Professores dizem que tema de redação é pertinente e atual, mas admitem surpresa

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Tema exigiu mais sensibilidade e conhecimento no que diz respeito à liberdade de imprensa, afirmam especialistas

Agência Brasil

Para professores, o tema da redação deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) surpreendeu por não estar entre as principais apostas para a prova. Segundo eles, no entanto, o tema Publicidade Infantil em Questão no Brasil pode ser abordado de várias formas e, embora não cobre o domínio de atualidade tão diretamente como o tema do ano passado, que tratou da Lei Seca, o estudante que acompanhou as recentes discussões sobre liberdade de imprensa e papel da mídia no país poderá se beneficiar.

Mais: Candidatos ficaram surpresos com tema de redação

“Mais uma vez, o Enem trabalha com um tema que é pertinente à sociedade brasileira. O tema é muito bom para ser trabalhado dentro do que a estrutura do Enem solicita [apresentar um problema e uma solução]”, analisa o professor do Colégio JK, em Brasília, Marcelo Freire.

“Não é um tema muito difícil, é um tema que tem uma linha de raciocínio, como nos anos anteriores. Não dá para ir contra a Lei Seca, não dá para ser contra a imigração. O Enem mais uma vez lança um tema que facilita a vida do candidato”, acrescenta. Em 2013, o tema da redação foi Efeitos da Implantação da Lei Seca no Brasil. Em 2012, foi O Movimento Imigratório para o Brasil no Século 21.

De acordo com o professor, o tema não estava entre os mais cotados para serem cobrados no exame, mas o candidato não precisa ter um domínio direto de uma questão da atualidade específica. “Vai exigir mais sensibilidade e conhecimento no que diz respeito à liberdade de imprensa. Liberdade de expressão e midia foram temas em que muita gente apostou. O aluno que souber aproveitar essa discussão, que foi muito forte este ano, vai poder aplicar na redação”.

Veja fotos do Enem 2014:

Sobre o tema da redação, a estudante Beatriz Martins, 17, é contra a publicidade infantil. (9/11). Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloAdemar Barreto, 52, pleitea uma vaga no curso de tecnologia da informação com a nota, saiu às 15h03 do campus e não gostou da proposta da redação. (9/11). Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloJosé Carlos, de 18 anos, perdeu a hora e chegou atrasado no 2º dia do Enem. Ele queria pontuação para o Ciência sem Fronteiras (9/11). Foto: Barbara Liborio/iGÀ frente, estudantes sai sem falar com a imprensa após chegar atrasado e perder prova do Enem (9/11). Foto: Barbara Liborio/iGGuilherme da Silva, 25, vende salgadinhos, doces e bebidas todos os dias no campus da Uninove, Barra Funda. (9/11). Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloGeorgina Santos, 44 anos, veio vender suas batatas fritas. Ela não veio no sábado, mas ao ver o movimento pela TV, decidiu arriscar. (9/11). Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloCandidatos chegam para o 2º Dia de prova do Enem, em Brasília. Foto: Agência BrasilDorival formou filhos e netos e agora quer estudar também (9/11). Foto: Barbara Liborio/iGLilian, Adna e Karina saíram às 9h de casa para conseguir chegar às 11h no local de prova (9/11). Foto: Barbara Liborio/iGBeatriz Ribeiro achou a prova de física a mais complicada (9/11). Foto: Barbara Liborio/iGMovimentação em frente ao prédio da Uninove, na Barra Funda, para o 2º dia do Enem. Foto: Barbara Liborio/iGMovimentação em frente ao prédio da Uninove, na Barra Funda, para 2º dia do Enem (9/11). Foto: Barbara Liborio/iGFernanda Sazuki com a mãe, Regiane Nascimento; jovem tem autismo moderado e faz Enem para pleitear certificado do ensino médio (9/11). Foto: Barbara Liborio/iG8.nov.2014 - Fernando Henrique, 20, deixa local de prova na Barra Funda (em São Paulo) no primeiro dia de exame. Foto: Barbara Liborio/iG8.nov.2014 - Raimunda de Souza, 40, chegou antes do meio dia com a filha Luana, 19 . Foto: Barbara Liborio/iG8.nov.2014 - A candidata Cláudia Luna, 35, fez as provas do primeiro dia do Enem 2014 na Barra Funda, em SP. Foto: Barbara Liborio/iG8.nov.2014 - Após terminar a prova do primeiro dia do Enem 2014, o candidato Felipe Assunção, 18, está mais confiante para a prova de exatas amanhã. Foto: Barbara Liborio/iGEstudante chega atrasada no campus da Uerj, no Rio (8/11). Foto: Tomaz Silva / Agência BrasilEstudante não consegue entrar para a prova (8/11). Foto: Tomaz Silva / Agência BrasilGabrielle Bittencourt se perdeu no metrô, chegou atrasada e perdeu a prova. Foto: Barbara Liborio/iGCamila Trota errou o local, chegou atrasada e perdeu prova. Foto: Barbara Liborio/iGCandidata corre para entrar antes do fechamento dos portões. Foto: Agência BrasilLuandra Pereira, 21 anos, chegou atrasada e não conseguiu fazer a prova. Foto: Barbara Liborio/iGCandidata chega atrasada e fica de fora do Enem. Foto: Agência BrasilCandidatos chegam à UERJ, no Rio, para primeiro dia do Enem. Foto: Tomaz Silva / Agência BrasilHomem confere local de prova em cartão de confirmação do Enem. Foto: Agência BrasilMulher vende caneta na porta de local de exame . Foto: Agência BrasilEstudantes chegam para o Enem na Universidade Uniceub, na Asa Norte, Brasília. Foto: Wilson Lima/iG BrasíliaEstudantes se aproximam do portão de entrada da Universidade Uniceub, na Asa Norte, em Brasília. Foto: Wilson Lima/iG BrasíliaAmanda Garrido ouve Avenged Sevenfold antes do início da prova em SP. Foto: Barbara Liborio/iGLaís ao lado do pai, Paulo Tanaka, curtem música antes da prova. Foto: Barbara Liborio/iGAlunos aguardam abertura dos portões no campus da UFRJ, no Rio de Janeiro. Foto: Futura PressAlunos aguardam abertura dos portões no campus da UFRJ, no Rio de Janeiro. Foto: Futura PressFernanda, 21, tem autismo e sonha em fazer web designer. Ela aguarda abertura dos portões na Uninove, Campus Barra Funda, em SP . Foto: Futura PressAglomeração de estudantes no momento em que os portões abriram, em São Paulo. Foto: Barbara Liborio/iGElizabeth Gomes, 67, está em busca do certificado do ensino médio. ""Não pude estudar na época certa", diz ela, que sonha em fazer faculdade de matemática. Foto: Barbara LibórioO aposentado José Petronilho, 52, veio fazer a prova em busca de uma nota que lhe renda uma bolsa de estudos no curso de medicina veterinária. Foto: Barbara LibórioMovimentação dos alunos à espera da abertura dos portões. Foto: Barbara Liborio/iGVista da aula de matemática improvisada. Foto: Barbara Liborio/iGProfessor Márcio Barbosa dá aula de matemática na 'porta do Enem' em SP. Foto: Barbara Liborio/iGAlexandre Neto, 22, aproveitou a aula para pegar algumas dicas . Foto: Barbara Liborio/iGAs estudantes Gabriela Torres e Alana Calixto não assistiram à aula com medo de se confundirem. Foto: Barbara Liborio/iGMovimentação de alunos à espera da abertura dos portões para o Enem. Foto: Barbara Liborio/iGMovimentação dos alunos à espera da abertura dos portões. Foto: Barbara Liborio/iGAnna Stefani trouxe a mãe e o irmão com ela; jovem quer uma vaga na medicina da Unifesp. Foto: Barbara Liborio/iGAlexandre Barbosa, 21, chegou às 9h para evitar imprevisto. Ele quer uma vaga no curso de Direito em federais. Foto: Barbara Liborio/iGIngrid Medina, 16, está no 2º ano do Ensino Médio e presta o Enem como treineira. Ela quer estudar medicina na UNIFESP. Foto: Barbara Liborio/iG

Freire alerta, no entanto, que é preciso ter cuidado com outra regra do exame, a de respeitar os direitos humanos no desenvolvimento do texto. Segundo ele, muitos no ano passado feriram os direitos humanos ao definir tipos de punição àqueles que dirigissem bêbados, o que é proibido, pelas regras do exame. O risco esse ano é de o candidato ir contra a liberdade de imprensa.

“O tema foi supreendente, mas não fora da tradição do Enem. O tema supreende e eu acho isso positivo, porque evita um mapeamento de temas por parte de professores que acabam quase montando a redação com os alunos”, diz o professor de português do Colégio Sigma, em Brasília, Eli Carlos Guimarães.

Para ele, a discussão é pertinente porque envolve a atuação do Poder Público em relação à liberdade de imprensa da TV, de modo geral, e cuidados com a educação, colocando a criança como foco de preocupação social relevante. “Imagino que os alunos vão apontar soluções no sentido de que deve haver uma legislação mais rigorosa ou mais clara, estabelecendo limites do que é aceitável e da responsabilidade dos anunciantes”, diz Guimarães.

Já a professora de português do Centro de Ensino Médio Setor Leste, em Brasília, Eliana Luízade Azevedo, destacou a amplitude do tema, que possibilitará aos candidatos de todo o país falarem em relação ao contexto em que estão inseridos. “Os participantes poderão trabalhar a questão da publicidade infantil nas grandes cidades ou no interior, poderão mostrar como, em cada localidade, é trabalhada a publicidade infantil”, diz. “O tema tem uma abrangência imensa, que pode ser levada para o lado da violência infantil, do consumo, pode trabalhar também a vertente de direitos humanos, a questão da erotização da criança”, acrescenta.

Neste domingo (9), os candidatos fazem provas de linguagens e códigos, matemática e redação. O exame começou a ser aplicado às 13h, no horário de Brasília, e terá a duração de cinco horas e 30 minutos. Esta edição do Enem teve inscrição recorde de mais de 8,7 milhões de candidatos.

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