Prefeitura do Rio compara escola a linha de produção em propaganda e é criticada

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Publicidade foi veiculada no jornal O Globo no último domingo

Reprodução
Propaganda do Programa Fábrica de Escolas do Amanhã, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro

A Prefeitura do Rio de Janeiro veiculou no último domingo (7) uma propaganda do programa "Fábrica de Escolas do Amanhã" que compara escolas a linhas de produção no Jornal O Globo. A peça publicitária é alvo de diversas críticas nas redes sociais.

A propaganda traz uma linha de produção com crianças em carteiras escolares. O texto diz: "Nossa linha de produção é simples. Construímos escolas, formamos cidadãos e criamos futuros". A publicidade é sobre o programa que constrói estruturas pré-moldadas para escolas, armazena e distribui material unidades da rede municipal de ensino.

Professor de história da rede municipal, Silvio Pedrosa ironizou em uma postagem no Facebook: "Somos um Rio, somos uma fábrica"

Em sua página, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) criticou a peça: "Nós trabalhamos e lutamos por uma educação pública de qualidade, acessível a todos e todas. Acreditamos em um ensino laico, crítico e que ensine nossas crianças a ler o mundo. Isso só é possível com autonomia para os profissionais de educação. Uma escola na Ilha do Governador é diferente de uma escola na Pavuna, diferente de uma escola no Méier, no Leblon. Quando a escola recebe um projeto de cima para baixo ela fica engessada e não pode transformar a realidade, porque ela não consegue se apropriar daquela realidade em seu dia a dia escolar."

Publicada nessa segunda, a mensagem do deputado já foi apoiada por mais de 9.900 pessoas e compatilhada por mais de 6.300 internautas.

Nas redes sociais, muitos internautas fizeram a relação entre a propaganda e a música do Pink Floyd "Another Brick in the Wall", cujo vídeoclipe sugere que as escolas são como fábricas que padronizam seus alunos. 

Em um dos comentários na página do deputado, Flávio Junqueira de Lima disse: "Escola não é fábrica de mão-de-obra, de mentes bem comportadas e adestradas. Escola não é propaganda da eficiência mercadológica do neoliberalismo. Escola não deve, não pode ser vista e exaltada por um governo como uma esteira de produção em que crianças são jogadas, monitoradas, consertadas e lançadas no mercado".

Outro lado

Procurada pela reportagem nesta terça-feira, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro ainda não se pronunciou sobre as críticas e nem informou quanto foi gasto com a peça publicitária. 

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