Inclusão de aluno exige apoio psicológico também ao professor

Por Cinthia Rodrigues - iG São Paulo |

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Especialista defende suporte a educadores que vão além da formação e material

Não basta fazer reforma física na escola, comprar materiais e oferecer vaga. A inclusão de alunos com deficiência exige também suporte e acolhimento do professor que lidará com as dificuldades. A defesa é da psicopedagoga e consultora de inclusão Patrícia Vieira, uma das palestrantes do 1º Congresso Internacional de Dificuldades de Ensino e Aprendizagem que ocorrerá em São Paulo na próxima semana.

Para ela, os educadores ainda estavam absorvendo o ciclo da inclusão social - quando a escola deixou de ser privilégio dos mais ricos e passou a receber público de todas as faixas de renda nos anos 1980 e 1990 – e foi atropelada pela inclusão também de pessoas com dificiência. “A inclusão é ótima para toda a sociedade, mas a lei chegou antes do preparo das equipes por isso muitas crianças estão na escola, apenas por estar. Sem função na vida dela.”

Na opinião da especialista, o preparo em questão vai além de uma formação e inclui apoio psicológico aos professores. “Eles precisam entender como se dá o aprendizado cognitivo e novas formas de promover o aprendizado mais concretas e inclusivas, sim. Porém, eles também precisam ser ouvidos em suas queixas e receber apoio nos problemas específicos que encontram”, diz.

Em seus projetos, Patrícia estabelece uma profissional da escola – já existente ou contratada com este fim – para ser a referência entre os alunos com dificuldades, os pais e os professores. “Não adianta o aluno ficar em sala se a aula não faz sentido para ele. O que procuramos, então, é adaptar o currículo para algo que aproveite a atividade da sala, mas também haver uma proposta pedagógica específica para ele e até mesmo momentos em que ele está com a profissional de referência trabalhando habilidades que lhe permitirão fazer as aulas com os colegas.”

Ensino Médio

As dificuldades de inclusão podem aumentar com o passar das ciclos escolares. No ensino médio, quando cada professor tem poucas aulas com a turma e não há um educador central a necessidade de apoio é ainda maior. “Todos os profissionais precisam ter um momento para colocar suas dificuldades e, só então, a escola consegue avaliar o problema específico e instrumentalizá-los de uma forma eficiente”, comenta.

Outra dificuldade diz respeito aos colegas. Embora estudantes de inclusão que chegam a esta fase normalmente estão acompanhando a turma desde o ensino fundamental, podem ocorrer novos problemas na acolhida. “Há comportamentos próprios da adolescência como formação de grupos e sexualidade que podem isolar novamente o estudante e a escola precisa novamente ouvir todo o grupo para encontrar soluções.”

Soluções em estudo

São Paulo aprovou em abril deste ano um projeto para incluir o acompanhamento de psicopedagogos nas escolas da rede municipal. O profissional é visto como responsável por direcionar equipe gestora e educadores à construção de um projeto pedagógico que faça a inclusão real dos alunos.

A maior parte das dezenas de palestrantes nacionais do congresso é composta por psicopedagogos. Entre os especialistas internacionais estão os portugueses Antonio Nóvoa e José Pacheco. O evento ocorrerá nos dias 29 a 31 de agosto e a programação está no site www.congressoandea.org.br/

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