Crescimento da universidade deve ocorrer no câmpus de Limeira, interior de São Paulo, já que o de Campinas já estaria saturado

Estadão Conteúdo

Ampliar o número de vagas na graduação, atualmente em 3,2 mil, reforçar os programas de inclusão social e equiparação de salários. Foram essas as prioridades defendidas nesta segunda-feira, 22, pelo professor José Tadeu Jorge, de 60 anos, reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), uma das mais importantes instituições de ensino da América Latina, responsável por 15% de toda pesquisa nacional, em sua primeira conversa com jornalistas à frente do cargo.

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Novo reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge já liderou a universidade entre 2005 e 2009
Divulgação/Unicamp
Novo reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge já liderou a universidade entre 2005 e 2009

"É importante que a Unicamp ofereça mais oportunidades no vestibular", afirmou Tadeu, eleito reitor pela segunda vez para os próximos quatro anos - ele já foi reitor da Unicamp de 2005 a 2009. Segundo ele, esse crescimento deve ocorrer no câmpus de Limeira, interior de São Paulo, onde já há quatro cursos de licenciatura aprovados pelo Conselho Universitário: ciências da natureza (biologia, física e química) e mais matemática; produção cultural; patrimônio e restauro e fisioterapia.

"Com a estrutura que temos nesse câmpus (de Campinas), o aumento de vagas na graduação necessariamente tem que partir das faculdades e dos institutos. As estruturas estão todas já definidas e construídas neles. Seria muito difícil para a reitora sugerir um projeto novo nesse câmpus aqui que já tem uma certa saturação."

Tadeu defendeu também que vai trabalhar para um maior inclusão social na Unicamp. Segundo ele, os ingressos por programas já existentes comprovaram ter melhor desempenho que aqueles que não foram contemplados nos programas da universidade como o Paais (Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social) e o Profis (Programa de Formação Interdisciplinar Superior).

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O primeiro oferece bônus de 30 pontos no vestibular para o estudante que cursar ensino médio em escola pública e bônus de 10 pontos para quem se autodeclarar negro ou índio. O segundo seleciona os melhores alunos das escolas públicas para um curso de dois anos, que é uma alternativa ao vestibular. "A Unicamp foi a primeira universidade paulista e mesmo incluindo as federais a se preocupar com a questão da inclusão", diz o reitor.

Entre as propostas, Tadeu afirmou que estuda aumentar os bônus oferecidos pelo Paais, bem como oferecê-lo também no primeira fase do vestibular (hoje ele vale na segunda fase). "Esse programa significou na Unicamp uma inclusão bastante significativa. O Paais é o programa de inclusão mais eficiente que nós conhecemos. A universidade tinha 27% de alunos vindo de escola pública e com o programa passou a 32% no último vestibular. É um programa que reúne condições importantes de manter a competição pelo ingresso, minimamente considera o preparo dos estudantes, mas nivela aqueles que socialmente foram menos favorecidos para competição do vestibular", explica Tadeu.

Sobre o Profis, ele afirmou que pretende aumentar o número de vagas, que começou em 120, e também as vagas reservadas nos cursos de graduação para os egressos do curso. "A Unicamp já demonstrou que os alunos que ingressam auxiliados por esses programas têm um desempenho melhor até que os que ingressam sem ajuda dos programas."

Salários

Outra questão prioritária é a equiparação dos salários dos servidores da Unicamp com os salários dos servidores da USP (Universidade de São Paulo), uma das mais antigas reivindicações da categoria. "São problemas ambos importantes. Há um descontentamento e uma certa injustiça, porque são duas universidades irmãs, sob o mesmo sistema. O segundo problema mais grave, institucionalmente, é que estamos perdendo funcionários para a USP", afirmou Tadeu.

Segundo ele, os salários mais altos estão levando os funcionários mais qualificados para a USP, criando um problema interno. "Isso faz com que isso vire prioritário, igualar esses salários com a USP."

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