Dedicação cria talento, diz capixaba ‘gênio’ de Harvard

Por Porvir

compartilhe

Tamanho do texto

Aluno de ciências da computação da universidade dos EUA, Gabriel Guimarães ajuda brasileiros com curso online

O capixaba Gabriel Guimarães, 21, estuda Ciência da Computação e Economia em Harvard
Acervo pessoal
O capixaba Gabriel Guimarães, 21, estuda Ciência da Computação e Economia em Harvard

“Gabriel Guimarães é um gênio da ciência da computação”, afirma uma matéria do Business Insider, site norte-americano especializado em negócios e tecnologia. Quem não conhece a história de Gabriel pode talvez imaginá-lo um pouco grisalho, já com uns bons anos de estudo e experiência prática que alicerçam esse título.

Na verdade, Gabriel é um capixaba de 21 anos, estudante de Ciência da Computação e Economia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, eleito pelo site de notícias como um dos 19 atuais alunos mais brilhantes da lendária instituição de ensino.

Quanto custa estudar em uma universidade nos EUA, Canadá, Reino Unido e França?
Saiba como entrar em uma faculdade dos Estados Unidos
Ranking britânico elege Paris a melhor cidade do mundo para estudar

A trajetória do brasileiro tem como um divisor de águas o ano de 2011, quando, ainda aluno de Eletrotécnica no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), ele concluiu, à distância e em menos de três semanas, o curso CS50 oferecido pela universidade norte-americana. Trata-se do curso básico de ciência da computação de Harvard, que oferece uma base sobre a área de programação.

Encantado com a experiência, Gabriel resolveu compartilhar a oportunidade com outros alunos brasileiros que não dominam a língua inglesa e criou oCC50, uma adaptação totalmente em português e gratuita do curso CS50, autorizada pelo instrutor original do curso de Harvard, David Malan. Além de todo o material disponível online, Gabriel deu aulas presenciais para mais de 160 alunos e colocou os vídeos no site do curso.

Atualmente ele está no terceiro semestre da graduação e Head Teaching Fellow (professor-bolsista, que trabalha como assistente de um docente) do CS50.

Quando você olha para trás, quais são os momentos, as decisões tomadas em relação à sua educação que você considera fundamentais para ter chegado a Harvard?

Gabriel Guimarães: Eu sempre gostei muito de aprender e sempre aprendi muito rápido. Violão, línguas, matemática, programação. Eu boto na cabeça que quero aprender alguma coisa e me dedico muito àquilo. Até depois de vir para Harvard essa característica de aprendizado continua bem forte. No meu primeiro ano, fiz um curso de matemática chamado Math 55, que é tido como o “curso de matemática mais difícil do país”. Eu não tinha experiência quase nenhuma com provas e matemática pura quando comecei, mas a minha vontade de aprender falou mais alto e no final das contas eu acabei conseguindo tirar A.

Uma das decisões que com certeza marcaram a minha vida foi o dia em que eu resolvi traduzir o CS50 para português, criando o CC50. Esse com certeza foi um dos meus maiores projetos, que me abriu diversas portas para outros projetos interessantes, mas eu não diria que se tratou de uma ideia “brilhante”, que aparece para poucos. Acho que se uma pessoa se aventura o suficiente em um campo que gosta muito, esse tipo de ideia aparece naturalmente. E o campo não precisa ser necessariamente acadêmico. Pode ser esporte, dança, música, atividade social. Enfim, as possibilidades são inúmeras. No meu caso, eu já estava interessado em programação e comecei a buscar mais e mais sobre o assunto, então a ideia de querer trazer oportunidades de aprendizado de computação com qualidade para brasileiros apareceu de forma natural.

O que você acha que te diferencia da média como estudante?

Gabriel: Talento com certeza é importante, mas dedicação cria talento. Na minha opinião, até a própria “facilidade de aprendizado” pode ser aprendida, esticada e desenvolvida. Eu decidi aplicar para faculdades nos Estados Unidos junto com a minha irmã mais nova no meu primeiro ano do Ensino Médio. Na época, nós decidimos falar só inglês um com o outro para praticar, o que fazemos até hoje, cinco anos depois.

Desde aquele dia eu também comecei a me esforçar muito, tanto no colégio quanto na busca por fazer sempre mais do que só o básico que todo mundo fazia. Isso me levou, por exemplo, a começar a assistir aulas de Cálculo e Física com os alunos de graduação em Engenharia quando tinha 14 anos. Muita gente pode achar que esse tipo de coisa é difícil sem nem tentar. Tente! Se você estiver realmente disposto a trabalhar para que aquilo dê certo, é muito difícil dar errado. Na minha opinião, essa vontade constante de fazer mais e melhor é muito mais importante do que “genialidade” pura.

A experiência em Harvard tem sido o que você imaginou? Há algum projeto específico no qual você está trabalhando ou que pretende desenvolver durante a sua formação?

Gabriel: Harvard é ainda mais do que eu imaginei. Depois de terminar o meu primeiro ano aqui, eu voltei para casa no Brasil e conversei com meus pais sobre o meu amadurecimento nesse ano que passou. Foi com certeza o ano mais denso da minha vida, tanto em quantidade de material acadêmico que estudei, quanto em amizades importantes que fiz e também em lições pessoais que tive.

Antes de vir para cá eu não estabeleci metas muito específicas além de aprender o máximo possível sem deixar de me divertir. Atualmente o meu trabalho como Head TF do CS50 é o meu maior projeto. O curso tem um staff de 100 pessoas e alcança mais de 330 mil alunos no mundo inteiro. Adoro esse trabalho porque mescla a parte técnica de computação com educação e impacto social, além de incluir vários aspectos de management (gestão) que também gosto muito.

Você já pensa no que vai fazer quando se formar? Qual seria o cenário ideal para você em 2017?

Gabriel: Eu penso em trabalhar com algo relacionado à tecnologia e inovação e com certeza quero voltar para o Brasil depois da graduação. Acho que o Brasil tem muito potencial e oportunidades maravilhosas, além de pessoas extremamente engajadas com quem eu quero muito trabalhar.

Os defeitos do nosso país devem ser resolvidos por nós brasileiros e eu quero muito trabalhar por isso. Seguindo esse raciocínio, também não gosto de pensar em um “cenário ideal” porque mesmo um cenário ruim apresenta oportunidades e desafios muito interessantes. Gosto de ser otimista e pensar que qualquer cenário pode ser ideal se abordado da forma correta.

Confira abaixo universidades que fazem parte do Ciência sem Fronteiras

Universidade de Nebraska. Foto: DivulgaçãoCatholic University of America. Foto: DivulgaçãoOregon State University. Foto: DiuvlgaçãoUniversidade de Wisconsin. Foto: Thinkstock/Getty Images Universidade do Tennessee de Knoxville. Foto: DivulgaçãoIowa State University. Foto: DivulgaçãoPennsylvania State. Foto: DivulgaçãoUniversity of Arkansas. Foto: DivulgaçãoNorth Carolina State University. Foto: DivulgaçãoUniversity of California de San Diego. Foto: DivulgaçãoIllinois Institute of Technology. Foto: Divulgação San Diego State University. Foto: DivulgaçãoUniversidade de Minnesota. Foto: Thinkstock/Getty ImagesUniversidade de Colorado Boulder. Foto: DiuvlgaçãoPurdue University. Foto: DivulgaçãoInstituto Rensselaer Polytechnic. Foto: DivulgaçãoUniversidade de Montana. Foto: DiuvlgaçãoTexas A & M University. Foto: DiuvlgaçãoSyracuse University. Foto: DivulgaçãoUniversidade da Califórnia. Foto: DivulgaçãoWashington State University. Foto: DivulgaçãoUniversity de Iowa. Foto: Thinkstock/Getty Images
Leia tudo sobre: intercâmbioEUAensino superior

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas