USP e Unicamp se posicionam contra curso de medicina de oito anos

Por iG São Paulo |

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Faculdades médicas emitiram notas com críticas ao programa do governo federal Mais Médicos

As faculdades de medicina da USP e Unicamp emitiram comunicados oficiais criticando a Medida Provisória (MP) 621 que cria o Programa Mais Médicos, que tem entre suas determinações o aumento de seis para oito anos do curso no País. As universidades são contra as medidas propostas pelo governo federal para acabar com o déficit de médicos no Brasil e sugerem outras ações para atacar o problema.

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O posicionamento aprovado nesta sexta-feira (18) pela USP pede que a MP seja retirada do Congresso e que o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) seja a única maneira de admissão de médicos estrangeiros no País. Uma das medidas do Mais Médicos é a contratação de profissionais estrangeiros para trabalhar na rede pública nas periferias das cidades e no interior.

Para os diretores da faculdade, as medidas apresentadas pelo governo federal não ajudam a solucionar os problemas da saúde pública. “Se a questão é a falta de médicos, o adiamento de sua formação irá piorar o quadro atual. Se a questão é distribuição dos médicos por todas as regiões do Brasil, a MP não oferece respostas para a migração desses estudantes com a necessária supervisão desses alunos”, destaca a nota da faculdade.

O diretor em exercício da FMUSP, José Otávio Costa, apresentou como solução alternativa para a carência de médicos em algumas regiões do país uma parceria do Ministério da Saúde com as instituições de ensino. “Se o ministério se dispuser a fazer convênio, as faculdades de medicina mais estruturadas poderiam tomar conta de algumas regiões do país ou do seu estado. Mas tem que haver um financiamento”, ressaltou em entrevista à Agência Brasil.

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Outro ponto que ajudaria a levar os profissionais às áreas mais carentes, segundo Costa, é a criação de um plano de carreira para os médicos que atendem no SUS.

A nota da Unicamp, emitida após reunião extraordinária da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, critica a maneira como o governo está discutindo o tema. Segundo o texto, o encaminhamento é “autoritário e precipitado, sem ouvir as universidades públicas, o Conselho Nacional de Saúde, a Associação Brasileira de Ensino Médicas (ABEM) e entidades representativas da área da saúde".

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A faculdade é contra a mudança do curso para oito anos, favorável à expansão de 10 mil vagas para a residência médica e ao aumento de 3 para 4 mil vagas na graduação em instituições públicas, mas não como está na proposta, em torno de 10 mil.

A faculdade também apoia a contratação de 10 mil médicos para trabalhar em locais vulneráveis, mas não da forma como o governo está propondo. O texto diz que a faculdade é “radicalmente contra formas ilegais de contratação, com precarização do trabalho médico e em saúde”.

No último dia 12, a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) anunciou que não vai aderir ao Mais Médicos.

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*Com Agência Brasil

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