Brasil conquista 12 medalhas em competição internacional de profissões

Por Tatiana Klix , de Leipzig (Alemanha) | - Atualizada às

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País ficou na sexta posição na classificação geral do WorldSkills em Leipzig, na Alemanha. Em 2015, competição será em São Paulo

A equipe do Brasil que disputou o WorldSkills 2013, o campeonato mundial de estudantes do ensino técnico, conquistou quatro medalhas de ouro, cinco de prata e três de bronze, das 37 categorias em que teve participação. Desde terça-feira, um grupo de 41 representantes do Senai e do Senac competiu entre 1000 profissionais de 55 países para ver quem tem maior excelência para exercer atividades como design gráfico, eletricidade industrial, marcenaria, mecatrônica e cabeleireiro.

O número de medalhas é superior ao da última edição realizada em Londres em 2011, quando o País ganhou 11 medalhas. Apesar disso, na classificação geral, o time brasileiro caiu da segunda colocação para a sexta.

Delegação brasileira na final do WorldSkills. Foto: José Paulo Lacerda/CNIFesta de encerramento do WorldSills reúne representantes dos 55 países participantes. Foto: José Paulo Lacerda/CNIBrasileiro Ricardo Vivian comemora ouro em design gráfico. Foto: José Paulo Lacerda/CNIMedalhistas são cumprimentados por colegas de competição. Foto: José Paulo Lacerda/CNIRenata Santos, 17 anos, recebe medalha de prata em joaelheria. Foto: José Paulo Lacerda/CNIHenrique Baron e Maurício Toigo se emocionam com o ouro em mecatrônica. Foto: José Paulo Lacerda/CNIRichard Silva ganhou ouro em polimecânica. Foto: José Paulo Lacerda/CNIChineses chegam e tiram fotos antes da festa de encerramento do WorldSkills. Foto: Tatiana KlixDelegação coreana foi campeã do WorldSkills 2013. Foto: Tatiana KlixWorldSkills reuniu estudantes de ensino técnico de 55 países. Foto: Tatiana KlixEquipe entoa grito de guerra em café da manha ainda antes da premiação. Foto: José Paulo Lacerda/CNIGrupo brasileiros tinha 41 competidores. Foto: José Paulo Lacerda/CNINo último dia, alunos conheceram Leipzig, onde foi o WorldSkills 2013. Foto: José Paulo Lacerda/CNIKeber Santos ganhou medalha de prata por seu trabalho em caldeirada. Foto: José Paulo Lacerda/CNINágella Araújo monta vitrine durante competição. Foto: José Paulo Lacerda/CNINa competição de moda, competidores desenharam e confeccionaram vestidos. Foto: Tatiana KlixProfissões ligadas à indústria automobilística estão entre as testadas no WorldSkills. Foto: Tatiana KlixFelipe Benício ficou com medalha de prata em mecanica de regrigeração. Foto: Tatiana KlixNa categoria joalheria, competidores tinham que desenhar e fabricar joia. Foto: Tatiana KlixCentro de convenções de Leipzig tem 300 mil metros quadrados. Foto: Tatiana KlixTeam leader Marcelo Mendonça leva competidores para escola na Alemanha antes da competição. Foto: José Paulo Lacerda/CNI

O presidente do Senai, Rafael Lucchesi, avalia a participação como vitoriosa e explica que a queda no ranking geral se deve a uma estratégia do Brasil para disputar o primeiro lugar em 2015, quando a olimpíada do ensino profissional será realizada em São Paulo. Em 2013, o País participou de 25 categorias e neste ano de 37, das 45 em disputa. Em 2015, a meta é ter brasileiro em todas elas.

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“Fizemos um sacrifício calculado. Estamos participando em algumas dessas ocupações pela primeira vez. Como diria o Romário, não dá para competir pela primeira vez e sentar na janela. Existe uma curva de aprendizado ”. Além das medalhas, o Brasil ganhou 15 certificados de excelência, cinco a mais do que em 2011. O ranking de países leva em conta a pontuação por medalhas e certificados divididos pelo total de modalidades que o país participou.

Além disso, Lucchesi afirmou, após a cerimônia de encerramento neste domingo, em que os competidores e suas torcidas vestiram as cores de seus países e entoaram gritos de guerra, que o objetivo principal da participação dos alunos no WorldSkills é difundir a educação profissional no Brasil.

“No Fórum Econômico Mundial, o Brasil fica em 132º lugar em educação, de 144 países. No Pisa (avaliação internacional de alunos em português, matemática e ciências) são 65 países e o Brasil é o 54º. Ficar entre os melhores é fantástico”, complementa.

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A Coreia, que tradicionalmente fica em primeiro lugar, foi novamente campeã do WorldSkills. Os competidores do país são bastante estimulados e ganham um prêmio da Samsung de US$ 50 mil dólares por medalha de ouro, US$ 30 mil pela de prata e US$ 10 mil pelo bronze, além de outros benefícios do governo. Em segundo lugar ficou a Suíça, que havia tirado a quarta posição em 2011. Em terceiro empataram Áustria, subindo da 10ª posição, e Taiwan, que saltou do 17º lugar. Antes do Brasil ainda vem o Irã, que havia ficado em 19º lugar na última edição.

Todos campeões
Independente da medalha, todos os 41 competidores brasileiros (algumas categorias são em equipes) vão receber do Senai uma bolsa para prosseguirem estudando no Brasil ou no exterior. “O resultado não é o mais importante, mas a forma como se prepararam”, disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, antes da divulgação dos resultados.

Para chegar até Leipzig, eles passaram por um longo processo de seleção e depois de treinamento, que exigiu que os jovens de até 21 anos deixassem outras atividades para se dedicar só a isso.

José Paulo Lacerda/CNI
Maurício Toigo e Henrique Baron comemoram medalha de ouro na ocupação mecatrônica

É o caso do medalhista de ouro de Caxias do Sul (RS), Maurício Toigo, de 19 anos, que formou dupla com Henrique Baron, de 20 anos. Mauricio estudava engenharia de controle de automação na Universidade de Caxias do Sul (UCS) e teve que trancar a faculdade para se dedicar aos treinamentos. “Meu objetivo era o ouro no mundial. Nenhum curso dá o aprendizado técnico que eu tive com essa preparação. Além disso, tem todo companheirismo de trabalhar em equipe”, disse ainda antes de saber da medalha. Depois do resultado, veio a sensação de dever cumprido. “A gente sabia que tava bem, mas a prova foi muito disputada, Agora dá para ficar com a felicidade e tranquilidade”, afirmou Henrique.

Passado o WorldSkills, a maioria deles já tem novos planos. Alguns mais audaciosos, de viajar e estudar para fora do Brasil, e outros de começar ou terminar uma faculdade no País. Renata Santos, de 17 anos, a mais nova da equipe, ganhou medalha de prata na prova de joalheria. No Senai em São Paulo, ela estudou ferramentaria, mas como não tinha ninguém para competir na prova de confecção de joias, treinou outra ocupação. Mesmo não podendo usar a principal ferramenta que levou do Brasil - um maçarico -, por não ser permitida pela organização, se saiu bem na prova. Quando voltar, quer estudar engenharia química, que une os conhecimentos de mecânica e joalheria.

Grande parte deles já é ou acabará sendo contratado pelo próprio Senai, para ser instrutor de outros alunos. Richard Silva, 18 anos, de São Paulo, ouro em polimecânica, quer fazer curso de inglês, faculdade e, quem sabe, estudar fora. Mas na volta, espera seguir no Senai.

Técnica e emoção

Na competição, eles enfrentam dificuldades de nível técnico e emocionais. Embora a preparação para as provas seja intensa, quando começa a competição muitos enfrentam situações como ter que trabalhar com materiais e equipamentos desconhecidos. O mineiro Carlos Guilherme Pascoal, 20 anos, que disputou na ocupação pintura automotiva, contou que o primeiro dia foi muito bagunçado para ele. Ficou perdido porque nunca havia utilizado os produtos da prova e não entendia os rótulos em inglês.

José Paulo Lacerda/CNI
Team leader Marcelo Mendonça levou competidores para escola na Alemanha como parte da preparação

Para minimizar o impacto emocional das adversidades, a equipe conta com, além de especialistas técnicos, team leaders (líderes de time), que são responsáveis por questões administrativas, como uniformes, passagens, e de motivação. Marcelo Mendonça, 53 anos, já foi a três edições do WorldSkills, uma do American Skills (torneio das Américas) e se considera um paizão para os competidores. Ele cobra disciplina, mas também conversa. Para Marcelo, o que faz mais diferença, é o emocional. “Depois do primeiro dia, identifiquei só pelo olhar uns quatro que estavam abalados. Chamei eles para uma conversa individual. Dois queriam jogar a toalha, mas fiz eles desistirem”, afirmou.

Nágella Araújo, de 21 anos, de Minas Gerais, que competiu em vitrinismo, diz que no segundo dia ficou muito nervosa, porque o material era diferente do que estava acostumada. Mas ela conseguiu ir melhor nas demais provas e acabou ganhando a medalha de bronze numa categoria em que o Brasil nunca havia competido. “Nem esperava, mas foi muito bom”, diz.

2015 no Brasil
O próximo WorldSkills será no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo, de 11 a 16 de agosto de 2015. O Senai, que promoverá o evento, usará a experiência que têm de organizar a olimpíada nacional do conhecimento, de dois em dois anos, para a edição brasileira da WorldSkills.

Entre as diferenças que poderão ser percebidas estão questões de infraestrutura, como o tamanho do local disponível no Brasil. O Anhembi tem 76 mil metros quadrados, e o centro de eventos em Leipzig, 300 mil metros quadrados. Além disso, na Alemanha todas as delegações tinham passe livre no transporte público. " Vamos fazer outro tipo de layout e usar a criatividade para resolver essas questões”, diz Lucchesi.

Para a realização do evento, o Senai prevê um orçamento de R$ 150 milhões, dos quais metade espera que venham de patrocinadores e parceiros. A edição deve contar com mais competidores da América Latina, cujo único país a ganhar medalha em 2013 foi o Brasil. O Senai também vai fazer uma campanha para atrair mais nações que falem português.

Saiba quem são os medalhistas brasileiros:

Ouro

Polimecânica

Competidor: Richard Souza da Silva

Estado: São Paulo

Idade: 18 anos


Mecatrônica

Equipe: Henrique Baron, 20 anos, e Maurício Zangali Toigo, 20 anos

Estado: Rio Grande do Sul


Fresagem CNC

Competidor: Henrique da Silva Santana

Estado: São Paulo

Idade: 20 anos


Design Gráfico

Competidor: Ricardo Calvi Vivian

Estado: Rio Grande do Sul

Idade: 20 anos


Prata

CAD

Competidor: Paulo Kazuo Inoue

Estado: São Paulo

Idade: 20 anos


TI - Soluções de Software

Competidor: Leonardo Felix Gajardo

Estado: São Paulo

Idade: 18 anos


Soldagem

Competidor: Rafael Wenderson Morais Pereira

Estado: Rio Grande do Norte

Idade: 20 anos


Joalheria

Competidora: Renata da Silva Santos

Estado: São Paulo

Idade: 17 anos


Caldeiraria

Competidor: Kleber da Silva Santos

Estado: São Paulo

Idade: 20 anos


Bronze

Mecânica de Refrigeração

Competidor: Felipe Barbosa Benicio

Estado: São Paulo

Idade: 22 anos


Vitrinismo

Competidora: Nagella Araújo

Estado: Minas Gerais

Idade: 21 anos


Eletricidade Industrial

Competidor: Caique Ferreira de Faria

Estado: Minas Gerais

Idade: 19 anos


Tatiana Klix viajou a convite da CNI

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