Aluno da rede pública aprovado na Unicamp: 'Quase me joguei no chão de alegria'

Por Julia Carolina |

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Gabriel Brandão estudou a vida toda em escola pública e depois participou de programa de inclusão da Unicamp

O sonho de ser médico acompanha Gabriel Brandão Alexandre desde que ele se entende por gente. Mas, por muito tempo, foi apenas uma utopia. Estudante da rede pública, ele até tentou uma vaga assim que terminou o ensino médio. Mas não foi aprovado em universidades públicas e a mensalidade da instituição particular era inviável.

Dois anos depois, aos 19, Gabriel vai ocupar uma das 110 vagas do curso de Medicina da Unicamp. O que parecia impossível aconteceu graças ao Profis, o programa de inclusão da Unicamp. 

Gabriel Brandão Alexandre, 19 anos, conquistou uma vaga em Medicina na Unicamp. Foto: Arquivo pessoalFez o Ensino Médio em uma escola da rede estadual e diz que, apesar dos problemas, sempre se dedicou aos estudos. Foto: Arquivo pessoalEm 2012, após não conseguir aprovação em Medicina, começou a cursar o Profis, curso da Unicamp para jovens que fizeram o ensino médio em escolas públicas. Foto: Arquivo pessoalOs pais dele sempre incentivaram o jovem e se esforçaram para que ele pudesse se dedicar aos estudos. Foto: Arquivo pessoal

Foi a mãe, uma dona de casa, que o incentivou a se inscrever no Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis). O programa é um curso da Unicamp voltado aos estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas de Campinas. São 120 vagas e os estudantes são escolhidos pela nota do Enem.

O currículo do Profis inclui disciplinas das áreas de ciências humanas, biológicas, exatas e tecnológicas, distribuídas por dois anos de curso. Ao fim desse período, de acordo com rendimento que obteve, o aluno pode ingressar, sem vestibular, em um curso de graduação da instituição. Foi assim que Gabriel se tornou um aluno de medicina. 

"Soube que tinha conseguido a vaga quando estava tomando café na cozinha. Não sei como não me joguei no chão. Fui correndo abraçar meus pais. É uma emoção fora do normal", diz Gabriel.

Superação

A emoção remonta aos tempos de sua infância, quando um bom futuro acadêmico era improvável. Nas primeiras séries, ele tinha dificuldades de aprendizado. “Lembro de uma vez em que uma professora chegou a segurar na minha mão porque eu não conseguia escrever meu nome. Matemática também era muito difícil”, conta.

Apenas na quinta série ele começou a a deslanchar nos estudos. “Consegui superar as dificuldades que eu tinha e ai, depois disso, aprendi a gostar de estudar”, afirma.

Leia mais: 'Esforço valeu a pena', diz bolsista aprovada em Medicina 

Ainda bem. Neste início de 2014, quando a lista da Unicamp foi divugada, Gabriel se tornou motivo de orgulho para os professores e colegas da escola do bairro de periferia em que estudou. E os pais - um cabeleireiro e uma dona de casa - estão ainda mais convictos de que o esforço que fizeram para que o filho não precisasse trabalhar valeu cada gota de suor. 

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