Conselho propõe aumento de 50% para 75% em nº de mestre e doutor em curso de pós

Por iG São Paulo

compartilhe

Tamanho do texto

Medida visa aumentar qualidade da oferta de especializações e MBAs; atualmente esses cursos não são regulados pelo MEC

Getty Images
Lucrativos para as faculdades e sem regulação do MEC, maioria das pós tem foco profissional

No novo marco regulatório dos cursos de pós-graduação (especialização e MBA) – atualmente em discussão em Brasília –, o Conselho Nacional de Educação (CNE) vai propor que pelo menos 75% dos professores vinculados a esses cursos sejam mestres ou doutores. Atualmente, o porcentual é de 50%.

Para discutir mais o tema com mais profundidade, o CNE convocou uma audiência pública a ser realizada na nesta segunda-feira (4), em Brasília. O marco, que já se encontra desenhado, está previsto para entrar em vigor no próximo ano. Ele também prevê um maior controle na oferta desses cursos e mais regulação do governo.

Segundo o iG Educação apurou, o texto do marco não deve enfrentar grandes obstáculos para ser homologado pelo Ministério da Educação (MEC).

Hoje, com a exigência de metade do corpo docente com formação de mestre ou doutor, muitas instituições preenchem os demais postos com especialistas. Parte deles não precisa sequer estar vinculada à universidade. Tais profissionais podem ser convidados a integrar o corpo docente do curso. Com a nova regra, 75% dos professores também deverão ser da própria instituição ofertante da pós.

O objetivo da mudança no porcentual de mestres ou doutores proposta pelo novo marco é aumentar a qualidade da oferta de pós no País, diz o CNE. Hoje, esses cursos sequer são regulamentados pelo governo.

"A oferta é desregulada, não há supervisão e uma faculdade que tem uma graduação em gestão hospitalar, por exemplo, pode oferecer uma especialização em aviação civil", afirmou o conselheiro do CNE Erasto Fortes.

Poderão permanecer com o mesmo porcentual de mestre ou doutor (50%) apenas os cursos ofertados por instituições de pesquisa ou escolas de governo.

Primeiro passo

Enquanto tais pontos ainda serão objetos de análise e discussão, o primeiro passo antes da implantação do novo marco regulatório já foi dado.

Em maior, o MEC, por deliberação do próprio CNE, criou um novo banco de dados que visa restringir a oferta de cursos de má qualidade. Hoje, a abertura de cursos é livre e não é controlada pelo MEC.

Leia mais:
Sem regulação, cursos de pós e MBA têm 90 dias para se 'formalizarem' no MEC

Avaliação

Por enquanto, não há indicação de que as especializações passarão a ser avaliadas segundo os critérios da Capes – a agência de fomento do MEC que avalia e supervisiona os mestrados e doutorados, considerados a elite das pós-graduações no país. Pela avaliação da Capes é possível, por exemplo, que o estudante consulte pela internet o nível de qualidade do curso de mestrado ou doutorado que tenha interesse. Uma ferramenta que torna mais fácil a escolha pelo candidato.

Como nos cursos de especialização não existe algo semelhante, os candidatos precisam usar outros meios para avaliar a qualidade do curso, como pesquisa no mercado, análise do nível de qualidade do corpo docente e verificação in locus das condições de infraestrutura.

(Com informações da Agência Brasil)

Leia tudo sobre: cnemecpósmestredoutor

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas