Gestores pedem mais recursos para a educação em abertura de congresso

Por Priscilla Borges - enviada especial a Florianópolis* |

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Secretários estaduais de educação estão reunidos em Florianópolis, no 6º Fórum Nacional Extraordinário da Undime, para discutir formas de melhorar gestão de políticas públicas

O 6º Fórum Nacional Extraordinário da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) começou com pedidos de mais recursos para a educação. O evento, organizado pela entidade que representa dos gestores de educação de todos os municípios brasileiros, ocorre a cada ano para discutir temas importantes para a área. O tema deste ano é o fortalecimento da gestão de políticas públicas para garantir o direito à educação.

A presidente da Undime, Cleuza Repulho, abriu oficialmente o encontro lembrando que os municípios precisam de mais recursos para garantir que todas as crianças estejam na escola. Para isso, ela defende a aprovação do Plano Nacional de Educação, que prevê o investimento de 10% do PIB no setor. Para atingir esse percentual, o governo federal teria de contribuir com mais recursos para os sistemas educacionais.

“O PNE já tramita há quatro anos no Congresso Nacional. Chegou a hora de o Brasil definir o que quer para educação. Esperamos que o Congresso possa votar o plano amanhã e que nós tenhamos boas notícias sobre metas e financiamentos para dar a vocês amanhã”, afirmou.

O prefeito de Florianópolis, César Souza Júnior, fez coro à presidente da Undime, que é secretária de educação do município de São Bernardo (SP). “Não adianta ter dinheiro para construir escola e não ter como manter professor lá dentro, todos aqui estão no limite. Obras foram importantes, mas é preciso mais”, disse, ressaltando que o governo federal precisa compartilhar “não apenas as obras, mas sim o custeio das escolas”.

Souza Júnior apontou a importância do investimento feito pela União na construção das creches. No entanto, arrancou aplausos do público quando disse que, por mais que as escolas estivessem prontas, a dificuldade dos municípios era contratar professores e mantê-los dia a dia depois disso. Florianópolis, segundo ele, investe 30% de sua renda na educação. “E ainda é insuficiente”, ressaltou.

Currículo comum

Outro ponto que deve permear palestras e debates dos dirigentes de educação é a proposta de construção de uma base nacional curricular. O objetivo é definir quais são os conhecimentos que as crianças e os adolescentes do país precisam desenvolver em cada etapa escolar. “Os professores têm feito seus planos pedagógicos olhando o índice dos livros e não é isso que deveria ocorrer. Não queremos engessar o trabalho das escolas, mas não dá pra concluir ciclos escolares sem saber o que esperar deles”, disse.

Cerca de 1,4 mil pessoas estão participando do fórum. Dessas, 1.070 são funcionários de mais de 900 municípios brasileiros, entre eles representantes de 600 municípios considerados prioritários por causa de indicadores educacionais ruins.

Além de palestras, os participantes têm a oportunidade de realizar atendimentos com funcionários de órgãos do Ministério da Educação, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para quem não pode ir à Brasília, é uma chance de conseguir tirar dúvidas sobre como participar de programas e projetos.

*A repórter viajou a convite da Undime.

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