Alunos da rede pública criam aplicativos de celular para combater bullying

Por Porvir |

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Jovens do 8º ano apresentaram apps voltados à alimentação, saúde e combate ao bullying na final do Projeto Ismart Online

Tiago Queiroz/Divulgação/Ismart
Adolescentes do 8º ano apresentaram apps voltados à alimentação, saúde e combate ao bullying na final do Projeto Ismart Online

“Nós não apoiamos a automedicação, mas achamos importante informar sintomas e tratamentos para o paciente poder questionar o médico”, explica Gabrielli Fonseca, 13 anos, integrante da equipe Democráticos, que criou o aplicativo Médico Virtual para o Projeto Ismart Online. Ela conta que o app já teve 257 downloads e traça planos para aperfeiçoar o produto. “Queremos melhorar o app, queremos que seja útil. A gente quer pensar em uma alguma parceria ou patrocínio para essa segunda versão para alcançar mais usuários”.

Gabrielli e integrantes de 26 grupos de alunos do 8º ano do Ensino Fundamental de escolas públicas de São Paulo e São José dos Campos apresentaram aplicativos criados por eles a uma banca na final do projeto, realizada no último sábado (6), na sede do Google, em São Paulo.

Foi a temática do bullying a que mais engajou os jovens estudantes. Entre os 26 apps, dez eram voltados à solução deste problema. “Nós vimos um amigo sofrendo bullying, e ele ficou muito chateado. Eu também já sofri bullying, então tentamos materializar conceitos e ideias para o aplicativo, mas o difícil foi fazer a apresentação porque a gente ficou muito nervoso”, conta Mateus Pedro Francisco, 13 anos, aluno da Escola Municipal Humberto de Campos, na Vila Matilde, do app No! Bullying.

“Escolhemos o bullying porque é algo muito presente na escola. As pessoas acham normal ofender e ser ofendido! Achamos que é um problema atual”, diz Mariana Freire, 13 anos, do app Soluções para o Bullying.

Estudantes trabalham bem em equipe

“A mentalidade desta garotada está mudando. Eles trabalham melhor em equipe, desenvolvem um lado autodidata e com bastante apelo às questões sociais. A garotada faz mais sinapse que a gente. Eles já nasceram digitais e Big Data, estão acostumados a uma grande quantidade de informações. Eles fazem apresentações que executivos não fazem”, afirma Raul Javales, professor da FGV e consultor da Universidade de Stanford, um dos jurados responsáveis pela avaliação dos aplicativos desenvolvidos por estudantes.

O desafio foi proposto em fevereiro, quando eles tiveram que escolher entre três áreas específicas para trabalhar: alimentação, saúde e bullying. Os alunos selecionados para participar foram destaque no processo seletivo para 135 vagas do Projeto Alicerce, que financia o estudo de bons alunos em colégios particulares de ponta, mas acabaram ficando sem uma das bolsas.

No Projeto Ismart Online, eles reuniram-se a cada dois meses para uma série de atividades, dinâmicas e reuniões para desenvolver os aplicativos. Além de aprenderem noções básicas de programação e lógica (um programa do Google facilitou a criação dos apps, que tiveram, de maneira geral, um mesmo padrão de funcionamento), eles foram submetidos aos módulos de aprendizagem de ortuguês e matemática e também ao de cultura. No primeiro, os alunos tiveram acesso a uma plataforma de ensino online que visa ao reforço do conteúdo aprendido na escola. Já o segundo, de acordo com a definição do programa, “se propõe a desenvolver habilidades como motivação, autonomia, persistência e inspiração”. O desenvolvimento cognitivo e a habilidade socioemocional foram características fundamentais prezadas durante o processo.

Tiago Queiroz/Divulgação/Ismart
Adolescentes aoresentaram projetos na final do Ismart Online


Os alunos contavam com alguns mentores que os ajudaram durante as etapas. Um dos orientadores convidados ao módulo de cultura foi Victor Paulillo Neto, do Google, que discutiu o processo pré-universitário, a escolha de carreiras e como atingir as expectativas profissionais de cada um. “Minha tarefa era a de ajudá-los a encontrarem o caminho, fazer com que eles descubram isso por si mesmos. Foi muito gratificante o processo de tentar abrir a cabeça deles, saber o que os motiva. A formação do ensino médio às vezes pode ser mais importante do que a própria faculdade”.

Emocionadas e cheias de orgulho, as mães Tania Fernandes e Maria da Conceição Santos não mediram palavras para elogiar a iniciativa. Elas relatam um amadurecimento pessoal e intelectual notável em suas filhas participantes. Para elas, o esforço feito durante o ano e os resultados alcançados motivam ainda mais as adolescentes a buscarem seus sonhos.

Tiago Maluta, um dos coordenadores do Programaê, parceiro no projeto, e também jurado no evento, disse que o nível dos aplicativos e as ideias propostas foram excelentes. “Fiquei muito satisfeito com os resultados. Eles saíram do nada e criaram coisas muito interessantes. O movimento de eles deixaram de serem consumidores para se tornarem produtores de conteúdo é muito importante”, avalia.

A partir dos resultados atingidos no programa, 11 alunos de São Paulo e outros seis de São José dos Campos foram selecionados para participar do Projeto Alicerce e  cursar o ensino médio em uma escola particular. Outros selecionados ainda ganharam tablets e vale-cultura no valor de R$ 50.

Entre os apps criados estão, por exemplo, o Médicos de Plantão, cuja ideia é disponibilizar o tempo que o usuário levaria para ser atendido em um determinado pronto socorro em uma emergência. Já o Viva Bem reúne dicas de alimentação com o intuito de evitar dietas “milagrosas” que podem ser prejudiciais ao corpo.

“Estou muito feliz. O projeto foi maravilhoso e gratificante. Me deu vontade de estudar mais e me ajudou a reforçar o conteúdo da escola. Fiz novas amizades, teve muita troca de conhecimento. Fazíamos reunião por Skype e dividimos as tarefas entre todo o grupo”, conta Mariani Conceição, 13 anos, do app Viva Mais e Melhor, bastante emocionada por ser uma das selecionadas.

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