Redação do Enem é a única a pedir proposta de intervenção; saiba o que significa

Por Julia Carolina - iG São Paulo

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Quinta competência da prova pede que aluno apresente uma solução para o problema apresentado no texto

Não adianta só discorrer sobre o tema, é preciso propor uma solução para o problema discutido. No Enem, é assim que funciona a redação. Quem descumpre essa competência ( a última das cinco consideradas na correção do texto) perde 200 dos mil pontos possíveis. Para especialistas ouvidos pelo iG, essa é uma forma de fazer com que os estudantes assumam uma posição crítica.

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Amana Salles/Fotoarena
Candidatos devem fazer uma proposta de solução para tema discutido na redação

Rogério Chociay, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em redação, diz que sempre se posicionou “um tanto avesso” a essa competência. Porém, mudou de opinião nos últimos tempos.

“Atualmente, tenho a impressão de que com tanta informação que o aluno do Ensino Médio pode ter acesso, ele está em condição de propor a intervenção. O que é preciso entender é que o Enem não vai pedir um tratado ou uma tese de doutorado a respeito de um assunto. É uma dissertação e uma dissertação de um aluno de Ensino Médio”, pondera.

Chociay diz ainda que não é preciso que o aluno fique preocupado em sugerir uma intervenção inovadora e genial. “Não é o que se espera, pode ser uma proposta simples. Eles querem que o jovem se posicione diante daquele problema. Claro que podem surgir ótimas ideias, mas isso não deve ser levado como padrão na hora da correção”, completa.

O Enem de 2013 pedia que o candidato escrevesse uma redação sobre os efeitos da Lei Seca no Brasil. Foto: Futura PressMovimento imigratório para o Brasil no século 21 foi o tema da redação no exame de 2012. A prova fazia referência à entrada de bolivianos e haitianos no País Na foto, abrigo de refugiados. Foto: João Fellet/BBC Brasil"Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado" foi o tema da redação no Enem 2011. Foto: Agência EBC/DivulgaçãoEm 2010, o Enem trouxe textos sobre trabalho escravo e propôs uma redação sobre "O trabalho na Construção da Dignidade Humana". Foto: Congresso em FocoEm 2009, o tema de redação foi "O indivíduo frente à ética nacional". Dois dos textos de apoio falavam sobre o tema da corrupção. Na foto, tour da corrupção. Foto: Jan HrdyEm 2008, o tema da redação do Enem foi o desmatamento na floresta amazônica. Foto: Agência BrasilEm 2007, o exame pediu para que os estudantes discutissem o desafio de se conviver com as diferenças. Foto: Leia JáEm 2006, o Enem trouxe uma coletânea de textos sobre a importância de ler e pedia uma redação sobre "O poder de transformação da leitura". Foto: Divulgação/EMEF Amorim LimaO tema da redação no Enem 2005 foi o trabalho infantil. Foto: AFPA redação do Enem de 2004 perguntava "como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?" Na foto, protesto contra a censura em 1968 . Foto: Arquivo Agência Estado


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Benedito Antunes, professor de Letras da Unesp, avalia que esse pedido de intervenção pode trazer dificuldade para os alunos, dependendo do tema e nível do estudante. Mesmo assim, ele avalia bem a existência dessa competência. 

“Sempre entendi que o modelo de redação do Enem era uma novidade para nós, caracterizado por um avanço. O aluno teria que apresentar uma solução e essa solução viria de acordo com a maneira que o tema é abordado na prova. O pedido estimula a pessoa a pensar em um texto crítico”, completa.

Para o professor Francisco Platão Savioli, da Universidade de São Paulo (USP) e do Anglo, essa foi uma forma de cobrar que os alunos se preocupem em aplicar os ensinamentos da escola para sugerir “mudanças sociais”. E isso, ele complementa, não costuma estar na preocupação das escolas.

“É uma forma que a política educacional encontrou de incentivar as escolas a não só transmitir um conhecimento alienado, mas dar uma destinação social para esse conhecimento. De modo que o colégio não ensine só a fazer cálculos, não ensine só as letras, mas crie também nos estudantes sensibilidade de participação social, interesse no meio social em que ele está”, diz.

Competências avalidas na correção da prova:

1. Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.

2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.

3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

5. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Obs.: Cada critério vale de 0 a 200 pontos.


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