Universidade acredita que chegará ao percentual de 50% de alunos oriundos de escolas públicas através de programas como o de bonificação no vestibular

Agência Estado

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai dobrar a bonificação dada aos alunos oriundos de escola pública e autodeclarados negros, índios ou pardos, pelo seu Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais), no vestibular de 2014.

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O programa criado em 2004 dá bônus na segunda fase do vestibular e é uma alternativa à política de cotas do governo federal, que reserva vagas nos cursos. Na quinta-feira, 6, o Conselho Universitário (Consu) aprovou a elevação desses bônus de 30 pontos para 60 pontos para alunos que cursaram todo ensino médio em escola pública e de 10 para 20 para os autodeclarados negros, índios e pardos.

"Podemos chegar a 40% de alunos provenientes de escola pública já no próximo vestibular com esse aumento", afirmou o reitor da Unicamp, José Jorge Tadeu. "Inclusão é uma questão importante para a universidade."

Em 2012, o equivalente a 32% (1.099 dos 3.435 vestibulandos) entraram na Unicamp por meio do programa vindos de escolas públicas, segundo a Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest).

A decisão de levar ao Consu a proposta de ampliar a bonificação veio após análise de desempenho de quatro turmas formadas com o Paais (2005 a 2008). "Os alunos ser saíram muito bem e concluíram o curso nas mesmas condições dos não bonificados. Os resultados mostraram o sucesso do Paais em fazer inclusão com manutenção da qualidade dos profissionais formados e deram segurança para avançar ainda mais", explicou o reitor.

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Duas propostas que chegaram a ser debatidas internamente pela equipe do novo reitor - a de ampliar para 30 a bonificação para autodeclarados racialmente e trazer o Paais também para a primeira fase do vestibular - não foram levadas ao Consu.

"Achamos melhor sermos prudentes e fazer uma ampliação para 20, avaliar de novo, para ver se continuaremos a crescer", explicou Tadeu.

ProFis
Tadeu defende que a Unicamp vai atingir o nível de inclusão de 50% de alunos oriundos de escolas públicas que tem sido defendido, tanto pelo governo federal como pelo governo estadual. "Acredito que podemos chegar nesse número. Temos vários caminhos, como o Paais, temos o ProFis , que estamos estudando ampliar. E têm outras iniciativas propostas que a universidade ainda não discutiu, mas que podemos considerar, se vierem a complementar essa necessidade de fazer inclusão", afirmou o reitor.

O ProFis (Programa de Formação Interdisciplinar Superior), uma alternativa ao vestibular, forma os melhores alunos da rede pública por um período de dois anos para entrarem na universidade, sem a necessidade do processo seletivo convencional.

Criado em 2010, o sistema oferece 120 vagas na Unicamp e a partir do segundo semestre sua ampliação deve começar a ser discutida.

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