Undime promoverá debates sobre currículos educacionais a partir de agosto

Por Priscilla Borges - enviada especial à Florianópolis* | - Atualizada às

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Em fóruns regionais, entidade vai detalhar propostas para criação de uma base curricular nacional; especialistas querem mais orientação sobre o que se deve aprender em cada etapa

Estabelecer o que as crianças e os adolescentes brasileiros devem aprender em cada etapa escolar ainda é um desafio a ser vencido pelos educadores do país. Os documentos produzidos pelo Conselho Nacional de Educação, dizem especialistas, não são claros quanto ao conteúdo e as habilidades que os estudantes devem alcançar ao final de cada ciclo de aprendizagem.

A incerteza, afirma a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, tem prejudicado a qualidade da educação oferecida nas escolas do país. Por isso, a partir de agosto, os secretários municipais de educação serão convidados a participar de fóruns regionais sobre o tema.

“O prejuízo é que os sistemas apostilados vêm crescendo, as crianças não cumprem o que deveriam cumprir nas salas de aula, nos cursos de licenciatura o tema não é discutido com os futuros professores. Não há um instrumento para cobrar e a avaliação acaba pautando o currículo. A gente faz sempre o caminho inverso”, critica Cleuza.

Leia: Orientação curriculares são insuficientes, dizem especialistas

O objetivo é criar propostas para uma base nacional curricular comum. O tema começou a ser discutido no 6º Fórum Nacional Extraordinário da Undime, realizado entre os dias 26 e 30 de maio em Florianópolis. “A gente queria colocar isso na pauta, porque essa discussão já vem se estendendo há bastante tempo, mas não aprofundamos como a gente gostaria”, conta.

Cleuza diz que não há acordo sobre o tema entre gestores, universidades, pesquisadores, professores. “A gente não pode falar currículo, não pode falar disciplina, não pode falar matéria, não pode falar grade curricular. Enquanto isso, se copia o índice do livro didático nos planos político-pedagógicos das turmas. É isso que não pode acontecer”, lamenta.

Ela lembra que pais e professores têm o direito de saber o que é esperado das crianças em cada ciclo de aprendizagem. “Não queremos engessar ninguém, queremos orientar a todos e dar abertura e autonomia para esse currículo seja ampliado”, ressalta. Essa base comum deve apontar quais habilidades são importantes para que os estudantes ganhem ao longo de cada período e torna o ensino mais equivalente. “É o mínimo”, comenta Cleuza.

Elvira Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano que falou para os dirigentes sobre currículos durante o encerramento, lembrou que eles ajudam a refletir e estudar possibilidades para garantir o aprendizado de todas as crianças.

“Temos de ter definido onde queremos chegar e o currículo é fundamental. A possibilidade de aprendizagem das crianças e dos jovens é muito maior do que estamos permitindo hoje”, analisou. Para ela, a definição das habilidades mínimas garante o direito de todos aprenderem.

Encontro

Durante os quatro dias de encontro, os secretários municipais de educação puderam receber atendimento de funcionários do Ministério da Educação e da Saúde, participaram de oficinas sobre diferentes temas e foram apresentados a uma ferramenta de gestão, o Conviva. Assistiram a palestras e debates. Cerca de 1,1 mil representantes de municípios estiveram presentes.

O tema deste ano era o fortalecimento da gestão. Cleuza acredita que os dirigentes saíram da capital catarinense mais conscientes de seus papéis para a educação brasileira. “A Undime cresceu e se tornou mais forte nos últimos anos. Não há uma decisão do Ministério da Educação que seja tomada sem que a Undime seja ouvida. É uma avanço importante”, diz.

* A repórter viajou à convite da Undime

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