Nos EUA, faculdades gratuitas para funcionários 'cobram' cada vez mais

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Benefício de bolsa foi reduzido devido ao aumento da dívida estudantil, mas ainda é comum

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Quando os membros do Sindicato Cooper para o Progresso da Ciência e da Arte, em Nova York, votaram esta semana para começar a cobrar por um curso de graduação, chegou ao fim o longo reinado da instituição como sendo a mais famosa faculdade particular americana a oferecer educação gratuita. Mas esta nunca foi a única instituição deste tipo. Embora a maioria das faculdades esteja lidando com o crescente fardo da dívida estudantil, algumas observam que ao redor de todo o país existem aquelas que oferecem uma educação universitária a um preço que é adequado a qualquer economia: grátis. 

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Para se qualificar para a generosidade da Cooper, os candidatos tinham de provar que atingiam o mais alto nível de desempenho acadêmico ou artístico. Isso pode soar como algo fácil para alguns, em comparação com os requisitos de algumas das outras faculdades gratuitas. Uma exige que os alunos trabalhem em uma fazenda, ordenhando vacas e colhendo alfafa. Outra obriga seus alunos a construírem um navio cargueiro. E as academias nacionais relacionadas ao serviço militar, é claro, requerem anos de serviço em prol da defesa nacional.

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Os candidatos, cujo principal interesse na Cooper é a engenharia - especificamente, a arquitetura e engenharia naval - têm uma alternativa gratuita para a instituição. O Instituto Webb, em Glen Cove, aceita apenas 26 alunos por ano. Índices de admissão ainda não são relevantes, já que apenas cerca de 100 pessoas por ano conseguem a pontuação necessária para se qualificar para se inscrever.

Os alunos trabalham dois meses durante um ano em indústrias relacionadas, projetando um navio cargueiro e concluindo uma tese. É bastante trabalho, mas os resultados são recompensadores. O reitor Robert Olsen disse que o instituto pode gabar-se de conseguir 100% de colocação profissional para seus alunos. Alojamento, alimentação e outras taxas chegam a um valor de um pouco mais de US$ 12,000 por ano.

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Berea College, em Berea, Kentucky, possui um procedimento diferente. Além de candidatos com fortes qualificações acadêmicas, ela também procura selecionar aqueles com pouca ou nenhuma capacidade para pagar a faculdade, e todo ano providencia a 400 deles educação gratuita durante quatro anos. Eles são obrigados a trabalhar 10 horas por semana, mas são pagos, o que significativamente compensa os US$ 7.000 que seriam gastos em taxas anuais não acadêmicas; como resultado, os alunos se formam com uma média de apenas US$ 6.500 em dívidas estudantis.

A faculdade foi fundada há 158 anos por um abolicionista, com o objetivo de providenciar educação interracial, uma iniciativa ambiciosa para a época e a região.

Hoje, Berea recebe mais de US$ 1 bilhão em investimento. Esse valor é o equivalente a US$ 625,000 por aluno, mais de 10 vezes o valor equivalente na Universidade de Nova York.

A Faculdade College Ozarks, em Point Lookout, Missouri, e o Instituto Curtis de Música, na Filadélfia, também oferecem bolsas de estudo para todos os estudantes de ensino completo. Já a Faculdade Alice Lloyd, em Pippa Passes, Kentucky, oferece privilégios a alunos da região Appalachia.

A Faculdade de Deep Springs, localizada em um rancho em um deserto do leste da Califórnia, seleciona apenas 13 homens por ano para seu programa de dois anos. Os únicos cursos oferecidos são composição e oratória, juntamente com um seminário que o irmão Kenneth Cardwell, reitor da escola, chama de "uma introdução sobre como falar om pessoas da sua idade sobre assuntos de interesse comum."

A faculdade planejava começar a admitir mulheres, mas devido a uma ação movida por dois curadores que se opunham ao movimento, ela permanece, por enquanto, apenas para homens. Os alunos também trabalham entre 20 a 30 horas por semana em diversos tipos de trabalhos, de açougueiros a bibliotecários. A maioria dos estudantes acaba pedindo transferência para faculdades de quatro anos, incluindo um número desproporcional que segue para universidades como Brown, Yale, Universidade de Chicago e Columbia, disse Cardwell.

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