Turno da Fome continua em 17 escolas e atinge mais de 6 mil alunos de SP em 2014

Por Julia Carolina - iG São Paulo | - Atualizada às

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Além de uma hora a menos de aula diária, horário atrapalha aproveitamento escolar, dizem especialistas

Apesar das antigas promessas dos governantes, São Paulo continuará em 2014 com escolas com turmas no horário conhecido como "turno da fome", das 11h às 15h. No total, serão 17 escolas na capital paulista que manterão este período intermediário: 13 da rede municipal e quatro da rede estadual, todas na periferia da capital. Atualmente as escolas atendem, juntas, cerca de 6,2 mil alunos neste horário.

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São Paulo ainda terá estudantes do turno da fome

O turno da fome, que tem uma hora a menos de aula, foi criado há cerca de 30 anos como forma de atender a demanda das regiões mais vulneráveis. Estudariam nesse período as crianças mais carentes e que, portanto, ao frequentarem as aulas nesse horário, teriam garantida a refeição do dia. Daí a origem da nomenclatura.

O que era temporário foi se estabelecendo e, apesar de na última década os gestores públicos terem anunciado algumas vezes o fim do turno da fome, a situação ainda persiste.

Horário impróprio

Se o número de escolas pode não parecer relevante do ponto de vista estatístico (apenas na rede estadual de ensino, são mais de 5 mil), a continuidade desse cenário afeta muito os diretamente envolvidos. 

“Os educadores, os pais e os alunos não querem saber que eles são uma minoria ou uma exceção. Porque são eles que pagam o preço por estar nesse horário”, afirma a professora de Educação da USP Silvia Colello.

E os dados mostram mais: os locais onde as escolas ficam fazem parte de regiões já consideradas vulneráveis, como Grajaú, Campo Limpo e Parelheiros. Para Silvia, regiões em que parece que o Estado já está devendo.

"Isso se soma a uma sensação que paira na população, que é de descaso, de abandono. Poderia melhorar se houvesse uma explicação, uma apresentação de planejamento. Porque a mãe que tem o filho nesse turno pensa: 'É por mais seis meses ou cinco anos?'", diz.

A professora de Educação da PUC- SP Neide Noffs explica o horário não é bom para o rendimento do aluno porque todo o corpo tem uma rotina biológica e os alunos estão acostumados a almoçar exatamente no horário em que terão que estar na sala de aula. “Não é simples para um aluno se acostumar a estudar no horário em que teria que almoçar”, diz.

Além disso, como as crianças são dependentes dos adultos, o horário intermediário também pode complicar a vida dos pais. “A mãe não pode sair do trabalho para levar ou buscar a criança", completa.

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Outro lado

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que a atual gestão herdou 16 EMEFs e sete EMEIs funcionando em 3 turnos diurnos (dados de janeiro de 2013). Em 2013, entregou duas EMEFs em São Mateus e em Heliópolis. Estão em andamento ainda 19 obras de EMEFs, com previsão de término até 2015.

Com relação às EMEIs, 11 estão com as obras em andamento e 9 foram entregues do início do ano até agora.

Segundo a pasta, a expansão das EMEFs tem o objetivo de extinguir o turno diurno intermediário e aumentar a capacidade das unidades de ampliar o período de permanência dos alunos na escola.

A Secretaria Estadual de Educação afirmou que conseguiu diminuir significativamente o número de escolas com o turno intermediário e que obras já estão em andamento para que o horário chegue ao fim.  

Mais exemplos no País

Além de São Paulo, o turno da fome persiste em alguns outros locais do País. No Pará, das cerca de 1.000 escolas da rede estadual, 46 ainda apresentam o turno intermediário, sendo 17 delas na região metropolitana de Belém. 

Ainda no Pará, a cidade Parauapebas tem 26 de suas 58 escolas com o horário intermediário, o que abrange 12.857 alunos. Segundo a secretaria de educação do município, oito escolas estão sendo construídas e serão entregues no ano que vem. Outras oito estão em processo de licitação. A eliminação do turno intermediário na cidade está prevista para 2015.

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