‘Sou defensor do Enem; ele é um exame muito bom’, afirma atual reitor da USP

Por Davi Lira - enviado especial ao Rio de Janeiro* | - Atualizada às

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Resistente a adotar o exame organizado pelo MEC, USP quer mudar a forma de ingresso a partir do vestibular de 2016

O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago, afirmou nesta segunda-feira (28) ser um defensor do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Atualmente, o exame do Governo Federal já é utilizado por quase todas as universidades públicas federais como forma de seleção de novos alunos nas instituições. A USP, contudo, sempre se mostrou resistente à adoção do exame.

Cecília Bastos/Divulgação USP
'Nada se impõe na USP. Na USP , você convence as pessoas, você discute'

Questionado pela reportagem se é um defensor do Enem, Zago foi direto. “Sim [sou um defensor]. Eu acho que o Enem é um exame muito bom. A USP já está reestudando o seu vestibular. Não que o vestibular atual seja ruim, mas nós temos que considerar outras opções [de ingresso], e o Enem é uma possibilidade perfeitamente”, afirmou.

Atualmente, a USP já vem estudando novas formas de seleção de estudantes, que hoje precisam se submeter à concorrida prova da Fuvest para conseguir uma vaga na instituição mais prestigiada do País. Na prática, ao considerar o Enem, estudantes de outros estados interessados em estudar na USP podem ingressar mais facilmente na universidade.

Entenda: Universidades paulistas resistem ao Enem; veja como funciona

Mesmo defendendo o exame, Zago é taxativo sobre a sua implementação imediata como forma de ingresso. “O ingresso da USP precisa ser reestudado. [Mas, é preciso] entender que a USP é uma universidade muito grande, com pensamento muito diversificado. Nada se impõe na USP, você não chega e diz: agora é [para ser] assim. Na USP , você convence as pessoas, você discute. Eu não sou a USP. Eu sou apenas o reitor da USP. É o Conselho Universitário que decide”, diz.

O anúncio de Zago foi feito durante a realização do III Encontro Internacional de Reitores Universia, principal evento de educação do Santander. Realizado no Rio de Janeiro, o encontro reúne mais de 1 mil reitores de todo o mundo, especialmente da Espanha e da América Latina. O eixo principal do encontro é a discussão de novos rumos e o futuro das universidades.

Além do Enem, a instituição também já discute a possibilidade de convites a alunos de escolas públicas que sejam medalhistas em olimpíadas de conhecimento. A adoção de cotas é outra questão que será analisada. Todas essas novas formas de ingresso já podem valer a partir do vestibular 2016.

Unicamp não prevê adoção do exame

Divulgação/Unicamp
'Enem não nos permitiria seleção do perfil de aluno que a Unicamp gostaria de ter'

Além da USP, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também não adota o Enem como critério de seleção de novos alunos. Na Unicamp, contudo, a visão sobre a possibilidade de adoção do exame do Ministério da Educação (MEC) é menos otimista que a posição do reitor da USP.

“Como mecanismo de ingresso não sou um entusiasta ainda. Nós estamos estudando o que aconteceria se utilizássemos o Enem. A tese que ainda prevalece na Unicamp é que o resultado do Enem não nos permitira a seleção do perfil de aluno que a universidade gostaria de ter", afirma o reitor da instituição, José Tadeu Jorge.

Segundo o reitor da Unicamp, o atual modelo de vestibular da universidade “permite selecionar o aluno, exatamente, com o perfil que gostaríamos de ter”. “Mas estamos estudando como se comportaria o processo de seleção da Unicamp com o Enem, mas [essa discussão] ainda [está] muito no início. Nada muda para 2015. Em 2016, vamos analisar melhor [a possibilidade de adoção do Enem], fala Jorge.

*O repórter viajou a convite da Universia/Santander

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