Deficit da USP deve chegar a R$ 1,25 bilhão até o final do ano

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em grave crise orçamentária, universidade estadual suspende pagamento de prêmio por desempenho a trabalhadores

A Universidade de São Paulo (USP) deve chegar ao final do ano com um deficit de R$ 1,25 bilhão em seu orçamento, segundo cálculos da reitoria da instituição. O valor ultrapassa o dobro do rombo estimado em fevereiro deste ano (R$ 570 milhões).

A universidade paulista passa por grave crise financeira. Desde 2013, a instituição gasta mais de 100% do repasse do Tesouro Estadual com a folha de pagamento e usa parte de sua reserva para cobrir as despesas. O ideal, para especialistas, é que a proporção não supere os 85%.

Com isso, a reserva que era de R$ 3,6 bilhões em junho de 2012 deverá ter o montante de R$ 1,53 bilhão para o ano de 2015.

A nova estimativa foi feita após a instituição firmar acordo salarial que encerrou uma greve de 118 dias – a maior da história da universidade. A proposta assinada garante 5,2% de reajuste salarial e abono de 28,6% para professores e funcionários da USP.

Bônus por excelência será suspenso

Por causa da crise financeira, o prêmio por excelência criado em 2008 e pago a professores e funcionários da USP anualmente por desempenho acadêmico não será pago este ano. Segundo a reitoria, "não há disponibilidade orçamentária para essa despesa".

A decisão afeta os 5.860 professores e os 16,8 mil técnicos-administrativos da universidade.

Histórico da crise financeira

Em 2013, a USP recebeu um repasse total de R$ 4,3 bilhões do Governo do Estado de São Paulo. Em setembro deste ano, apenas o gasto com salários já representava 105% do orçamento.

Para reverter esse cenário, a USP apostou em conter despesas, como o congelamento de obras e contratações, e o PDV, que prevê a aposentadoria antecipada de 1,7 mil funcionários, 10% do quadro da instituição. As ações não foram suficientes.

Outras medidas, como desvincular dois hospitais universitários, foram propostas pelo atual reitor Marco Antonio Zago. A USP ainda planeja mais ações de austeridade, como incentivar a redução da jornada de trabalho dos servidores, com diminuição correspondente de salários, e vender imóveis.

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