Para especialistas, resultado mostra aumento da expectativa em relação às políticas públicas. Apesar da crítica, 85% dos alunos gostam de frequentar a escola

O jovem brasileiro não está satisfeito com as condições da escola em que estuda. É o que mostra o resultado do Pisa 2012, divulgado nesta terça. Segundo o levantamento, 61% dos alunos com 15 anos de idade dizem que as condições da instituição de ensino não são ideais. O porcentual é 22 pontos acima da média dos países da OCDE, que ficou em 39%.

O resultado, afirma a diretora executiva da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz, mostra que a expectativa em relação às políticas públicas aumentou. “Há 20 anos, ter vaga já era uma benção. Agora, cresce a demanda por qualidade. Os estudantes, como já disseram nas manifestações de junho, querem escola com padrão FIFA”.

Uma exigência justa e que reflete na qualidade do aprendizado, avalia a professora de Educação da USP, Silvia Colello. "Apesar de acreditar que a mágica da escola se faz na relação professor/aluno, uma escola feia, sem laboratório e sem biblioteca prejudica, sim, as condições de ensino e faz com que o aluno não se sinta motivado a aprender"

O que não significa que ele não goste de frequentar a escola. Os próprios dados do Pisa mostram que 85% dos alunos gostam da escola, um porcentual acima da média da OCDE, que ficou em 80%. Parece contraditório, mas tem explicação. A felicidade na escola tem relação com a percepção do local como espaço das relações sociais (onde se constroem as amizades) e com o entendimento de que frequentar a escola é importante para garantir um futuro.

“Os jovens dizem que estão felizes porque entendem que a escola é um bem necessário. É a pista que tenho para interpretar os dados. O que me preocupa é você naturalizar a falta de qualidade. É como se fosse normal que a escola seja ruim, mas o estudante está feliz por estar lá”, finaliza Silvia. 

Exame

O Pisa é uma prova aplicada a cada três anos para alunos de 15 anos dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), considerados de primeiro mundo, e outros países convidados, como o Brasil, que participa desde 2000. As áreas do conhecimento avaliadas são Matemática, Ciência e Leitura. A cada edição do exame, uma área é enfatizada - nesse último, Matemática foi o foco.

Na comparação entre 2003 e 2012, o Brasil subiu de 334 para 391 pontos em matemática, um aumento de 57 pontos. Mesmo assim, ocupa a 58ª posição entre os 65 países participantes da última edição e está mais de 100 pontos abaixo da média dos países da OCDE, que foi de 494 pontos.

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