Prova do Enem teve redação controversa e questão copiada da Fuvest

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Tema da redação não favorecia a construção de uma "proposta de intervenção", dizem os especialistas

Os alunos saíram da prova de domingo (27) comemorando o tema fácil da redação. Afinal, quem nunca ouviu falar sobre a Lei Seca? Mas, apesar da aparente facilidade, a proposta de redação - Efeitos da Lei Seca no Brasil - pode ter complicado a vida do aluno, dizem os especialistas.

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“O tema complica o aluno no momento em que ele precisa sugerir uma proposta de intervenção. Porque a lei já é a solução e resta ao aluno descrever os benefícios dela”, explica Dan Dan, professor de redação e literatura do cursinho Henfil.

O professor Mateus Prado concorda. “Não dá para sugerir, por exemplo, que acabe com a Lei Seca, ou defender outra coisa. O exame direciona o candidato apenas a elogiar. O que ele poderia propor? Há pouquíssimo espaço para isso”, completa.

Apresentar uma "proposta de intervenção" é uma das cinco competências avaliadas na redação do Enem. Quem não consegue cumprí-la, pode perder 200 dos mil pontos possíveis.

Enem repete figura que apareceu há 6 anos na Fuvest

Reprodução
Prova de Biologia da Fuvest de 2007; mesmo desenho foi usado na prova do Enem 2013

No sábado, uma das questões da questão da prova de Ciências da Natureza usou exatamente a mesma figura do exame da Fuvest no ano de 2007. "A única diferença é que, no Enem, as respostas estavam em forma de teste. Na prova da Fuvest, compunha a 2.ª fase e, logo, exigia uma resposta dissertativa do candidato", afirma o professor de Biologia Paulo Jubilut.

Esse tipo de reciclagem de questão, explica o professor Mateus Prado, causa favorecimentos. Nesse caso, dos alunos dos cursinhos de São Paulo, já que os professores frequentemente usam as questões dos exames anteriores para organizar o conteúdo a ser estudado.

Gazolina ou gasolina?

Numa das questões da prova de Ciências Humanas, numa charge em que ironiza a política desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubitschek, a palavra gasolina apareceu grafada com a letra z causou polêmica. Houve até quem pedisse a anulação.

No fim do Enem, em coletiva com a imprensa, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comentou a questão. "A charge é de 1960 e contextualiza o tema da época", disse.

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