Por causa do Exame, Mayara Tenório conseguiu estudar artes cênicas e ganhar bolsa para realizar outro curso no Senac

Até o ano passado, Mayara Tenório Gomes, 23 anos, só tinha atuado por brincadeira. Apesar de sonhar com artes cênicas desde a infância, ela sempre soube que sua família não tinha condições de pagar a mensalidade de uma faculdade privada (a graduação é rara e cara). Egressa de escola pública, ela também sabia que seria muito difícil garantir sua vaga em uma universidade pública.

Mas ela conseguiu. Desde o início de 2014, a estudante de 23 anos é aluna da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O sonho começou a tomar forma quando ela conquistou uma vaga no cursinho da Poli, que é gratuito. Era só o começo.

Com o objetivo de entrar na Universidade de São Paulo (USP), Mayara acabou descobrindo o curso de direção teatral da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Sempre tive uma queda pelo Rio e quando eu descobri que o curso existia na UFRJ decidi me dedicar ao máximo no Enem para conseguir ir para lá”.

Durante todo o ano passado, ela conciliou o trabalho na padaria, onde ficava das 6h às 15h30, com os estudos. Todos os dias, Mayara acordava por volta das 4h da manhã e só voltava para casa às 23h. “Quando chegava em casa, ficava estudando até a 1h. Foi um período em que eu vivi no meu limite. Tinha fortes dores de cabeça constantemente e às vezes também tinha crises de choro.”

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Foi um tempo em que Mayara também não teve muito contato com seus amigos: como trabalhava todos os dias da semana, ela aproveitava ao máximo seu tempo livre para estudar. “Quando tinha uma folga, tentava adiantar toda a leitura que seria vista em sala de aula. Os exercícios, eu deixava para fazer nos finais de semana. Era impossível fazer tudo isso e ainda sair com meus amigos”, conta.

No dia do Enem, ela estava calma. Acreditava que já tinha aprendido tudo o que precisava. Agora era preciso foco e concentração. No sábado, lembra Mayara, ela fez a prova sem muitas surpresas. Já no domingo as coisas foram diferentes: o ônibus demorou a passar e ela chegou ao local da prova faltando apenas cinco minutos para o portão fechar. “Foi o tempo de eu tomar uma água e me concentrar”.

Quando saiu o resultado do Enem, ela teve uma surpresa: tinha feito cem pontos a menos do que nos anos anteriores. Sua salvação seria ir muito bem na prova de habilidades específicas. "Foi o que aconteceu. Somando tudo, entrei entre os primeiros colocados.”

O nome na lista de aprovados ela viu ao lado da mãe. "Eu olhava para ela e via lágrimas nos seus olhos. Foi um momento indescritível. Só de lembrar fico arrepiada”.

Como Mayara tinha sido aprovada na Universidade Estadual Paulista (Unesp), chegou a ficar em dúvida sobre qual faculdade cursar, mas acabou optando pelo Rio de Janeiro. “Queria sair da minha zona de conforto, assumir maiores responsabilidades e, acima de tudo, orgulhar minha família”.

No Rio desde fevereiro, a vida não tem sido fácil. Devido ao horário do seu curso, das 16h40 até às 22h, Mayara não conseguia encontrar um emprego. Por conta de um erro no cadastro, ela também ficou quatro meses sem receber a bolsa de auxílio permanência dada pela universidade. Pensou até em desistir do curso durante as férias.

Mas as coisas começaram a melhorar e em julho: Mayara recebeu todos os meses atrasados da bolsa e decidiu se dedicar aos projetos relacionados ao seu curso. “Fazendo o Enem, também ganhei uma bolsa do Pronatec em um curso de guia de turismo que eu faço no Senac. Enfrentei milhares de dificuldades, mas não me arrependo de ter persistido em estudar. Uma coisa que eu amo, que sempre amei”.

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