Secretaria de Estado estima que ainda faltam 8 mil professores para suprir plenamente a rede de ensino convencional

Estúdio de gravação do Centro de Mídias
Divulgação/Seduc
Estúdio de gravação do Centro de Mídias

A falta de infraestrutura aliada a peculiaridades geográficas tem motivado a implantação de inovações tecnológicas na educação do Amazonas, nos últimos sete anos. No Estado mais extenso do país, com os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo em quantidade de ilhas (Mariuá e Anavilhanas) e com 25% da população morando em comunidades isoladas, o acesso ao ensino médio é prejudicado pela falta de transporte e pelo fornecimento irregular de energia elétrica. Além disso, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) estima que ainda faltam 8 mil professores para suprir plenamente a rede de ensino convencional.

Para lidar com essa realidade, o Centro de Mídias de Educação do Amazonas surgiu com a proposta de levar escola aos alunos através de satélites e videoaulas. Atualmente, o projeto, que já ganhou 12 prêmios nacionais e internacionais, mobiliza 3 mil professores para atender pouco mais de 38 mil alunos por ano, divididos e 2.280 turmas, em todos os 62 municípios do Estado.

“Há dez anos tomamos a decisão de mudar a educação local, mas a implantação do projeto aconteceu em 2007. A gente precisa usar tecnologia para levar atendimento aos estudantes onde quer que eles estejam. Ainda assim, só atendemos 50% das quase mil comunidades isoladas pelo estado, ainda tem bastante público para ser atendido”, explica José Augusto de Melo Neto, secretário executivo da Seduc e diretor do Centro de Mídias desde sua concepção até este ano.

Apesar do conteúdo à distância, o Centro de Mídias tem a preocupação em desenvolver uma metodologia presencial. Dos estúdios localizados em Manaus, professores especialistas em suas disciplinas ministram as aulas sempre ao vivo e com um sistema de interatividade IPTV (internet por televisão). Do outro lado, em sala de aula, um professor presencial desenvolve as atividades propostas e complementa a formação.

“O professor presencial tem uma função pedagógica mais ativa que a de um tutor. Ele precisa atuar como professor para o projeto dar certo, é o elemento chave desse processo. Ele precisa motivar a participação dos alunos, é um meio termo entre a Educação à Distância (EAD) e presencial. Cada vez mais o caminho é a descentralização: o professor tem que ter autonomia. Ele precisa ter responsabilidade nas notas dos alunos”, diz Neto.

As dúvidas dos alunos podem ser sanadas diretamente em sala de aula ou indiretamente, através de uma assessoria pedagógica online com chat e email. As aulas também ficam gravadas no portal do programa em casos de revisão e reposição. O conteúdo segue orientação do Ministério da Educação (MEC) e cumpre as 800 horas/aula por ano, como prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

De acordo com a Seduc, metade dos alunos do projeto submetidos a avaliações nacionais como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tiveram média superior à estadual. A taxa de evasão coincide com a de reprovação e varia entre 5% a 10% no ano, abaixo da média nacional, 24,3% em 2012, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

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