50% de adultos de países ricos com baixa proficiência em leitura não têm emprego

Por Priscilla Borges - iG Brasília |

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Estudo de competências da população entre 16 e 65 anos feito pela OCDE em 24 países mostra que uso médio da aptidão em leitura “explica” 30% da produtividade de um país

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Renda per capita é maior nos países em que há uma proporção maior de adultos com níveis mais altos de habilidades em leitura e matemática

A falta de boa proficiência em leitura e matemática e a pouca aptidão para resolver problemas em ambientes tecnológicos tem prejudicado a força de trabalho nos países ricos. Estudo realizado Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 24 países mostra que a metade dos adultos com baixa proficiência em leitura está desempregada.

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O Programa de Avaliação Internacional das Competências dos Adultos (PIAAC) foi criado pela OCDE para avaliar se a população adulta possui as competências exigidas pelo mundo tecnológico atual. Além dos resultados mostrarem que há uma grande parcela da população adulta nos países desenvolvidos que não consegue ler e compreender direito, fazer operações matemáticas mais complexas e interagir com as tecnologias da informação, a avaliação mostra o impacto dessas dificuldades no mercado de trabalho.

Feito com pessoas de 16 e 65 anos, o estudo destaca a grande possibilidade de indivíduos pouco qualificados “ficarem para trás” no desenvolvimento dessas sociedades. Os países com níveis mais baixos de competências também correm o risco de perder competitividade à medida que a economia mundial se torna cada vez mais dependente de qualificação.

Apenas metade dos adultos com nível 1 de proficiência em letramento (que são capazes de preencher formulários simples, entender vocabulário básico, determinar o significado de frases e ler textos curtos) estão empregados. No grupo dos mais proficientes, um em cada cinco se encontra na mesma situação.

Além disso, os dados mostram que nos países com grande proporção de trabalhadores empregada em postos de trabalho que exigem um uso maior de suas competências em leitura, os resultados por hora trabalhada, um indicador de produtividade, também são maiores. O uso da proficiência em leitura explica 30% da variação de produtividade entre países. Mas, segundo a pesquisa, 48,8% das pessoas demonstraram níveis básicos de aptidão em leitura.

“A avaliação nos mostra como a distribuição das competências entre a população influencia os resultados econômicos e sociais”, afirma Marta Encinas-Martin, responsável pela avaliação.

Influência na renda

A renda per capita é maior nos países em que há uma proporção maior de adultos com níveis mais altos de habilidades em leitura e matemática e menor proporção de adultos nos níveis mais baixos de habilidades.

A remuneração por hora trabalhada de pessoas capazes de fazer deduções complexas e avaliar afirmações ou argumentos verdadeiros sutis em textos complexos (mais proficientes em letramento, portanto) é mais de 60% maior do que a de trabalhadores que conseguem, no máximo, ler textos curtos para localizar uma única informação idêntica à da instrução e compreender vocabulário básico (menos proficientes).

É importante ressaltar, segundo os organizadores da pesquisa, que as competências em leitura, matemática e capacidade de resolução de problemas em ambientes tecnológicos estão diretamente relacionadas à idade da população. Os grupos mais velhos demonstram níveis de proficiência mais baixos que os mais jovens.

E, com a exigência cada vez mais constante de habilidades para uso de computadores e tecnologias da informação, a estrutura da organização do trabalho tem mudado bastante. O estudo demonstra que há uma migração para funções que requerem qualificação de alto nível na maioria dos países analisados.

Em mais da metade dos países da OCDE, ao menos um terço de toda a atividade econômica está concentrado nos setores de tecnologia, comunicações, finanças, seguros e mercado imobiliário. Essas áreas têm exigido os níveis mais elevados de competências.

Educação e capacitação

O objetivo do programa de avaliação de adultos da OCDE é subsidiar governos com informações sobre sua população que possam contribuir para o desenvolvimento econômico e social desses países. Uma das análises feitas por ele é a relação do estudo continuado e o desenvolvimento de competências.

Em países que possuem atividades de educação contínua para adultos, os resultados em leitura e matemática são melhores. Na Dinamarca, Finlândia, Países Baixos, Noruega e Suécia, o índice de participação em capacitações para adultos supera 60%. Na Itália, não chega à metade desse valor.

“A grande variação entre países com desenvolvimento econômico semelhante sugere diferenças relevantes nas culturas de aprendizado, oportunidades de aprendizado no trabalho e estrutura de educação para adultos”, afirma o estudo. Em média, um adulto que apresenta o nível mais alto de proficiência em leitura e escrita tem três vezes mais probabilidade de participar de programas de educação de adultos do que alguém com o nível mais baixo.

Avaliação

O programa avaliou pessoas adultas dos membros da OCDE (Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica (Flandres), Canadá, Coreia, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Japão, Noruega, Países Baixos, Polônia, República Tcheca, Reino Unido (Inglaterra e Irlanda do Norte), Suécia) e dois países parceiros (Chipre e Federação Russa). Em setembro, uma nova rodada de avaliação terá início e contará com a participação do México, Colômbia, Argentina (Buenos Aires) e Chile. O Brasil ainda estuda sua participação.

Além de uma prova que mede a aptidão em leitura e escrita, em matemática e a capacidade de resolução de problemas, os participantes responderam a um questionário, com informações educacionais, de trabalho e contexto social.

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