Quem quer USP ou ITA faz Enem só para testar conhecimento e resistência física

Por Julia Carolina - iG São Paulo | - Atualizada às

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Apesar de cada vez mais popular, prova não é considerada em algumas das mais renomadas universidades do País

Nem todo mundo que vai prestar o Enem está interessado em conseguir uma vaga por meio do exame. É que, apesar de cada vez mais popular - todas as universidades federais do País o adotam como critério de seleção -, o Enem não é levado em conta em algumas das mais renomadas instituições de ensino, como a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Nesse caso, fazer a prova é mais uma forma de testar os conhecimentos e treinar resistência física. 

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É o caso da jovem Mayara Aparecida Ramos, de 20 anos, aluna do cursinho Henfil, que foca os estudos para passar no curso de química. Ela vai prestar Fuvest e tentar a USP pela segunda vez. Já a prova do Enem, conta, será feita pela terceira vez.

Arquivo pessoal
Mayara, que busca vaga na USP, prestou Enem três vezes

“Fiz o Enem das outras vezes como uma forma de testar meus conhecimentos. A prova é boa, apesar de extensa e acabar cansando. Mas o que eu quero mesmo é a USP”, conta. 

Para o coordenador Juliano Costa, gerente pedagógico do Sistema de Ensino COC/Pearson, a participação de alunos que só estão fazendo a prova para se testarem é positiva. “Serve como processo diagnóstico do desenvolvimento da aprendizagem e também como técnica de comparação para que o vestibulando avalie como está em relação estatística aos outros estudantes espalhados pelo Brasil”, diz.

Costa lembra, porém, que a prova do Enem tem um sistema de avaliação diferente dos vestibulares tradicionais. Isso porque, enquanto boa parte dos vestibulares tradicionais tem base em avaliação de conteúdo, o Enem cria seus itens de avaliação a partir de Competências e Habilidades relacionadas a certos conteúdos (objetos de aprendizagem). “Esse sistema representa uma mudança de modelo de avaliação mais moderno e que vem sendo aceito de maneira favorável pelos brasileiros”, completa.

Costa diz ainda que o Enem tem se aperfeiçoado como avaliação. Para Paulo Roberto Moraes, coordenador de uma das unidades do Anglo, o nível do Enem aumentou nos últimos exames.

“A prova do Enem mudou muito. Desde que teve a questão da fraude [em 2009, quando funcionários da gráfica contratada para impressão foram acusados de roubar a prova e tentar vendê-la], que vazou a prova, ela teve muitas mudanças. Colocamos isso com um marco de mudança. O nível subiu e começou a se cobrar mais conteúdo, ela está muito elaborada”, avalia.

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“Muitos especialistas diziam que a prova era vazia, cobria o cotidiano, a vida das pessoas, mas não media conhecimento. Mas agora o Enem está em transformação e o grande mérito dele é essa transformação”, completa Moraes.

Os treineiros

Além dos que não se interessam pelas vagas oferecidas via Enem, há um outro grupo de pessoas que não se utilizará dos resultados do exame: são os treineiros.Segundo dados do Inpe, do Ministério da Educação (MEC), entre os candidatos que confirmaram a inscrição 1.095.747 concluirão o Ensino Médio apenas após o ano atual.

Costa avalia que é oportuna a ideia de que os estudantes façam o exame, para ter experiência e para que a avaliação efetiva seja feita no futuro sem surpresas. “É aconselhável que o aluno faça as provas de forma séria, coerente, mas sem a preocupação de ter um resultado de destaque", conclui.

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