Dependência nas escolas de São Paulo vai sair do projeto Mais Educação

Por Renan Truffi - iG São Paulo |

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Ideia era que estudantes da rede municipal pudessem levar disciplinas para o ano seguinte para não ter de repetir série

Um dos pontos mais polêmicos do plano Mais Educação, série de medidas apresentadas pela Prefeitura de São Paulo para melhorar o ensino nas escolas da rede municipal, deve ser deixado de lado após o programa ficar aberto a consulta pública. A ideia que “converge” para ser descartada é a que possibilitaria o estudante do ensino fundamental de ficar de dependência de algumas disciplinas no ano seguinte sem precisar passar pela repetência.

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O consenso surgiu após a Secretaria Municipal de Educação analisar, nos últimos 15 dias, as opiniões e críticas que recebeu sobre o Mais Educação. “Seria muito difícil viabilizar a dependência e foi quase unânime (na consulta pública) que seria inútil também carregar uma disciplina para o ano seguinte. Na opinião das pessoas, se algo tiver que ser resolvido em relação a alguma deficiência do aluno, que isto seja solucionado naquele ano mesmo, que o estudante não tenha que carregar nada para o ano seguinte. (...) Todas as opiniões (no governo) convergem para isso”, disse o secretário de educação, Cesar Callegari, ao iG.

Fabiana Carvalho/MEC
César Callegari vai deixar a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação até o fim do ano

Na reorganização do ensino fundamental que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou em agosto, a secretaria de Educação vai alterar os ciclos e aumentar a possibilidade de repetência. Atualmente, os alunos podem ficar retidos apenas no 5º ano e no 9º ano. Na nova configuração, haverá três ciclos: de alfabetização (1º ao 3º ano), interdisciplinar (4º ao 6º ano) e autoral (7º ao 9º ano). Ao final do primeiro, segundo e na 7ª, 8ª e 9ª série do terceiro ciclo, aqueles que não aprenderam o mínimo que deveriam podem repetir de ano.

Callegari diz que Prefeitura de São Paulo não dará bônus a professores

Embora o número de anos em que pode haver retenção tenha sido ampliado de dois para cinco, Callegari respondeu de maneira otimista quando perguntado sobre a possibilidade dos números de reprovados aumentarem depois que o Mais Educação começar a valer. “Não vai ter reprovação, vocês vão ver”, respondeu de forma bem-humorada. As novas diretrizes serão implementadas na rede a partir do ano que vem. Essa é a mais profunda transformação no modelo educacional da cidade desde que o sistema de progressão continuada foi implementado, há 21 anos.

Os três ciclos

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, objetivo do primeiro ciclo (1º ao 3º ano) é garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, meta estabelecida também pelo Ministério da Educação através do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

No segundo (4º ao 6º ano), o aluno passa a ter mais disciplinas, com um professor âncora até o sexto ano, não mais só até o quinto, e outros docentes que orientarão o desenvolvimento de projetos. Segundo Haddad, isso deve diluir o choque da mudança entre o universo do “único professor para o universo de vários professores”, que normalmente ocorre no quinto ano. E, no último (7º ao 9º ano), o aluno passa ater docentes especialistas para todas as disciplinas.

Além de mudanças na organização curricular e de avaliação, o plano Mais Educação inclui promessas de construção de creches , escolas de ensino infantil e 20 novos CEUs (Centro de Educação Unificado), que também se transformarão em polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) para oferecer cursos de graduação, especialização e mestrado a distância para professores .

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