Últimos chamados no concurso de docentes de SP devem ir a 'escolas desafiadoras'

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo especialistas, como escolha depende da classificação, candidatos com menor desempenho tendem a ir a locais com histórico de violência e alunos com déficit de aprendizagem

José Luis da Conceição/Divulgação SEE
Da segunda levada de convocações, ainda faltam 10 mil candidatos se apresentarem

Ainda faltam cerca de 10 mil novos professores definirem quais serão as escolas da rede estadual de São Paulo que passarão a trabalhar como docentes contratados. Eles têm até esta quarta-feira (14) para escolherem os novos postos de trabalho. Esse quantitativo faz parte da segunda leva de convocações realizada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE) no início de maio. Até o momento, dos 30 mil candidatos convocados, mais de 20 mil já definiram as unidades escolares em que vão lecionar.

Confira datas, horário e local de apresentação dos convocados

Como a ordem de chamada e a escolha das escolas dependem da ordem de classificação  no concurso, e esses últimos candidatos tiveram menor desempenho nas provas, fontes consultadas pelo iG Educação apontam que os candidatos podem ter diante de si um quadro pouco atrativo de vagas em escolas mais "desafiadoras". Ou seja, aquelas localizadas em regiões mais periféricas, em localidades com histórico de violência ou com alunos com deficiência de aprendizagem.

Ao todo, mais de 59 mil candidatos foram aprovados no concurso realizado no ano passado. Na primeira chamada de candidatos aprovados, realizada em janeiro, a SEE convocou pouco mais de 20 mil novos participantes, no entanto, aproximadamente 15 mil assumiram de fato. Os demais não compareceram ou foram reprovados pela perícia médica.

Para essa segunda leva, a SEE informa que ainda não possui um levantamento parcial do número e razão da desistência dos convocados. 

Últimas vagas

De acordo com Silvio Martins, vice-presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP) - um dos sindicatos da categoria -, como o concurso é regionalizado e obedece à ordem de classificação, os professores de melhor desempenho "tendem a fazer as melhores escolhas, e os últimos candidatos ficam com as vagas que sobram". Martins lembra, no entanto, que mesmo durante o estágio probatório o novo professor já pode requerer a remoção da unidade, possibilidade antes não prevista.

"Normalmente é que se diz: o que fica por último, fica com o que sobra. Mas, ainda assim, é possível que um determinado candidato possa estar interessado em uma escola em que os outros não se interessam ", explica Francisco Poli, presidente do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo. Para ele, o ideal ainda era que as convocações tivessem ocorrido no início deste ano letivo. "Até porque faz muito tempo que não tem concurso, mais ou menos 10 anos. Foi acumulando demais o número de professores concursados necessários na rede."

Para o especialista em educação Claudio de Moura Castro, os professores mais bem colocados no concurso deveriam ir para as escolas “mais desafiadoras”. “O problema é que no Brasil, os melhores professores escolhem as melhores escolas. Infelizmente nosso sistema entende que o professor é promovido quando ele sai de uma escola problemática e vai para uma boa. Deveríamos criar o orgulho de se trabalhar em escolas difíceis, que geralmente são as últimas vagas a serem escolhidas, especialmente nas periferias das regiões metropolitanas.”, diz Castro.

Milton Melquíades, professor de matemática, é um dos candidatos que ainda não escolheu a escola onde vai trabalhar. "Fiquei foi longe no concurso. Por isso que não fui chamado antes. Mas não estou preocupado onde vou ensinar. Para mim, mesmo que a escola não seja boa, o que vier é bom", diz Melquíades que foi selecionado para ser professor no interior do estado.

Próximos passos

Até o final do ano, a SEE prevê convocar o restante dos aprovados, para assumir, inclusive, as vagas que ficarem em aberto. Com a expectativa de início dos trabalhos no segundo semestre deste ano, os novos professores contatratados têm como principal missão suprir o déficit de docentes efetivos na rede. Para este concurso, foram selecionados educadores que vão atuar no anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, além das áreas da educação especial.

Depois da convocação, contudo, os candidatos não estão habilitados diretamente a entrar na sala de aula. Eles ainda têm de realizar exames médicos e se submeterem ao Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME).

A professora de português Wanessa Soares é uma das candidatas que está nessa etapa do processo. "Já fui chamada, agora preciso fazer uma série de exames antes de marcar minha perícia. Me informaram que tenho até 30 dias depois da nomeação no Diário Oficial para preparar o restante da documentação", fala Wanessa.

Consultada, a secretaria de educação informou que ainda não existe uma data precisa para nomear os candidatos convocados. Sobre a atratividade das últimas vagas, a pasta ratifica que "a escola é escolhida pelo próprio professor" e que os candidatos possuem mais de uma opção de escolha.

A pasta ainda afirma que o início do estágio probatório nas escolas vai ocorrer no mesmo momento em que os novos professores recebem o curso de treinamento comandado pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores (Efap).

*Atualização: corrigida a informação sobre o não comparecimento dos 5 mil candidatos que não se apresentaram na primeira convocação realizada no início do ano. Os candidatos que não compareceram, não necessariamente, desistiram da vaga. Segundo a SEE, eles foram convocados nessa segunda etapa.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas