Após série de furtos, alunos de Ciências Biomédicas da USP pedem por catracas

Por Julia Carolina - iG São Paulo | - Atualizada às

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Ideia vai na contramão do que pensa a maioria dos alunos da instituição, contrários a restrição de acesso

Na contramão da maioria dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), que é contra qualquer tipo de barreira que restrinja o livre acesso da população à instituição pública, os alunos do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) se mobilizam e fazem abaixo-assinado para pedir a instalação de catracas nos prédios. A ideia surgiu depois de diversos roubos no local, especialmente nos laboratórios.

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Reprodução
Laboratórios do ICB, na USP, são alvos de roubos

O diretor do ICB, Jackson Cioni Bittencourt, afirmou que recebeu o abaixo-assinado e que providências em relação à segurança já haviam sido tomadas. Segundo ele, mais medidas serão implementadas no transcorrer do ano que vem.

“Nesse projeto de segurança temos incluída a instalação de catracas, sim. O uso da catraca primeiro cria uma barreira física e também há a identificação de que quem quer entrar em nossos prédios”, afirmou.

Recentemente, no dia 6 de novembro, o ICB foi alvo de mais um furto. Desta vez, o projetor multimídia foi levado. Uma estudante doutoranda, de 24 anos, que prefere não se identificar, diz que essas ocorrências fizeram com que a maioria dos alunos do instituto se tornasse a favor da restrição do acesso nos prédios.

“Em uma das vezes, pelo que eu sei, vários computadores foram roubados por dois casais que entraram no prédio e, segundo o meu orientador, dinheiro também foi levado da carteira de um professor”, conta.

Ela diz que equipamentos e reagentes ficam no instituto, muitos deles nos corredores. “A catraca serviria como instrumento de segurança para os alunos, professores e funcionários. Hoje na USP a gente precisa trancar as salas sempre que vai ao banheiro ou na salinha de reagentes. Fora o medo de andar pelo campus após certo horário”, completou.

A discussão sobre catracas na USP sempre foi polêmica. Na visão do estudante de Geografia Gabriel Lindenbach, 21 anos, do Diretório Central dos Estudantes (DCE), instalar catracas em uma universidade pública seria um erro. “A USP é uma universidade pública e, por isso, o livre acesso tem que ser uma garantia para todos”, afirma.

Leia mais: Um mês após tentativa de estupro, USP usa câmeras emprestadas

Segundo ele, a visão do diretório é que a instalação de catracas não deve melhorar a situação, mas apenas passar uma sensação de falsa segurança. “Você tem alternativas para melhorar a segurança na USP, como aumentar a iluminação ou podar as árvores, o que, por sinal, aumentaria muito a segurança das mulheres dentro do campus. A colocação da catraca é um caminho mais fácil”, afirma.

Para o diretor do ICB a criação de uma barreira física e a identificação de pessoas que querem adentrar os prédios não constituem "inconveniências". “São mecanismos de controle de acesso, já utilizados em todo o mundo há décadas. A segurança da maioria está acima, certamente, da ideologia de alguns”, concluiu.

Medidas urgentes de segurança

Em um comunicado que rodou entre funcionários e estudantes do local, a administração do ICB afirmou que o instituto vem sendo alvo constante de roubos nos laboratórios e que neste momento o alvo mais frequente tem sido o ICB 2 (o instituto tem quatro prédios).

A aluna doutoranda diz que no ICB 2 existe segurança constante por uma das entradas, mas que isso não é suficiente. "Sempre que alguém que não possui carteirinha entra neste prédio, os seguranças pedem identificação e perguntam que sala a pessoa está indo. No entanto, o grande problema é a segunda entrada. Como nosso instituto também é usado para aulas da graduação, ele tem uma parte anexa que chama de ''prédio didáticas" (Rua do Matão), nesse prédio a entrada não é controlada e ele serve de acesso fácil para quem quer entrar para a outra área onde ficam os laboratórios", conta.

Ainda segundo o comunicado, o ICB recebeu recursos da reitoria para melhorar a segurança dos prédios. “Esta verba irá contemplar catracas de acesso em todos os prédios, cancelas com leitor de placas de veículos, assim não mais teremos problemas com controles remoto e nem tampouco com o ‘comércio’ indevido dos mesmos e, por fim, um sistema de monitoramento com câmeras de última geração”.

No comunicado, a administração diz que projeto executivo para a implantação das medidas de segurança já está pronto, dependendo de poucos ajustes, e que “em muito breve” será feita a licitação para a implantação de sistema de segurança no instituto.

A diretoria resolveu, porém, agir "com uma medida de urgência" e determinou que, para entrar no prédio, todos precisam de crachá de identificação, não importa se é professor, aluno, funcionário ou alguém de fora da USP.

Restrição de acesso

A discussão sobre as catracas na USP divide funcionários e alunos da universidade e não é nova. Em junho do ano passado, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) aprovou em plebiscito a instalação de catracas nas entradas do prédio.

Os estudantes foram contrários à instalação, mas foram vencidos pelos votos dos professores e funcionários. O projeto de instalação das roletas ganhou força depois que um estudante de 24 anos foi assassinado no estacionamento da unidade, em maio de 2011.

Neste ano, novamente, a discussão veio à tona na Escola Politécnica, após a tentativa de estupro de uma estudante no dia 8 de outubro dentro de um banheiro feminino do prédio de engenharia de produção.

Após a tentativa de estupro, os departamentos retiraram da gaveta projetos de segurança voltados para cada prédio. Uma comissão de segurança discutirá pontos em comum e os específicos de cada unidade. As medidas debatidas na comissão serão levadas a votação com participação de alunos, professores e funcionários e, a partir daí, implementadas.

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