Exame do Cremesp reprova 55% dos recém-formados em medicina do Estado

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Pior índice de reprovação é das instituições privadas (65,1%). Mesmo reprovados, profissionais são registrados no Conselho

O exame do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) de 2014 reprovou 55% dos recém-formados inscritos no "provão". Desde 2012, o exame é obrigatório para que os candidatos obtenham o registro médico para exercer a profissão, mas não é preciso ser aprovado.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Conselho Regional, que critica a qualidade dos cursos no Estado. 

Nesta edição, 2.891 recém-formados fizeram o exame. Desses, apenas 1.302 (45%) acertaram mais de 60% da prova. Os melhores índices são dos estudantes de escolas públicas de medicina, entre os quais 67% foram aprovados. Entre egressos de particulares, a aprovação foi de 34,9%. 

A prova é composta por 120 questões de múltipla escolha. As médias mais baixas de acerto foram obtidas nos conteúdos de Clínica Médica (52,1%), Ciências Básica (54,9%) e Pediatria (55,9%).

Má qualidade do ensino

Neste ano, trinta escolas tiveram seus alunos egressos avaliados. Destas, 20 não conseguiram atingir 60% de aproveitamento. Entre as instituições com pior desempenho, 15 não atingiram 45% de acerto e nove não chegaram a 25%.

As dez piores escolas são privadas e as cinco melhores, públicas. A instituição que teve melhor resultado apresentou 87,3% de aprovação. O nome das escolas, no entanto, não é divulgado.

“Esse resultado demonstra a má qualidade do ensino médico no País”, destacou presidente do Cremesp, Bráulio Luna Filho. “Toda vez que um indivíduo despreparado entra para atender no sistema de saúde, propicia o mau uso dos recursos, além de representar um risco para os pacientes assistidos.”

O índice de reprovação continua parecido com o dos exames anteriores. Em 2012, a reprovação foi de 54,5% dos participantes. Em 2013, a taxa de reprovação foi de 59,2%.

O Cremesp discute o monitoramento dos recém-formados que não conseguiram desempenho mínimo na prova por meio do acompanhamento de frequência em cursos de atualização.

Veja abaixo fraudes em vestibulares de medicina descobertos em 2014

Em novembro, 11 integrantes de uma quadrilha e 22 candidatos foram presos em Minas Gerais por fraude em vestibulares de medicina e no Enem. Alunos pagavam até R$ 200 mil. Foto: Divulgação/André Lana/MPMGA quadrilha de Minas Gerais usava um aparelho com GSM disfarçado de cartão crédito como celular para receber as informações e transmitir ao ponto eletrônico dos alunos. Foto: Divulgação/André Lana/MPMGUm candidato do Piauí denunciou à PF ter recebido o tema da redação do Enem antes da prova pelo WhatsApp. Alunos do Ceará afirmaram também ter recebido a foto. Foto: Reprodução/FacebookA perícia da Polícia Federal confirmou o vazamento da imagem com o tema da redação do Enem 2014. Ainda não se sabe de onde veio a foto e quantas pessoas receberam. Foto: Agência BrasilDurante o Enem 2014, dois candidatos foram presos em Juazeiro do Norte (CE) com o gabarito do primeiro dia do exame no celular. A PF prendeu outras 4 pessoas suspeitas. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilEm Uberaba (MG), sete candidatos foram presos suspeitos de tentativa de fraude no vestibular de medicina da Uniube. Os estudantes teriam pagado R$ 10 mil. Foto: DivulgaçãoEm Ribeirão Preto, 11 suspeitos foram presos em agosto por fraude no vestibular de medicina da Uniseb. De acordo com a PM, 7 estudantes teriam pagado R$ 60 mil por vaga. Foto: Divulgação/UnisebDois professores e um candidato foram presos no Maranhão após fraudarem o vestibular de medicina do Uniceuma. O candidato pagou R$ 50 mil aos professores pelo gabarito. Foto: Wikimedia Commons


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