Undime abre congresso pedindo 10% do PIB para educação pública

Por Renan Truffi - enviado a Mata de São João (BA) |

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Presidente criticou proposta apresentada no Senado que altera PNE

A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, abriu o 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação nesta terça-feira (14) pedindo que o governo federal invista 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em educação. A exigência foi feita apesar do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ter manifestado apoio ao parecer apresentado pelo senador José Pimentel (PT-CE) sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Pimentel altera a redação aprovada na Câmara dos Deputados e registra “investimento público em educação”, não especificando assim que o investimento ocorra apenas na educação pública. Isso porque o governo federal trava batalha contra a inclusão da meta no PNE. A gestão petista aceita disponibilizar até 8% dos recursos do PIB para a área. O PNE estabelece 10 diretrizes e 20 metas a serem cumpridas pelo Poder Público em dez anos. Apesar de ir contra o discurso da gestão petista, Cleuza é secretária de Educação de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, município também controlado pelo partido.

“Todos estamos esperando um PNE que garanta financiamento da educação pública e infantil, que é de fato aquilo que mais tem nos preocupado. Seja do petróleo ou de onde for, mas precisamos de mais recursos para educação pública. Sem recurso novo, não há possibilidade de garantir aos alunos o que ele mais merece e aos nossos professores um salário mais digno, além de uma carreira justa. A alma da escola é o professor.Educação não é sacerdócio, é profissão. E precisa ser tratada de forma profissional”, afirmou. 

O evento na Bahia reúne 1.158 dirigentes e profissionais de educação do País terá inclusive a presença de Mercadante. Cleuza falou ainda sobre a baixa remuneração paga aos profissionais de educação. De acordo com ela, vários municípios sofrem “apagão” de falta de estudantes interessados em seguir carreira na área.

“Chegou a hora de fazer enfrentamento. Não há possibilidade de garantir carreira sem revisão dos planos. Planejamento precisa ser feito. Não dá mais para trabalhar com gratificação, não dá mais para pagar piso e gratificação. E que outros jovens venham para a carreira de magistério. Em muitas cidades já estamos vivendo apagão de profissionais”, afirmou.

De acordo com a presidente da Undime, o evento custou quase R$ 2,5 milhões, que são financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O fórum acontece em um resort na Costa do Sauípe e a diária de cada participante no hotel saiu por R$ 209,88. De acordo com a Cleuza Repulho, o local foi escolhido por ser mais fácil de transportar os dirigentes. “Em Brasília também há lugar para fazer o fórum, mas o custo para transportar os dirigentes municipais de educação seria muito maior”, explicou.

* O repórter viajou à convite da Undime

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