Prefeitura de São Paulo vai propor 'fila social' para creches públicas

Por Cinthia Rodrigues |

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Diante do apelo de órgãos do Judiciário por mais vagas, secretário municipal debaterá possíveis critérios para classificar famílias

Em resposta à pressão de Organizações Não Governamentais, órgãos judiciais e população em geral pelo atendimento às crianças que aguardam na fila por creche na cidade de São Paulo, o secretário municipal de Educação, Cesar Callegari, vai propor, em audiência pública sobre o tema nesta quinta-feira, a criação de uma "fila social". O evento aberto no Tribunal de Justiça começa às 10h e o chefe da pasta na Prefeitura promete ouvir a todos.

Agência Brasil
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A Prefeitura também publica no Diário Oficial desta quinta-feira um edital de chamamento a novas instituições para oferecer vagas de forma conveniada. Em quatro anos, a meta do governo Haddad é entregar mais 55 mil vagas diretas nas novas unidades que serão construídas. “Nossa meta com o edital é criar outras 100 mil vagas indiretas”, afirmou o secretário. O total de 150 mil novas vagas é exatamente o número solicitado pelos organizadores da audiência pública com prazo até 2016. Atualmente há 127 mil crianças cadastradas que não são atendidas.

Bolsa Família, sim, creche, não

São Paulo atende 46% das crianças de zero a 3 anos em creches. Porém entre os mais pobres, aqueles que recebem Bolsa Família, apenas 22% são atendidos. Em evento nesta quarta-feira para o lançamento do programa São Paulo Carinhosa, que reunirá as políticas do município para primeira infância, a minstra Tereza Campello enfatizou a necessidade de priorizar o atendimento aos mais pobres. “Não é possível pensar a universalização sem priorização. Se não, a gente não faz nada”, afirmou.

Leia também: Quanto menor a idade mais difícil conseguir vaga em creche

O secretário afirmou que a fila social só seria criada em conjunto com a sociedade civil e principalmente o judiciário, já que pode haver implicações legais no atendimento educacional com critérios sociais. “Nem sei se poderíamos fazer isso. Agora, temos que pensar em algo. Vou tomar muita porrada na audiência, mas também quero provocar este debate”, afirmou, contando que quando foi secretário de Taboão da Serra instituiu entrevista com as mães como critério. “Era um município pequeno onde era possível saber quem queria a vaga para procurar trabalho e quem nunca ia trabalhar. São Paulo é outra história.”

À moda francesa

A primeira dama de São Paulo, Ana Estela Haddad, que será a responsável pela gestão do São Paulo Carinhosa, afirmou também que a equipe estudará outras formas de cuidar das crianças de zero a três anos que não são atendidas nas creches. Ela citou o sistema francês em que mães têm a opção de receber um auxílio pago pelo governo caso deixe de trabalhar ou reduza a carga horária para cuidar de filhos nesta faixa etária. “Não que seja exatamente isso que vamos propor, mas são inspirações. Vamos ver com a Educação formas de apoiar mães ou outros membros da família”, disse.

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