Ainda abalados com a destruição causada pelo tufão Haiyan no País, eles contam como é viver meses sem ver a família em busca de melhores condições de vida

Simpáticos, atenciosos e brincalhões, os filipinos que trabalham no navio MV Explorer, que abriga o campus flutuante da Semester at Sea , se unem para lidar com a dor e a saudade de casa. Especialmente depois da passagem do tufão Haiyan, que destruiu o País e matou milhares de pessoas. Ainda consternados, eles dizem que o desejo de dar melhores condições de vida para as famílias é o único estímulo para ficarem tão longe e por tanto tempo.

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Estudantes criaram uma caixa para que todos possam deixar mensagens de conforto aos filipinos que tiveram seu país atingido pelo tufão Haiyan
Priscilla Borges/iG Brasília
Estudantes criaram uma caixa para que todos possam deixar mensagens de conforto aos filipinos que tiveram seu país atingido pelo tufão Haiyan

Logo que souberam da tragédia, se dividiram entre o alívio de saber que pais, filhos e amigos da maioria mora longe de onde tudo ocorreu. Por outro lado, se sentiam solidários à dor coletiva nas Filipinas e se preocupavam com alguns colegas que costumam trabalhar no navio, mas não estavam nessa viagem. A angústia só diminuiu a cada tentativa bem sucedida de contactar as pessoas queridas. Um dos colegas ainda não foi localizado.

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“Foi muito triste. Eu não conseguiria trabalhar se não tivesse falado com a minha família e saber que está tudo bem com eles. Mas ainda não achamos um colega. É muito difícil”, conta Jeff Delgado, de 28 anos. Mandy Fasig, 45 anos, que é católico, diz que reza por todos os compatriotas. “É o que posso fazer de melhor por eles e por nós, que estamos sofrendo muito”, comenta.

Para amenizar a dor da tripulação e se solidarizar a eles, os estudantes do navio criaram uma caixinha para que mensagens de apoio e solidariedade possam ser deixadas pelos estudantes e professores. Papéis e lápis estão sempre à mão na recepção, em frente a um cartaz com um pedido para que todos deixem uma mensagem de carinho.

Conselhos e amizade

Mandy Fasig, de 45 anos, é o grande conselheiro dos trabalhadores filipinos no navio. Há 17 anos na equipe do Semester at Sea – intercâmbio promovido pelo Institute for Shipboard Education (ISE) em parceria com a Universidade de Virginia, durante um semestre, no mar – ele já se acostumou a ficar longe da família e lidar com a saudade. É no ombro deles que os mais jovens – e que estão há menos tempo no emprego – procuram conselhos e consolo.

“Sou o que ajuda os novos colegas. Tenho mais experiência, sou mais velho. Também já aprendi a lidar com os universitários”, conta. Mandy controla o bar do navio, que atende aos professores, e a lanchonete. É uma posição de mais prestígio e melhores salários. Antes de começar a trabalhar no navio da Semester at Sea (o único que ele trabalhou até hoje), ele era atendente em hotel. “Mas os salários eram menores”, afirma.

Jeff, que há seis anos trabalha fazendo hambúrgueres e pizzas na lanchonete do navio, diz que o emprego é atraente não só por causa dos salários (que são maiores do que os que eles conseguem nas Filipinas), mas também pela oportunidade de conhecer o mundo. “Eu gosto da filosofia deles, de viajar. Eu comecei na limpeza e, depois de três contratos, comecei na cozinha”, conta orgulhoso.

Segundo Jeff, eles são contratados para trabalhar em duas viagens seguidas, o que dá cerca de oito meses. “Tiramos três ou quatro meses de férias e aí só queremos ficar com a família. Sinto muita saudade dos meus irmãos, da minha companheira, da minha mãe. Tento ligar pra eles entre três e quatro vezes por mês, quando paramos”, explica.

Mandy, que é casado e tem dois filhos, sofre ainda mais com a ausência da família. “Sinto muito a falta deles. Mas eu preciso me sacrificar por eles. Quando estou em casa, só fico com eles e minha mulher o tempo todo”, garante. Segundo ele, a mulher não gosta do trabalho dele. “Porque estou longe. Já conheci 60 países”, diz.

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