Matrícula da USP começa hoje com manual para calouras e campanha antitrote

Por Cristiane Capuchinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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CPI da assembleia legislativa apura denúncias de trotes violentos e abusos sexuais na Universidade de São Paulo

Começa nesta quarta-feira (11) a matrícula dos 11.057 selecionados para as vagas da USP (Universidade de São Paulo). Para receber os calouros, a universidade vai distribuir pela primeira vez um manual para calouras criado por coletivos feministas da instituição e intensificará a campanha contra trotes violentos.

As medidas foram tomadas após denúncias de abusos sexuais e trotes violentos dentro dos campi da universidade que deram início a uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembleia Legislativa de São Paulo. 

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Após coletivos feministas apresentarem na CPI material de orientação para alunas da universidade contra atos machistas, a USP decidiu incluir o "manual de calouras" no kit de recepção dos estudantes. Foram impressos 15 mil exemplares que serão entregues a todos os estudantes matriculados hoje e amanhã (12), de acordo com a instituição.

Após denúncias de abusos e trotes violentos, USP intensifica campanha antitrote
Reprodução/USP
Após denúncias de abusos e trotes violentos, USP intensifica campanha antitrote

Além disso, a campanha antitrote foi intensificada. O telefone para denúncias de abusos na recepção de calouros (0800-012-1090) está funcionando desde segunda (9) e ficará ativo até o dia 25 de março. Pela primeira vez, as denúncias também poderão ser feitas por chat disponível no site do Manual do Calouro. 

Algumas unidades tomaram medidas próprias para evitar abusos. A Escola Politécnica, que recebe 750 calouros por ano, terá apoio de 20 seguranças e outros 30 profissionais de apoio na festa de recepção de novos alunos preparados para intervir em situações de violência. 

MP e USP assinam acordo por trote em Piracicaba

Para evitar problemas na volta às aulas, no dia 23 deste mês, a direção da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) assinou um termo no Ministério Público se comprometendo a combater os trotes no campus que fica em Piracicaba. O local teve nos últimos meses denúncias de violência e abuso sexual entre os alunos.

Haverá campanhas de conscientização por parte da Esalq nesse início de ano letivo e promotores de Justiça estarão presentes no local falando em palestras aos estudantes e acompanhando o ambiente universitário. Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi assinado e prevê ainda outras ações para enfrentar e apurar os trotes. 

Relembre trotes e casos de violência em universidades brasileiras

Cartaz em apoio a aluna vítima de tentativa de estupro na Poli-USP (9.10.2013). Foto: ReproduçãoDepois de se sujaram com ovos, tinta, farinha e café, os calouros tiveram de rodar até ficar tontos na UnB (14.07.10). Foto: Luana Lleras/UnB Agência/DivulgaçãoEstudantes lambem linguiça com leite condensado durante trote do curso de agronomia da Universidade de Brasília (31,01.2011). Foto: Agência UnBImagem onde caloura pintada de preto aparece acorrentada junto a uma placa "caloura Chica da Silva". Foto: ReproduçãoTodos os calouros tiveram de entrar juntos na piscina de lama, vegetais, legumes e lixo (14.07.2010). Foto: Luana Lleras/UnB Agência/DivulgaçãoCalouros tiveram de andar em fila indiana, com as mãos entrelaçadas entre as pernas uns dos outros, o chamado elefantinho (14.07.2010). Foto: Luana Lleras/UnB Agência/DivulgaçãoOs estudantes de agronomia tiveram de procurar sabonetes em uma piscina de lama. Foto: Luana Lleras/UnB Agência/DivulgaçãoCalouros escorregam em poça d'água no meio do corredor do principal prédio da universidade. Foto: DivulgaçãoTrote Unb. Foto: DivulgaçãoImagens de trote no ano passado foram anexadas à denúncia à universidade. Foto: ReproduçãoCaloura é pintada por veteranos em trote da Poli na USP. Foto: Amana Salles/Foto ArenaAmarrados, calouros são conduzidos para uma festa no gramado da faculdade. Pais acompanham e fotografam tudo. Foto: Amana Salles/Foto ArenaHomero Santiago Maciel, 19 anos, recebe banho na lama, durante o trote da Faculdade Politécnica da USP. Foto: Amana Salles/Foto ArenaBeatriz Castro, de 18 anos, recebeu trote com tinta, farinha e leite condensado: "Ainda não caiu minha ficha de que passei na Poli". Foto: Amana Salles/Foto ArenaBrincadeira com fezes e urina teria sido realizada perto do campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Foto: ReproduçãoFrente Feminista denuncia atos obscenos durante trote na USP São Carlos. Foto: Frente Feminista USP


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