Escola inaugurada em 1894 no centro de São Paulo serviu de referência para a educação brasileira, afirma pesquisadora

Aulas de esgrima, de canto orfeônico (em coral) e de culinária, laboratório de anatomia, biblioteca e oficinas de trabalhos manuais. Todas essas atividades faziam parte do cotidiano da Escola Estadual Caetano de Campos no início do século 20.

A escola, instalada no prédio da Praça da República (centro de São Paulo), era modelo de educação pública, laica e gratuita em um momento em que o ensino estava longe de ser universalizado – o ensino fundamental só atingiu todas as crianças de nove anos do Brasil em 2011.

A história reconstituída pela ex-aluna e pesquisadora Patrícia Golombek mostra curiosidades da vida escolar de uma instituição centenária, e está em exposição até 29 de novembro no Arquivo Histórico de São Paulo.

História

A escola nasceu para servir de laboratório experimental para os professores que se formavam na Escola Normal. Com a formação de docentes que se espalharam por todo o Brasil, métodos adotados ali passaram a fazer parte do cotidiano da vida escolar. A adoção de cartilhas escolares é um dos exemplos apontados pela pesquisadora. 

Em 1895, a instituição abrigou uma estação meteorológica que também era usada no ensino. Em 1914, tinha o primeiro laboratório de psicologia do país. O programa "cinema educativo" levou projeções para dentro da escola em 1930. E em 1944, a instituição passou a servir merenda para seus alunos. 

"A Caetano de Campos era a escola mais importante de São Paulo e mudou a educação do Brasil. No curso normal, os futuros professores conheciam práticas adotadas ali que depois eram reproduzidas em escolas de todo o País", afirma Patrícia.

Escola de elite

A instituição tinha fila para matrículas, mas a influência de políticos criava atalhos para diversas famílias que queriam seus filhos na escola modelo.

"Os alunos eram a elite intelectual da cidade, mas também havia pessoas de classes sociais mais baixas. Eles [diretores e professores] realmente acreditavam na ideia de progresso pela educação", diz Patrícia.

Por seus bancos passaram famosos como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Sérgio Buarque de Hollanda, Emerson Fittipaldi e Dorina Nowill. 

Mudanças e rede estadual

Segundo a pesquisadora, o perfil da escola mudou a partir de 1978, quando foi transferida do prédio da Praça da República e passou a fazer parte da rede estadual de ensino público, deixando de ser unidade modelo. 

Serviço:

Exposição 'Ramos de Azevedo e a Escola Caetano de Campos'
Onde: 
Arquivo Histórico de São Paulo (Pça. Coronel Fernando Prestes, 152)
Quando: até 29 de novembro; segunda a sábado das 9h às 17h
Quanto: entrada gratuita 

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