O que é Inteligência Emocional?

Por Artigo - Tonia Casarin |

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Segundo pesquisadora brasileira em Colúmbia, "competências para a vida" devem ser contempladas na Base Nacional Comum

Thinkstock/Getty Images
Para Tonia, sistema educacional do País precisa discutir formas de implementação de projetos de desenvolvimento emocional

Desde a publicação do primeiro livro de Daniel Goleman sobre Inteligência Emocional em 1995, o tema tornou-se popular no mundo corporativo. Hoje, sabe-se que o que difere excelentes líderes de líderes medianos é a Inteligência Emocional. Mas o que é Inteligência Emocional?

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Segundo autores como Salovey e Mayer, a Inteligência Emocional é "...a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros."

Já Daniel Goleman propõe um conceito mais abrangente que aborda não somente as emoções, em si, mas também seus impactos nos relacionamentos. Ele diz que é a "...capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos."

Quando os psicólogos começaram a pensar e escrever sobre inteligência, eles se concentraram em aspectos cognitivos, como a resolução de problemas. No entanto, havia pesquisadores que reconheceram que os aspectos não-cognitivos também eram importantes. Tal debate sobre essa linha de pensamento vem ganhando força no Brasil, graças ao Instituto Ayrton Senna, que levantou essa bandeira e já possui programas implementados em escolas.

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Enquanto no Brasil o debate ainda é embrionário, algumas unidades de ensino no mundo já chegaram a implementar programas de desenvolvimento social e emocional de forma mais robusta, como é o caso da KIPP Infinity em Nova Iorque.

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Nessa perspectiva, mais de 213 pesquisas já realizadas na área concluem que essas iniciativas melhoraram as habilidades socioemocionais dos alunos, suas atitudes sobre si próprio e em relação aos outros, sua ligação com a escola, seu comportamento social, e o desempenho acadêmico: notas 11% mais altas do que alunos que não fizeram parte do programa.

Diante do impacto dessas iniciativas na aprendizagem dos alunos, torna-se necessário pensar em como implementar projetos de desenvolvimento social e emocional nas escolas no Brasil. Não somente para garantir a maior aprendizagem dos alunos, como também expandir o papel da escola na prepararação de seus alunos para a vida.

Essas competências para a vida, como a Inteligência Emocional, devem ser contempladas na Base Nacional Comum – atualmente em discussão no País. Além disso, o papel ativo da família e a formação dos educadores são fundamentais para o desenvolvimento da criança. A Educação deve transbordar para além do ambiente escolar. Ela exige o comprometimento de todos os atores envolvidos no desenvolvimento da criança.

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Arquivo pessoal
Tonia é graduada em Administração pela PUC-Rio

Quem é?
Tonia Casarin conclui em 2014 seu Mestrado em Educação no Teachers College em Columbia University, onde focou seus estudos em desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais em crianças, adolescentes e adultos. Tonia é uma Lemann Fellow, saiba mais aqui.

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