Escolas de SP terão recuperação nas férias e dependência no ensino fundamental

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Entre novidades anunciadas por Haddad para a rede municipal estão o retorno de exigências antigas, como provas bimestrais e mais possibilidades de repetência

Os alunos da rede municipal de ensino fundamental de São Paulo passarão a ter provas bimestrais obrigatórias, pelas quais receberão notas de zero a 10, e seus pais vão receber boletins em casa com o seu desempenho a partir do próximo ano. Além disso, aqueles que não obtiverem resultado satisfatório nas avaliações terão que passar por recuperação no contraturno e até nas férias. Essas exigências, tradicionais nas escolas no passado, fazem parte de uma série de medidas integrantes do plano Mais Educação, apresentadas como novas pelo prefeito Fernando Haddad para melhorar a qualidade da rede escolar da cidade.

“O objetivo é aumentar a exposição de toda a cidade à educação”, afirmou o prefeito a jornalistas na quarta-feira.

Mais: Haddad promete entregar 16 mil vagas de creche ainda este ano

Psicopedagogos atuarão nas escolas municipais de São Paulo

Na reorganização do ensino fundamental que Haddad anuncia nesta quinta-feira, a prefeitura vai alterar os ciclos e aumentar a possibilidade de repetência. Atualmente, os alunos podem ficar retidos apenas no 5º ano e no 9º ano. Na nova configuração, haverá três ciclos: de alfabetização (1º ao 3º ano), interdisciplinar (4º ao 6º ano) e autoral (7º ao 9º ano). Ao final do primeiro, segundo e na 7ª, 8ª e 9ª série do terceiro ciclo, aqueles que não aprenderam o mínimo que deveriam podem ser obrigados a repetir de ano.

“Com isso, você resgata alguns marcos para dar referências para o professor e o aluno daquilo que precisa ser compreendido e assimilado até aquele momento. E referências são importantes”, explica Haddad.

Proposta: Projeto de apoiar empresa que criar instituto por creche é controversa

Mas o prefeito promete que várias ações serão implantadas para evitar que os alunos cheguem ao final dos ciclos sem terem aprendido o necessário. No primeiro deles, o objetivo é garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, meta estabelecida também pelo Ministério da Educação através do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

No segundo, o aluno passa a ter mais disciplinas, com um professor âncora até o sexto ano, não mais só até o quinto, e outros docentes que orientarão o desenvolvimento de projetos. Segundo Haddad, isso deve diluir o choque da mudança entre o universo do “único professor para o universo de vários professores”, que normalmente ocorre no quinto ano.

E finalmente, no último, o autoral, o aluno passa ater docentes especialistas para todas as disciplinas e terá a possibilidade de fazer dependência de algumas delas, sem precisar passar pela repetência.

Embora o número de anos em que pode haver retenção tenha sido ampliado de dois para cinco, a prefeitura acredita que as novas exigências, como provas bimestrais com nota, lição de casa obrigatória e recuperação, tanto no contraturno como nas férias, farão com que menos alunos deixem de seguir o fluxo escolar.

Além de mudanças na organização curricular e de avaliação, o plano Mais Educação inclui promessas de construção de creches, escolas de ensino infantil e 20 novos CEUs (Centro de Educação Unificado), que também se transformarão em polos da Universidade Aberta do Brasil (UAB) para oferecer cursos de graduação, especialização e mestrado a distância para professores.

As novas diretrizes serão implementadas na rede a partir do ano que vem. Essa é a mais profunda transformação no modelo educacional da cidade desde que o sistema de progressão continuada foi implementado, há 21 anos. Até o dia 15 de setembro o programa ficará aberto para consulta pública.

Leia tudo sobre: Mais Educaçãoigsprepetênciaciclosrecuperação

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas