São Paulo estuda contratar psicopedagogos para atender escolas

Por Cinthia Rodrigues - iG São Paulo |

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Projeto de lei de 2005 foi aprovado na Câmara Municipal e aguarda estudo de viablidade da Secretaria de Educação

A rede municipal de Educação de São Paulo poderá ter psicopedagogos para orientar professores em caso de alunos com necessidades especiais, seja por deficiências ou altas habilidades. Um projeto de lei de 2005, do vereador Antonio Goulart (PSD) foi aprovado em março deste ano e agora aguarda posição do prefeito Fernando Haddad (PT).

Em todo o Brasil, 64 municípios já contam com profissionais psicopedagogos. Apenas no Estado de São Paulo, a Associação Brasileira de Psicopedagogia estima que há 40 mil profissionais com a especialização. “Muitos destes profissionais estão em sala de aula, mas é diferente ter uma atividade voltada para organizar atividades especiais para estudantes que precisam”, afirma a presidenta da entidade, Quésia Bombonatto.

A função deste profissional seria orientar os educadores para identificar crianças com dificuldades como dislexia, deficiências mentais ou mesmo altas habilidades. O profissional seria responsável por um grupo de escolas e participaria de formações em cada uma delas além de atender a dúvidas dos professores. “Casos identificados podem ser encaminhados para atendimento clínico, mas também trabalhados dentro da escola com tratamento diferenciado do currículo”, diz Quésia.

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A pedagoga Edimara Lima, proprietária da Prima Escola Montessori, que adota o recurso afirma que a especialidade faz toda a diferença. “A gente como educador se deparava com dificuldades que não conseguia encaminhar corretamente. Eu assisti a uma palestra e fui fazer formação. A gente passou a entender melhor alguns processos e fazer intervenções mais adequadas. Não é mais uma questão de tentativa e erro”, afirma. Para ela, o professor e o orientador pedagógico não estão preparados para a diversidade de alunos que compõe as turmas. “Digo isso tanto para dificuldades quanto altas habilidades que acabam se tornando casos de indisciplina se não remanejar o currículo.”

Entre os municípios que já têm psicopedagogos contratados está Cajamar. Maria Tereza Costa Oliveira, diretora da escola municipal Maria Elce Martins Bertelle, que conta com o auxílio há dois anos diz que se sente “acompanhada de uma profissional”. “Na rede pública lidamos com todo tipo de família, inclusive com aquelas que não aceitam sugestão da escola sobre acompanhamento médico. Então, essa profissional vem, faz uma triagem e a aceitação melhora muito”, afirma.

De acordo com o autor do projeto, vereador Goulart, demorou oito anos para a proposta ser aprovada na Câmara porque havia uma discussão sobre quem deveria custear a assistência: a saúde ou a educação. “Acabamos concluindo que os profissionais serão da educação e cabe à pasta os custos com eles”, afirmou, acrescentando que conversou sobre o tema com o secretário Cesar Callegari, que se mostrou favorável a implantação do novo cargo.

A Secretaria de Educação diz que não pode se posicionar sobre Projeto de Lei em estudo pela Prefeitura.

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