Secretários de Educação de São Paulo reclamam de 'sumiço' de livros didáticos

Por Renan Truffi - enviado a Mata de São João (BA) |

compartilhe

Tamanho do texto

Embu das Artes e São Bernardo dizem não ter recebido material de reserva enviado pelo MEC e que 10.600 alunos estão sem livros. Governo acusa gestores de não cumprirem prazo

Duas cidades do Estado de São Paulo, Embu das Artes e São Bernardo do Campo, estão sem a quantidade mínima de livros didáticos para os alunos da rede municipal, de acordo com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). As unidades que faltam deveriam ter chegado na remessa de reserva técnica, enviada pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) no começo de todo ano letivo para atender os novos alunos da rede escolar.

Leia também:
Quem quiser ser professor terá bolsa-auxílio desde o ensino médio, diz ministro
Undime abre congresso pedindo 10% do PIB para educação pública

Renan Truffi
O presidente do FNDE, José Carlos Freitas, durante sua palestra

A “denúncia” veio à tona durante o 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, que acontece em Mata de São João, na Bahia, até o dia 17 de maio. Após palestra do secretário de educação básica do Ministério da Educação (MEC), Romeu Capulto, e do presidente do FNDE, José Carlos Freitas, a plateia formada por secretários de educação de todo o Brasil pode fazer perguntas para os servidores. A secretaria de Educação de Embu das Artes (SP), Lucia Couto, aproveitou para questionar como resolver o problema que afeta pelo menos 600 alunos da rede que ela administra.

“O MEC manda o número de livros referente à diferença entre o número de alunos do Censo 2012 e os novos alunos. Mas, não vai direto para as escolas e sim para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que repassa para as diretorias regionais. As diretorias entregam para as escolas. Mas, já reclamei no Estado, na minha diretoria regional e nada. Já fizeram varredura nas diretorias do ABC, de Osasco. Minha diretoria por exemplo é a de Taboão da Serra. Os livros não estão lá. Na minha cidade estão faltando mais de 600 livros”, afirmou Lucia.

A reclamação foi confirmada pela presidente da Undime e secretária de Educação de São Bernardo, Cleuza Repulho. Na rede que ela administra, estão faltando pelo menos 10 mil livros. “Sempre a gente recorre à reserva técnica. A gente não sabe onde está a reserva (desse ano). Tem que perguntar para o secretário de Educação do Estado. A Undime São Paulo está levantando informações (de outras cidades com o mesmo problema). Por enquanto, a informação de problema mais sério está só no Estado de São Paulo. Em São Bernardo, perto de 10 mil crianças estão esperando. A gente reorganizou o modelo pedagógico para dividir os livros entre as turmas. Só que esse ano é livro consumível (não precisam ser devolvidos). Esse é um problema maior, não dá para xerocar os livros. Quando tem a questão do preenchimento ai o pessoal faz lição em conjunto”, conta.

O problema seria recorrente devido à disputa política entre o governo do Estado e algumas cidades que são geridas por partidos de oposição. “Importante é levantar o que aconteceu em São Paulo. Temos questões políticas muito complicadas em alguns lugares. São Paulo tem uma situação política complexa. Regime de colaboração, por exemplo, é difícil. Eu sou gestora há 12 anos, essa demanda não é recente”, afirmou Cleuza.

Outro lado

O presidente do FNDE admitiu que “há problemas pontuais” na distribuição de livros didáticos. “O programa tem pontualidade rigorosa antes do início do ano letivo. Obviamente que um programa que entrega 160 milhões de livros num país de dimensões continentais como o Brasil tem problemas pontuais. Mas, não são mais de 2% da quantidade de livros distribuídos”, explicou Freitas. No caso de São Paulo, no entanto, a assessoria de imprensa do órgão diz que os 572 mil livros didáticos que compõem a reserva técnica de São Paulo foram entregues no fim de janeiro ao governo do Estado.

Questionada, a secretaria de Educação confirmou em nota que recebeu a remessa, mas acusou as cidades citadas de perderem o “prazo para requerer material”. “A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo esclarece que os cerca de 800 mil livros didáticos de reserva técnica que recebeu neste ano do Ministério da Educação (MEC), por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), foram devidamente armazenados nas 91 diretorias regionais de ensino e também em um depósito da administração na Grande São Paulo. Como parte das prefeituras, entre elas as citadas, perdeu o prazo para requerer o material, encerrado pelo MEC em 31 de março, a pasta está utilizando a reserva técnica para auxiliar essas cidades. Neste momento, a Secretaria da Educação do Estado faz um levantamento para verificar quantos e quais municípios ainda necessitam de livros para atendê-los, por ordem de pedido, conforme a disponibilidade no estoque. Por fim, cabe informar que na rede estadual de ensino os livros do PNLD foram regularmente distribuídos”, diz o comunicado.

Por conta do problema, o FNDE adiantou que há um estudo para mudar a entrega da reserva técnica. De acordo com Freitas, por meio dos Correios, o material seria entregue diretamente aos municípios.

* O repórter viajou a convite da Undime

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas