"Acham que Brasil é carnaval, floresta e praia", diz brasileira em campus-navio

Por Priscilla Borges , iG Brasília | - Atualizada às

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Carioca se juntou aos 600 universitários estrangeiros em Buenos Aires para mostrar hábitos e cultura do Brasil. Agora, sonha em fazer a viagem como intercambista

Acabar com preconceitos e estereótipos sobre o Brasil é uma das maiores missões da carioca Júlia Massadas, de 19 anos, no programa Semester at Sea. O intercâmbio, realizado em um navio que percorre cerca de 15 países a cada semestre, expõe os estudantes a experiências internacionais para mostrar os benefícios de uma educação global.

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O papel de Júlia – apresentar o próprio país aos participantes do programa – é exercido por outros estudantes sempre que o navio se aproxima de um novo porto. Os organizadores desejam que os países sejam apresentados de jovem para jovem, por alguém que dê dicas para que os universitários aproveitem a cidade como um morador local e troquem experiências.

Priscilla Borges
A estudante brasileira Júlia Massadas

O iG acompanha, desde sexta-feira, a rotina de estudantes, professores e tripulação do navio. Júlia recebeu um calendário extenso na chegada. Palestras, reuniões, participação em aulas, conversas com outros jovens. Ela recebeu um cronograma com inúmeros eventos agendados. Mesmo nos intervalos, era bombardeada de perguntas sobre violência, turismo, criminalidade.

“O pensamento dos universitários sobre nosso país é cheio de generalizações. Estou tentando mudar essa ideia que eles têm de que o Brasil é só carnaval, samba, floresta e praia”, brinca. Júlia admite que ficou muito impressionada com o fato de que, mesmo após o crescimento econômico do país, o Brasil continue sendo um completo desconhecido dos jovens.

O lado bom, segundo ela conta, é que os estudantes estão muito interessados no país, ansiosos para chegar ao Rio e entender a cidade. A cada refeição ou passeio pelos corredores do navio, Júlia é bombardeada por infinitas perguntas. Alguns professores, inclusive, pediram que ela participasse das aulas para clarear algumas ideias.

Para quebrar o gelo

Antes de chegar a cada porto, professores e organizadores do programa se esforçam para ensinar um pouco da história, geografia, política, econômica e cultura de cada país. Por isso, levam nativos desses países para participar do programa como estudantes “interporters” (entre portos). “Estou adorando a experiência. Estou praticando meu inglês, conheci a Argentina. Achei tudo muito legal e quero muito fazer essa viagem depois”, conta.

Estudante do 4º semestre de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Júlia percebeu, em poucos dias no navio, como as pessoas mudam a cada dia. “Acho que eles ampliaram a mente e terão uma visão mais real dos países e das diferentes culturas do mundo. Com certeza, todos cresceram muito nesse período. Gostaria de passar por isso”, diz.

Na opinião de Júlia, os brasileiros entram cedo demais na universidade. Deixam esse tipo de oportunidade de lado e são obrigados a escolher um caminho profissional muito jovens e sem maturidade para sequer entender o que são os cursos.

O programa

Apesar de inusitado, o Semester at Sea não é novo. Existe há 50 anos e já ofereceu formação para mais de 55 mil estudantes de 1,7 mil instituições diferentes, que percorreram mais de 60 países.

Estudantes de diferentes nacionalidades passam um semestre tendo aulas no navio, que percorre cerca de 15 países. A proposta é conscientizar os universitários sobre o que é a globalização, seu papel no mundo, importância do respeito a culturas e diferenças.

Além das aulas teóricas, os estudantes realizam atividades de campo, como visitas e trabalhos voluntários em áreas culturais, sociais, de meio ambiente, educacionais. Os créditos são aproveitados nas instituições de origem.

A chegada da reportagem ao programa coincidiu com a Semana Internacional de Educação, promovida pelo governo norte-americano para incentivar os cidadãos a pensar sobre a importância e os benefícios dos intercâmbios para o crescimento pessoal e para o país.

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*A repórter viajou a convite da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

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