Escolas tradicionais excluídas do resultado do Enem 2012 questionam MEC

Por Priscilla Borges - iG Brasília* |

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Colégios privados que estiveram entre os melhores do país em anos anteriores não aparecem em lista divulgada pelo MEC; eles alegam atender critérios e acreditam em erro

Colégios tradicionais de diferentes estados foram excluídos da divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por escola este ano. Objetivo Integrado e Colégio Santa Maria, de São Paulo; Instituto Dom Barreto, do Piauí; e o Colégio Santo Antônio, de Belo Horizonte, que estavam entre os quinze primeiros do país, não tiveram suas notas divulgadas pelo Ministério da Educação. Mas eles não são os únicos.

Este ano, o MEC optou por só disponibilizar – mesmo para as próprias escolas – apenas os resultados daquelas em que, pelo menos, metade dos estudantes matriculados no 3º ano do ensino médio em 2012 tivesse participado do Enem (o número teria também de ser superior a 10 alunos) e que todos estivessem corretamente cadastrados no Censo Escolar de 2012. Com isso, das 25.744 escolas de ensino médio do país, apenas 11.239 obtiveram suas médias.

As escolas que ficaram de fora, no entanto, alegam que cumpriram os requisitos e dizem que os resultados são instrumentos importantes de avaliação. O Colégio Santo Antônio de Belo Horizonte, por exemplo, ficou em 9º lugar entre as escolas com melhor desempenho nas provas objetivas em 2011. À época, as médias dos estudantes superaram 700 pontos e 84% dos matriculados no ensino médio participaram do Enem.

Em 2012, o diretor geral e pedagógico da escola, frei Jacir de Freitas Faria, garante que não foi diferente. Quando o colégio preencheu o Censo Escolar do MEC, foram cadastrados 305 estudantes no 3º ano do ensino médio. Destes, 283 concluíram a etapa. Ele acredita que a participação – que ele não contabilizou um a um – no Enem tenha sido grande, porque a nota do Enem substitui a primeira fase do vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais.

“De fato, ficamos surpresos com a divulgação por acreditarmos que isso (a ausência da escola na lista) é um erro do MEC. Não tem como estarmos em algum dos critérios que exclui o colégio da divulgação. Respondemos ao censo corretamente e temos como provar; 283 alunos concluíram o 3º ano e quase todos fizeram o Enem. É muito estranho, é um erro grosseiro”, afirma o diretor.

Marketing e avaliação

O frei acredita que a imagem da escola fica ruim diante do cenário. “Os pais não entendem o que aconteceu e já estão mandando e-mails, telefonando. O que fica é a imagem do ranking de agora. Quando corrigirem, daqui meses, não tem efeito nenhum. O dano é terrível”, acredita. Ele garante que a preocupação vai além da propaganda, já que as matrículas já foram feitas e mais de 3 mil alunos fizeram testes para tentar uma vaga na escola.

“Nesse momento, minha preocupação não é o ranking. É de não termos acesso aos dados. Protocolamos um recurso no MEC e vamos aguardar, agir de acordo com as possibilidades”, diz. No ano passado, o ministério liberou os resultados exclusivamente para as escolas um mês antes de tornar a consulta pública. Durante esse período, os colégios puderam solicitar ajustes. Este ano, isso não ocorreu.

O diretor de Ensino Médio do Colégio Santa Maria, Silvio Freire, também vai recorrer do fato de a escola não ter tido suas notas divulgadas, Segundo ele, 104 dos 120 formandos do Ensino Médio em 2012 fizeram o Enem. Nesta terça, assim que soube da situação, Freire telefonou para o MEC e foi orientado a encaminhar ofícios com documentação e pedido de revisão.

Os documentos já foram enviados mas, mesmo assim, ele segue nesta quarta para Brasília. "Vou lá pessoalmente porque tenho urgência que isso seja corrigido. Desde o momento da divulgação, pais e alunos estão querendo saber o que aconteceu com o rendimento do colégio. É um erro grosseiro e que nos prejudica muito."

No ano passado, considerando a pontuação da redação, o colégio foi o 12º colocado entre todas as escolas do País.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as escolas podem solicitar correções até o dia 4 de dezembro. O órgão afirma que os colégios que “não atenderam aos critérios de divulgação ou tiveram inconsistência verificada no processo de cálculo das médias tiveram as notas substituídas pela sigla SC (Sem Cálculo)”. Cada recurso será avaliado posteriormente e não dá data prevista para uma possível correção.

Em Belo Horizonte, outra escola tradicional da cidade, o Colégio Loyola (21º no ranking do ano passado) também não teve suas médias divulgadas. Em São Paulo, os colégios Objetivo Integrado de São Paulo e o de Mogi das Cruzes – respectivamente em primeiro e sétimo lugares em 2011 – também não tiveram suas notas liberadas para consulta. A coordenadora Vera Lúcia da Costa Antunes não compreende o que aconteceu. Segundo ela, os critérios são atendidos pela unidade.

Vera conta que 39 alunos participaram do Enem. Segundo ela, eles representam quase a totalidade da turma que se formou no ano passado (pouco mais de 40). A coordenadora lamentou a divulgação sem a conferência prévia dos dados pelas instituições, como ocorreu no ano passado. “O esquema do ano passado foi muito melhor, era possível corrigir erros antes”, diz. Preocupada com o impacto disso para a escola, ela também já apresentou recurso ao MEC.

No Piauí, o Instituto Dom Barreto (6º colocado no ranking de 2011) preferiu aguardar uma resposta do MEC aos pedidos de explicação feitos pela escola – e recurso – para se pronunciar. A direção ainda tenta compreender o que aconteceu para que os resultados do colégio, que em 2011 teve 89 participantes no Enem, não fossem divulgados.

Colaborou Ocimara Balmant


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