Capitalismo ganha espaço em cursos de universidades americanas

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Crise financeira de 2008 estimula estudos sobre história do capitalismo nos Estados Unidos

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Depois de décadas de ensinamentos da "história vista de baixo", com foco em mulheres, minorias e outras populações marginalizadas, uma nova geração de estudiosos nos Estados Unidos está cada vez mais se voltando para o que, estranhamente, pode estar se tornando o grupo mais marginalizado de todos: os patrões, banqueiros e corretores que contribuem para o funcionamento da economia.

Mesmo antes da crise financeira, os cursos de "história do capitalismo" – forma como a nova disciplina se intitula – começaram a proliferar nos câmpus, juntamente com dissertações sobre temas que lidam com bancos, seguros e regulação. Os acontecimentos de 2008 e suas consequências deram urgência para a realização acadêmica de que tudo isso faz parte da economia.

A crise financeira também criou uma nova oportunidade de mercado. A editora Columbia University Press recentemente introduziu uma nova série de livros intitulados “Studies in the History of U.S. Capitalism” ("Estudos sobre a História do Capitalismo Americano” em tradução literal). "Esta não é história de negócios de seu pai ", a proposta prometia, e outras editoras universitárias de alto escalão também publicaram dissertações a respeito de seguros do século 19 e especulação com ações do início do século 20.

De acordo com estudiosos, a questão dominante na política dos Estados Unidos hoje é a relação entre a democracia e a economia capitalista.

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Camiseta promove curso sobre história do capitalismo na Universidade de Cornell

"E para entender o capitalismo você tem que entender aos capitalistas", disse Jonathan Levy, professor assistente de história na Universidade de Princeton e autor do livro “Freaks of Fortune: The Emerging World of Capitalism and Risk in America” ( As aberrações da Fortuna: O Mundo Emergente do Capitalismo e Risco nos Estados Unidos” em tradução literal) .

"Eu gosto de chamá-la de ‘história vista de baixo até o topo’, disse Louis Hyman, professor assistente de relações de trabalho, direito e história na Universidade de Cornell e autor do livro “Debtor Nation: The History of America in Red Ink.” (“Nação Devedora: A História dos Estados Unidos descrita em Tinta Vermelha” em tradução literal).

Em 1996, quando o historiador da Universidade de Harvard Sven Beckert propôs um seminário de graduação chamado de a história do capitalismo americano – o primeiro de seu tipo, de acordo com ele – seus colegas estavam céticos.

"Eles acharam que ninguém estaria interessado nesse assunto", disse ele.

Depois que Seth Rockman, um professor associado de história da Universidade de Brown, mudou o nome de seu curso de Capitalismo, Escravidão e a Economia dos Estados Unidos para simplesmente Capitalismo, alunos que estudavam apenas economia e relações internacionais começaram a comparecer para estudar ao lado dos ativistas de trabalho estudantil e de alunos que estudavam desenvolvimento.

"Tornou-se um espaço onde você pode reunir os segmentos da universidade que nem sempre interagem uns com os outros", disse Rockman.

A história do capitalismo também se beneficiou de uma nova onda de estudos com uma nova mentalidade econômica a respeito da escravidão, com cada vez mais estudiosos argumentando que as fábricas do Norte e plantações do Sul dos Estados Unidos não foram sistemas econômicos opostos, como contam antigas narrativas, e sim profundamente entrelaçados.

E esse entrelaçamento, argumentaram alguns, envolveu pessoas muito além das plantações e fábricas, graças a trapaças financeiras que ressoam até os dias de hoje.

Se escrutínio da história do capitalismo representa uma verdadeira mudança de paradigma ou apenas um momento acadêmico não está claro, uma coisa é certa:

"Quanto pior a economia ficar", disse Beckert ironicamente, “ teremos mais o que discutir na disciplina."

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