“Eu trabalho e aprendo mais do nunca”, afirma professor em intercâmbio no mar

Por Priscilla Borges - iG Brasília |

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Pela 1ª vez no programa Semester at Sea, John Boyer, o mais querido entre alunos, acredita que os pontos fortes do projeto são unir as pessoas e colocar teoria em prática

John Boyer é um professor popular. Suas aulas são lotadas, os alunos o adoram. A maior sala do navio fica cheia quando é hora de falar sobre a Geografia do mundo. A turma das aulas de Geografia do Vinho, em que explica as características dos lugares a partir da produção das vinícolas, também é disputada. Durante o encontro com os 80 alunos, Boyer brinca, circula pela sala, apresenta dados no telão.

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Reprodução/Youtube
Professor John Boyer

Ele é um dos professores que deixou sua instituição de origem nos Estados Unidos, a dele a Virginia Tech, para passar um semestre letivo no navio que abriga o intercâmbio Semester at Sea. Calouro na experiência, ele está fascinado. “É o melhor projeto educacional do qual já participei. Eu trabalho e aprendo como nunca. Aprendo 10 mil vezes mais que qualquer aluno desse barco”, garante.

Assista aos vídeos produzidos pelo professor durante a viagem

Assim como outros docentes, Boyer foi convidado a integrar o time de 32 professores que atuam na viagem iniciada em agosto e que só terminará em dezembro. O iG acompanhou as atividades no campus flutuante durante uma semana para mostrar as experiências de estudantes e professores que deixaram o conforto do lar para navegar pelo mundo durante um semestre. Até o final, eles terão visitado 15 países.

“Eu nunca tinha ouvido falar da proposta e achei fantástica”, admite. Boyer, a mulher e dois filhos participam do programa. A grade curricular universitária oferece diferentes possibilidades para os alunos nas áreas de comunicação, geografia, sociologia, astronomia, biologia, negócios, linguagens, psicologia, filosofia, política, artes. Cada estudante escolhe entre quatro e cinco matérias por semestre e terá entre duas e três aulas de cada por semana.

O programa teórico é complementado por aulas de campo. Essas atividades são feitas nos diferentes países onde o navio para. O grupo de cerca de 600 estudantes fica em cada porto por alguns dias. Além das atividades obrigatórias, eles são incentivados a explorar as cidades sozinhos. “Falamos de globalização o tempo todo, mas esses jovens ainda não fazem nada para estarem inseridos nesse mundo global. É isso que o projeto permite”, avalia o professor.

A cada viagem, uma nova experiência

Kathryn Thornton, astronauta que dá aulas de engenharia espacial na Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, responsável pelo programa acadêmico do projeto Semester at Sea, cuida da coordenação acadêmica dessa viagem. Segundo ela, algumas disciplinas precisam ser oferecidas obrigatoriamente, por causa dos convênios com as instituições dos estudantes que aproveitam os créditos, e outras são definidas de forma variada a cada semestre.

“Nós tentamos escolher temas que possam oferecer um conhecimento comparado aos países em que paramos. Por outro lado, procuramos profissionais que gostem de estar com os alunos, porque a vida no navio proporciona mais interatividade, e é bom quando conseguimos encontrar docentes de outros países”, afirma Kathryn. Estimular a globalização, o respeito às diferenças e o estudo comparativo é um dos objetivos do programa.

A cada viagem, a coordenadora diz que toda a equipe docente e as disciplinas são trocadas. “Eu gostaria de voltar como professora. É uma experiência incrível”, afirma. Boyer diz que as relações são mais intensas e, por isso, menos burocráticas do que em uma instituição convencional. Ele lembra que força, inclusive, o entrosamento de diferentes professores. “Isso nos força a sair da nossa zona de conforto, pensar sobre outros temas e conceitos”, ressalta.

Boyer também é famoso por seus vídeos. Enquanto roda o mundo, ele continua dando aulas online para 2 mil alunos da Virginia Tech. A cada parada, ele grava um ou mais vídeos, em algum local sobre o qual ele já comentou durante a aula e explica o contexto. “Eles estão super empolgados, querendo viajar também”, brinca.

Confira o vídeo que ele gravou em Gana:


Read Schuchardt, professor de comunicação, acredita que um dos aspectos mais interessantes de ensinar no navio é poder acompanhar mais de perto a evolução do aprendizado dos alunos. “É muito legal ver o que está acontecendo, se o que você está ensinando está surtindo efeito. Ficamos muito próximos dos meninos e é recompensador. Eu aprendi muito e penso em participar de novo no futuro”, diz.

O programa

Apesar de inusitado, o Semester at Sea faz 50 anos em 2013. Organizado pelo Institute for Shipboard Education (ISE) em parceria com a Universidade de Virginia, já ofereceu formação a mais de 55 mil estudantes de 1,7 mil instituições diferentes, que percorreram mais de 60 países.

A viagem desses universitários começou em Southampton (Londres), na Inglaterra. Passou por São Petersburgo (Rússia), Hamburgo (Alemanha), Antuérpia (Bélgica), Le Havre (França), Dublin (Irlanda), Lisboa (Portugal), Cadiz (Espanha), Casablanca (Marrocos); Takoradi e Tema (Gana); Cidade do Cabo (África do Sul) e agora chega a Buenos Aires. Depois do Rio, o navio segue para Salvador, Havana (Cuba) e termina em Fort Laudardale, nos Estados Unidos.

*A repórter viajou a convite da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

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