Policiais fardados e armados dentro da unidade não melhoram segurança e inibem estudantes, reclamam professores e alunos

Em 2012, o governo do Estado do Rio de Janeiro criou uma parceria que coloca policiais em escolas da rede estadual para aumentar a segurança
DIVULGAÇÃO/GOVERNO DO RIO DE JANEIRO
Em 2012, o governo do Estado do Rio de Janeiro criou uma parceria que coloca policiais em escolas da rede estadual para aumentar a segurança

Policiais fardados e armados fazem parte do cotidiano de 30% das 87 escolas estaduais de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A medida faz parte de um programa de reforço na segurança escolar instituído em 2012 em uma parceria da Secretaria de Educação do Estado e da Secretaria de Segurança Pública. Os policiais atuam nas escolas nos horários de folga.

"Nós vemos isso com muita preocupação. No momento em que o profissional deveria descansar, ele vem para a escola, que já é um espaço tensionado por natureza. Esse policial não está pronto para lidar com esse ambiente", critica a coordenadora do sindicato de professores (Sepe-RJ) em Duque de Caxias, Ivanete Conceição.

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Ex-aluna da rede, Liliane Viana, de 18 anos, conta que presenciou uma briga de alunos no Ciep 098 Hilda do Carmo em que os alunos foram levados diretamente para a delegacia. "O policial entrou no meio da briga, separou os aluno e os levou direto para a delegacia, sem passar pela diretoria. Isso não pode ser assim."

Segundo ela, cada dia é um policial diferente que está na escola, o que não cria uma relação entre eles e a rotina escolar.

Solange Bergami é professora e representante da Associação de Pais e Alunos de Escolas Públicas. Ela conta que nas unidades do bairro 25 de agosto, apesar de ter policiamento dentro da unidade, alunos e professores sofrem com assaltos na porta da escola.

"É uma contradição, o policial deveria estar na porta da escola para garantir a segurança de quem está dentro."

PMs são pedidos pela direção

Em nota, a Secretaria do Estado de Educação afirma que as escolas recebem os policiais após a solicitação da direção da unidade. 

O texto diz ainda que os profissionais do Programa Estadual de Integração de Segurança (Proeis) "trabalham fardados, utilizando as horas de folga do serviço regular na PM, em um regime de revezamento que garante a segurança nas unidades. Os policiais não revistam alunos, apenas em casos extremos e limites, e mesmo assim com o acompanhamento e orientação da direção do colégio".

A secretaria não respondeu se os policiais deveriam ficar dentro das unidades escolares ou garantir a segurança dos alunos e professores na entrada das escolas.

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