Obras do PAC aquecem área da arqueologia e impulsionam oferta de graduação

Por Julia Carolina , iG São Paulo |

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Desde o início dos anos 2.000 houve uma explosão na área: antes havia apenas um curso, atualmente são 11

As obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento ) aqueceram o mercado de arqueologia do País e podem estar ajudando a fazer com que o número de graduação na área aumente. Desde o início dos anos 2.000, a oferta cresceu de um para 11 cursos.

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Imagens dos trabalhos do PAC na Usina Santo Antônio, em Rondônia:

Artefatos coletados no sítio de Garbin, na área do canteiro de obras. Foto: DivulgaçãoArtefato do sítio Garbin; as marcações são de 1 cm. Foto: DivulgaçãoPeças encontradas no sítio Garbin são datadas entre seis a sete mil anos atrás. Foto: DivulgaçãoEscavação no sítio Garbin, no canteiro de obras. Foto: DivulgaçãoEscavação no sítio Gabrin; terra preta indica onde há material arqueológico. Foto: DivulgaçãoVila de Santo Antônio teve vestígios preservados. Foto: DivulgaçãoVila de Santo Antônio, que deu origem a Porto Velho. Foto: DivulgaçãoDetalhe da reconstituição em 3D de vasilha cerâmica encontrada na Ilha Santo Antonio. Foto: Reprodução/DryasReconstituição em 3D de vasilha cerâmica do sítio Ilha Santo Antonio. Foto: Reprodução/DryasTela do software que reúne imagens em alta resolução para uma primeira visualização do material coletado com scanner . Foto: Reprodução/DryasLimpeza antes dos decalques no sítio Ilha das Cobras. Foto: DivulgaçãoDecalques em papel vegetal e pó de carbono no sítio Ilha das Cobras. Foto: DivulgaçãoDecalque em tecido de um dos painéis do sítio arqueológico Ilha do Japó . Foto: Michelle M. Tizuka/DivulgaçãoGravura do sítio arqueológico Ilha do Japó. Foto: DivulgaçãoDecalque em tecido (com moldura de madeira) de um dos painéis do sítio arqueológico Ilha do Japó . Foto: Crisvaldo Cássio de Souza/DivulgaçãoVersão digitalizada de gravura do sítio Ilha do Japó. Foto: DivulgaçãoTrabalho na margem direita do rio Madeira foi realizado em dois meses, no período de seca. Foto: Michelle M. Tizuka/DivulgaçãoEscaneamento painel do sítio arqueológico Ilha  das Cobras . Foto: Michelle M. Tizuka/DivulgaçãoEscaneamento em 3D em painel de sítio arqueológico na margem direita do rio Madeira. Foto: Michelle M. Tizuka/Divulgação

“Toda grande obra de impacto ambiental tem que ter um parecer arqueólogo. Então, no PAC, nada acontece sem a Arqueologia. Hoje nós temos um mercado crescente”, afirma Gilson Rambelli, coordenador do Laboratório de Arqueologia de Ambientes Aquáticos da Universidade Federal de Sergipe.

Ele explica que a ampliação das obras do PAC - o programa foi criado em 2007 - trouxe diversas mudanças na área. Antes, havia pouco trabalho com grandes impactos ambientais. Isso mudou. “Hoje, mesmo antes de sair da universidade, os meninos já fazem a monografia, o TCC, em cima dos sítios que foram encontrados. A gente está tendo acesso a lugares que nunca foram relatados nos livros de História"

O estudante Bruno Moreira da Silva, 19 anos, está no 1º ano do curso na UFS. Ele conta que no primeiro semestre os próprios professores apresentaram o novo momento da área. "Sempre gostei muito da área de Humanas e há um tempo vinha pesquisando sobre a arqueologia", diz ele, que se mudou da Bahia para Aracaju para estudar. “Lá não tem nenhuma graduação de Arqueologia e eu não queria outro curso."

O crescimento da oferta facilita a vida de quem sempre sonhou com o assunto. O próprio coordenador da UFS, Rambelli, quando adolescente, passou pela experiência de não encontrar curso específico. Apaixonado por arqueologia desde novo, fez História na Universidade de São Paulo (USP) para depois se especializar. “Naquela época, só tinha graduação em Arqueologia na Faculdade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Eu não tinha como me manter na cidade”, lembra.

Para Rambelli, porém, os alunos ainda não perceberam a profissão pela ótica da remuneração. “A procura aumentou, mas ainda vemos a profissão pelo lado romântico". Um erro para quem gosta da área, mas tem medo de não ter futuro profissional. "Alguns, apesar da paixão pela Arqueologia, optam, por segurança financeira, pelos cursos tradicionais. Um vacilo, porque nosso mercado está ótimo. Vemos estudantes saindo daqui já com emprego, com bons salários”.

Mauro Farias, professor do curso de Arqueologia e Preservação Patrimonial da Univasf, explica que o campo de trabalho na área é vasto. “São várias opções. Mas os alunos podem, por exemplo, trabalhar no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com projetos para conservação, em empresas de licenciamento. Também podem trabalhar com pesquisa acadêmica. É bem abrangente”, conta.

Os cursos de graduação

- Universidade Federal de Sergipe (UFS) – Sergipe

- Universidade Federal do Vale do São Franscisco (Univasf) – Piauí

- Pontifícia Universidade Católica de Goiás (UCG) – Goiás

- Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) - Pará

- Universidade do Estado do Amazonas (UEA) – Amazonas

- Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) –Rio Grande do Sul

- Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Pernambuco

- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Minas Gerais

- Universidade Federal de Rondônia (UNIR) – Rondônia

- Universidade Federal do Piauí (UFPI) – Piauí

- Universidade Federal do Rio Grande (FURG) – Rio Grande do Sul

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