veja na galeria outras fraudes em vestibulares brasileiros

Em novembro, 11 integrantes de uma quadrilha e 22 candidatos foram presos em Minas Gerais por fraude em vestibulares de medicina e no Enem. Alunos pagavam até R$ 200 mil. Foto: Divulgação/André Lana/MPMGA quadrilha de Minas Gerais usava um aparelho com GSM disfarçado de cartão crédito como celular para receber as informações e transmitir ao ponto eletrônico dos alunos. Foto: Divulgação/André Lana/MPMGUm candidato do Piauí denunciou à PF ter recebido o tema da redação do Enem antes da prova pelo WhatsApp. Alunos do Ceará afirmaram também ter recebido a foto. Foto: Reprodução/FacebookA perícia da Polícia Federal confirmou o vazamento da imagem com o tema da redação do Enem 2014. Ainda não se sabe de onde veio a foto e quantas pessoas receberam. Foto: Agência BrasilDurante o Enem 2014, dois candidatos foram presos em Juazeiro do Norte (CE) com o gabarito do primeiro dia do exame no celular. A PF prendeu outras 4 pessoas suspeitas. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilEm Uberaba (MG), sete candidatos foram presos suspeitos de tentativa de fraude no vestibular de medicina da Uniube. Os estudantes teriam pagado R$ 10 mil. Foto: DivulgaçãoEm Ribeirão Preto, 11 suspeitos foram presos em agosto por fraude no vestibular de medicina da Uniseb. De acordo com a PM, 7 estudantes teriam pagado R$ 60 mil por vaga. Foto: Divulgação/UnisebDois professores e um candidato foram presos no Maranhão após fraudarem o vestibular de medicina do Uniceuma. O candidato pagou R$ 50 mil aos professores pelo gabarito. Foto: Wikimedia Commons


2. Trapaça nuclear

Oficiais da Força Aérea dos EUA passaram por constrangimento quando a instituição foi obrigada, em janeiro do ano passado, a suspender 34 funcionários do setor de lançamento de mísseis nucleares acusados de trapacear em um teste de aptidão.

Segundo a Força Aérea americana, os oficiais da base de Malmstrom, em Montana, enviaram as respostas da prova para os outros por mensagens de texto. O teste buscava medir o conhecimento sobre a forma de operar mísseis.

Era uma prova mensal que as pessoas que operam mísseis nucleares nos EUA precisam fazer.

E eles não foram os únicos oficiais implicados; outros foram acusados de saber que a fraude estava ocorrendo e não ter denunciado.

3. Venda de provas em Cuba
O dinheiro parece ser a principal razão por trás de uma fraude que surgiu no ano passado em Cuba.

O anúncio foi feito por autoridades após prender oito pessoas, incluindo cinco professores, acusadas de vender provas de admissão para faculdade.

Milhares de estudantes do Ensino Médio em Havana foram obrigados a fazer as provas outras vez, de acordo com o jornal oficial Granma.

4. Farmacêuticos chineses
Na Província chinesa de Shaanxi, 2.440 farmacêuticos foram acusados em outubro passado de fraude em um exame de licença nacional.

De acordo com a televisão estatal chinesa, a fraude ocorreu com uso de pontos eletrônicos.

O jornal The South China Morning informou que falsos candidatos entraram no local da prova para ver as perguntas e saíam cedo. Depois disso, passavam pelo ponto as respostas para os candidatos que haviam pagado.

5. Atlanta: 170 professores acusados
Considerada uma das maiores fraudes em provas nos EUA, mais de 170 professores e diretores da cidade de Atlanta (Geórgia) foram acusados de ter ajudado os alunos a colar nos exames em 2009.

Segundo os investigadores, eles apagavam as respostas incorretas dos alunos e, em alguns casos, alteravam para as corretas.

O motivo? Os professores recebem pagamentos extras de acordo com o desempenho de seus alunos.

6. Mais de 60 suspensos em New Hampshire
"Esportes, Ética e Religião" era o nome de uma aula que deveriam cursar alguns dos recém-chegados a uma universidade de New Hampshire, nos EUA.

Mas parece que alguns alunos estavam um pouco perdidos na parte da ética: 64 deles foram suspensos por fraude em um teste em janeiro, de acordo com o The Boston Globe.

Alguns são suspeitos de usar gravadores portáteis operados por controle remoto para responder a algumas perguntas.

De acordo com a universidade, estudantes foram suspensos por um ano.

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