Estudantes usam intercâmbio em navio para pensar no futuro

Por Priscilla Borges , iG Brasília | - Atualizada às

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No programa Semester at Sea, há jovens que ainda não estão na universidade e têm dúvidas sobre o que fazer

Tripulantes que passam meses em um navio encontram muito tempo para refletir sobre a própria vida de uma maneira que seria difícil de ocorrer no meio da rotina familiar. Por isso, muitos dos participantes do programa de intercâmbio Semester at Sea usam a oportunidade de estudar no navio para definir o próprio futuro e se conhecer melhor. Como em um período sabático.

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Sarah Holmes achou a proposta do programa ideal para seus sonhos. Ela tinha dúvidas sobre seu curso, Negócios Internacionais, mas agora está certa da escolha. Foto: Priscilla Borges/iG BrasíliaSchuchardt afirmou que esse período foi bom para concluir que ele quer ser missionário da igreja cristã". Ele estudava negócios em uma universidade do Texas. Foto: Priscilla Borges/iG BrasíliaMercer Schuchardt, 18 anos, usa o programa como um ano sabático, também conseguiu decidir o que fazer no futuro. Foto: Priscilla Borges/iG Brasília

Sarah Holmes, 20 anos, é uma delas. Aluna muito curiosa, como ela define, a jovem americana achou a proposta do programa ideal para seus sonhos. “Pensei: o mundo será minha sala de aula”, conta. Ela tinha dúvidas sobre o curso que havia escolhido – negócios internacionais – e, depois das experiências no navio, está certa de que será uma boa escolha.

O iG acompanha, desde a última sexta-feira, a rotina e as experiências de 600 estudantes que participam de um intercâmbio dentro de um navio. Elaborado pelo Institute for Shipboard Education (ISE) em parceria com a Universidade de Virginia, o projeto existe há 50 anos. Além das aulas teóricas, os universitários realizam atividades em diferentes países.

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Além dos universitários, que aproveitam os créditos cursados no navio em suas instituições de origem, há outros tipos de estudantes a bordo. Há jovens como Sarah, que terminaram o ensino médio e ainda não sabem qual graduação querem fazer ou usam o programa para pensar na vida. Alguns “alunos” são aposentados que querem continuar aprendendo.

Valorização da própria vida

A oportunidade de ver de perto todos os países sobre os quais leu a vida inteira é uma das mais interessantes para a jovem americana. “Quero mesmo estudar negócios. Mas essa viagem foi mais importante ainda para meu desenvolvimento pessoal, como vejo a vida hoje. O meu mundo mudou. Me sinto mais confiante em viajar, morar fora dos Estados Unidos”, diz.

Sarah, que ganhou uma bolsa de estudos para realizar o intercâmbio, diz que, agora, dá mais valor às oportunidades que os pais a proporcionaram. “Valorizo mais agora que vi tanta pobreza”, admite. Ela se diz curiosa para saber como será a vida normal depois da viagem, “quando sair dessa bolha”.

Mercer Schuchardt, 18 anos, outro estudante que usa o programa como um ano sabático, também conseguiu decidir o que fazer no futuro. “Esse período foi bom para pensar no que eu quero fazer no futuro. Eu quero ser missionário da igreja cristã”, afirma o jovem, que frequenta a igreja anglicana. Mercer estudava negócios em uma universidade do Texas.

Destemido, Mercer anda sozinho a cada parada em um país, procurando se relacionar com as pessoas do local. Em Gana, onde ele teve a experiência que mais gostou até o momento, ele conheceu um vendedor ambulante, jantou com a família dele e passou na noite na casa dele.

O jovem não gosta da postura de muitos dos companheiros de navio. “São valores diferentes dos meus. Não gosto das festas e bebidas”, garante. “A viagem serviu pra ter certeza do quero”, sentencia.

O programa

O Semester at Sea não é um programa novo. Existe há 50 anos e já ofereceu formação a mais de 55 mil estudantes de 1,7 mil instituições diferentes, que percorreram mais de 60 países. Este semestre, eles passaram por 12 países, entre eles Gana e África do Sul (África), antes de chegar ao Brasil nesta quarta. No País, eles pararam no Rio de Janeiro e vão para Salvador.

A viagem que começou em Southampton (Londres), na Inglaterra, já passou por São Petersburgo (Rússia), Hamburgo (Alemanha), Antuérpia (Bélgica), Le Havre (França), Dublin (Irlanda), Lisboa (Portugal), Cadiz (Espanha), Casablanca (Marrocos), Takoradi e Tema (Gana), Cidade do Cabo (África do Sul) e Buenos Aires (Argentina). Depois de Salvador, o navio segue para Havana (Cuba) e termina a viagem em Fort Laudardale, nos Estados Unidos.

Dentro do navio, estudam jovens de diferentes nacionalidades. A proposta é conscientizá-los sobre o que é a globalização, seu papel no mundo, a importância do respeito a culturas e diferenças. Além das aulas teóricas, os estudantes realizam atividades de campo, como visitas e trabalhos voluntários em áreas (culturais, sociais, de meio ambiente, educacionais). Os créditos são aproveitados nas instituições de origem.

*A repórter viajou a convite da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

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