Alunos da USP ocupam reitoria e aprovam greve geral por tempo indeterminado

Por iG São Paulo , com Estadão Conteúdo | - Atualizada às

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Na quinta-feira (3), estudantes farão uma nova assembleia geral na universidade para decidir rumo da paralisação

Alunos da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, na noite desta terça-feira (1º), entrar em greve geral estudantil imediata e por tempo indeterminado. A decisão ocorre como forma de protesto contra as eleições indiretas na universidade. Ainda na terça-feira, cerca de 400 estudantes e funcionários ocuparam a reitoria.

Futura Press
Alunos continuam ocupados no prédio da reitoria da USP nesta quarta-feira

De acordo com nota divulgada no site do Diretório Central dos Estudantes Livre (DCE) da USP, nesta quarta-feira (2), serão realizadas assembleias nos cursos da USP. Na quinta-feira (3), acontecerá uma nova assembleia geral.

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O protesto na universidade começaram na tarde de terça-feira. Os estudantes pediam que o Conselho Universitário, , instância máxima da instituição, acontecesse de maneira aberta a toda comunidade universitária e interessados. 

Durante o protesto, os manifestantes tentaram arrombar as portas da sala onde ocorria a reunião do conselho, mas foram impedidos pelos seguranças que estava dentro. Não houve confronto durante a entrada do grupo na reitoria, mas paredes foram pichadas e a porta de vidro do prédio, quebrada. Professores também protestaram fora do edifício

Segundo os alunos, durante o conselho, os membros teria refutado "as eleições diretas na USP, bem como o fim da lista tríplice na Universidade, que atualmente permite que o Governador do Estado escolha os reitores da USP".

O Conselho Universitário aprovou poucas mudanças no processo de escolha de reitor e vice-reitor. Entre elas, a redução dos turnos da eleição de dois para um e consulta informativa, sem caráter decisório, à comunidade universitária.

Em julho deste ano, o reitor da USP, João Grandino Rodas, havia sinalizado mudanças no sistema de escolha de dirigentes da instituição, com adoção de auditoria externa. Em carta à comunidade acadêmica, Rodas propõe "ampliar a democracia" na USP. Eleições diretas para reitor e dirigentes estaria entre as opções de mudanças.

O mandato de Rodas vai até 25 de janeiro e o calendário das eleições ainda não foi definido.

Mudanças

A eleição para reitor e vice passa a ter turno único, com participação de cerca de 2 mil representantes do CO, Conselhos Centrais, Congregações das Unidades e Conselhos Deliberativos dos Museus e dos Institutos Especializados - no modelo atual da eleição, eles votavam no primeiro turno. Esses representantes escolhiam, então, oito nomes, que iam para o segundo turno, em que votavam 330 eleitores (integrantes do CO e conselhos centrais).
Essa segunda fase foi suprimida. Agora, os representantes elegem direto a lista tríplice, que continua sendo passada para o governador, responsável pela palavra final.

No último pleito, em 2009, Rodas foi escolhido pelo então governador José Serra (PSDB), mesmo sem ser o líder de votos da lista tríplice. A consulta a todos os alunos, docentes e funcionários, cujo resultado será divulgado cinco dias antes da eleição, terá apenas caráter de consulta, sem papel deliberativo.

Outra mudança é que os candidatos deverão se desligar dos cargos de chefia ou direção logo na inscrição. Os docentes também terão que inscrever suas chapas e programas de administração previamente. Antes, todos os professores titulares da USP eram potenciais candidatos, sem inscrição prévia ou formação de chapa. A proposta de abrir as próximas reuniões do CO para a comunidade acadêmica, reivindicada pelos manifestantes, foi rejeitada pelo conselho, por maioria. 

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