Levantamento mostra que maioria dos frequentadores do CEEJA estavam afastados da escola havia 11 anos

“Minha filha, que vai fazer cinco anos, começou a me fazer muitas perguntas. Comecei a pensar e fiquei com medo de não conseguir ajudá-la quando ela fosse para escola, então decidi que era hora de voltar a estudar”, lembra Nazaré Braga, 35 anos. Há três anos, então, para conseguir terminar os estudos, que foram interrompidos na 6ª série do Ensino Fundamental, ela se inscreveu em um dos Centros de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) de São Paulo.

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Nazaré resolveu voltar aos estudos para conseguir ajudar as filhas
Arquivo pessoal
Nazaré resolveu voltar aos estudos para conseguir ajudar as filhas

Nazaré não tem certeza da idade em que parou de estudar, mas diz que foi há quase 20 anos, quando ainda vivia na Paraíba. Interrompeu seus estudos quando sua mãe resolveu se mudar de casa. “Não muito tempo depois, revolvi vir para São Paulo. Eu tinha 17 anos na época e dei preferência para o trabalho. Antes, a dificuldade para se trabalhar e estudar era muito maior”, conta.

No CEEJA, os alunos têm horários flexíveis para estudantes. O aluno recebe o material de ensino no ato da matrícula e é orientado a criar um plano de estudos e pode tirar dúvidas presenciais com professores que ficam na unidade.

No caso de Nazaré, que terminou os estudos no último dia 11 de novembro, ela pegou os livros e, mesmo com as filhas, de cinco e três anos, manteve uma rotina diária de estudos. "Levava as crianças para escola de manhã e estudava sozinha até umas 17h30. Além dos livros, usava a internet para pesquisar e ia para a unidade quando tinha muita dúvida" , conta.

Um mapeamento da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo levantou o perfil dos alunos matriculados nas 23 unidades do CEEJA. O levantamento – feito com 70 mil estudantes - apontou que, assim como Nazaré, metade dos alunos alegou a falta de tempo como a maior dificuldade para seguir os estudos. Além disso, 47% deles disseram ter abandonado a escola para trabalhar.

Quase 35% deles estavam afastados da escola havia 11 anos. Além disso, 60% são mulheres, 42% têm entre 30 e 50 anos e 43% têm emprego formal. Os dados apontam ainda que 45% dos entrevistados são casados; 44% deles têm entre 1 a 2 filhos e quase metade dos alunos disse receber por mês entre 1 a 2 salários mínimos.

O levantamento mostrou ainda que 27% dos entrevistados disseram que novas oportunidades para quem tem diploma é o principal motivo que os levaram a concluir a educação básica. Nazaré não recomeçou os estudos pensando nisso, mas agora decidiu que ano que vem vai estudar para fazer uma faculdade de Direito. 

"Voltar a estudar mudou tudo para mim. As minhas filhas me perguntam as coisas e posso ajudar, meu marido também, que é um homem muito inteligente. Conheci pessoas novas. Antes, por exemplo, eu não sabia o que era globalização. Aprendi muito."

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