Intercâmbio no mar custa caro: 65% dos participantes recebem alguma ajuda

Por Priscilla Borges - iG Brasília |

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Cada viagem do programa Semester at Sea custa entre 24 mil e 30 mil dólares por estudante. Mas custos vão além e instituto responsável busca doações e bolsas de estudo

Estudantes e professores que têm a chance de viajar a bordo do MX Explorer, o campus flutuante da Semester at Sea, saem de lá com a certeza de que o valor do aprendizado é incalculável. No entanto, a cada programa, os funcionários do Institute for Shipboard Education (ISE) sofrem para fazer as contas fecharem.

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Sarah Holmes achou a proposta do programa ideal para seus sonhos. Ela tinha dúvidas sobre seu curso, Negócios Internacionais, mas agora está certa da escolha. Foto: Priscilla Borges/iG BrasíliaSchuchardt afirmou que esse período foi bom para concluir que ele quer ser missionário da igreja cristã". Ele estudava negócios em uma universidade do Texas. Foto: Priscilla Borges/iG BrasíliaMercer Schuchardt, 18 anos, usa o programa como um ano sabático, também conseguiu decidir o que fazer no futuro. Foto: Priscilla Borges/iG Brasília

Os custos para manter o navio funcionando plenamente não são cobertos pelas taxas cobradas dos alunos. O valor cobrado por estudante nas viagens mais longas (primavera e outono) variam entre 24 mil e 30 mil dólares (R$ 55,2 mil e R$ 69 mil, aproximadamente). As viagens de verão, mais curtas, custam cerca de 14 mil dólares (R$ 32,2 mil).

O alto investimento do programa dificulta a participação dos estudantes. Por isso, o ISE, que é uma organização sem fins lucrativos, busca doações e diferentes formas de bolsas e financiamentos para os interessados. Hoje, segundo o presidente do instituto, Les McCabe, 65% dos universitários recebem alguma ajuda.

Confira mais detalhes sobre viagens e bolsas no site do Semester at Sea 

Priscilla Borges
Andrew Gray conseguiu US$ 25 mil em bolsas de estudo e mais US$ 8 mil em empréstimo pessoal para custear intercâmbio em navio que percorre 15 países do mundo em 6 meses

“Há três ou quatro anos, tínhamos lista de espera de interessados em participar do programa. Agora, a viagem está mais difícil. Estamos procurando mais bolsas e mais interessados em financiar o projeto. Temos muitos ex-participantes que doam dinheiro, ajuda de organizações e estamos procurando parcerias com grandes corporações”, conta o presidente.

O instituto investe 4 milhões de dólares em bolsas por ano. Há diferentes tipos de auxílio disponíveis: alguns bancam toda a viagem; outros, parte dela. Os estudantes estrangeiros, por exemplo, podem se candidatar a uma bolsa que varia de 2,5 mil a 10 mil dólares. Alunos de Jornalismo também têm ajuda específica de 5 mil dólares.

Poucos estrangeiros

Os funcionários do instituto auxiliam os estudantes interessados em se candidatar às bolsas a encontrar as mais adequadas a sua necessidade. “A maioria dos 575 estudantes a bordo nessa viagem é de instituições americanas. Os estrangeiros são poucos ainda. Adoraríamos ter mais estudantes brasileiros, mas precisamos estabelecer parcerias com as universidades”, diz.

McCabe explica que as instituições de origem e o Semester at Sea precisam ter acordos para validar os créditos das disciplinas cursadas a bordo do navio. “Não temos contato com instituições brasileiras ainda. Nós sempre viajamos para o Brasil e a China, por exemplo, e achamos uma pena que os brasileiros não estejam aqui”, lamenta.

O iG acompanhou, durante uma semana, a viagem do navio entre Buenos Aires, na Argentina, e o Rio de Janeiro. O projeto, que existe há 50 anos, ainda soa inusitado e desconhecido. Nas conversas com alunos, professores e tripulação, a reportagem ouviu elogios à oportunidade de aprender mais sobre o mundo e histórias de quem se esforçou para conseguir bolsas e estar lá.

Priscilla Borges
A alemã Daniela e o casal de russos Ksenia e Alexander participam da viagem deste ano

Apenas 35 participantes eram de outros países. Os organizadores acreditam que eles, as aulas teóricas e as visitas in loco em diferentes países mudam o modo de pensar dos alunos. “Eles passam a reconhecer e respeitar as diferenças. Deixam de ser etnocêntricos, já que os americanos não ligam em saber mais sobre o mundo”, garante McCabe.

Movido pela ideia de que a globalização exige profissionais mais preparados para lidar com as diferenças, Shelby Davis, fundador da United World College, está financiando bolsas para jovens do Semester at Sea. A organização sem fins lucrativos que preside já financia faculdade para 2,5 mil estudantes, especialmente estrangeiros.

“Esse tipo de viagem dá competência e coragem ao jovem de aprender sobre o mundo. Nossas crianças precisam ser globais de verdade já que vivemos em um mundo global. É bom para o mundo que tenhamos pessoas que conhecem umas às outras”, ressalta. Davis vai bancar bolsas para mais 10 estudantes na próxima viagem e seu objetivo é chegar a 200 alunos.

Davis acredita que a educação internacional é a aposta do futuro. Ele, que quando jovem fez duas viagens de volta ao mundo com os pais, diz que o mercado de trabalho exige profissionais mais abertos. “Minha mãe nos ensinou que devemos usar os primeiros 30 anos de vida para aprender. Os próximos 30, para ganhar e os próximos 30, para devolver. É o que estou fazendo e me sinto útil por isso”, comenta.

*A repórter viajou a convite da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília

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