Governo do Tennessee, nos EUA, intervém em escolas mal avaliadas

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Professores estão sendo recontratados e ênfase das instituições deve ser em testes e análise de dados. Comunidade reclama de falta de sensibilidade racial

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Não muito longe de uma avenida repleta de lojas de "tudo por US$ 1" e bancos de empréstimo em um bairro de Memphis, Tennessee, a Escola de Ensino Fundamental Corning Achievement é um refúgio intocado, com piso de cerâmica brilhante e placas nas salas de aula que diziam: "Faça o que for preciso." Nesta cidade às margens do Rio Mississippi marcada pela pobreza, algumas das piores escolas do Estado estão diante de uma experiência radical para reinventar a educação pública.

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No ano passado, o Estado do Tennessee retirou a supervisão das escolas com as piores notas em testes de estudantes e taxas de graduação dos conselhos escolares locais e as transferiu para um distrito estatal especial para que fossem supervisionadas. Memphis, onde a grande maioria dos alunos de escolas públicas são afro-americanos e de famílias pobres, é o marco zero: 80% das escolas nas piores posições no ranking do Estado se encontram lá.

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Novos professores foram contratados para escolas com resultados ruins em Memphis

O Distrito de Realização Escolar do Tennessee, fundado como parte do esforço do Estado para se qualificar para a disputa da melhor escola concedida pelo governo de Obama, é um grupo estatal destinado a reinventar escolas com dificuldades. Há outros. O Distrito de Recuperação Escolar da Luisiana, criado em 2003, é o precursor mais conhecido, e este ano Michigan também criou um distrito do Estado para escolas com resultados insatisfatórios. Em fevereiro, os legisladores da Virgínia aprovaram uma medida para criar um distrito estadual semelhante.

A maioria das escolas será operada em esquema charter (parceria com iniviativa privada) e todas vão dar ênfase a testes e análise de dados. Muitas estão instituindo programas de bônus a professores e jornadas mais longas para estudantes. Cerca de 50% dos professores contratados é do programa Teach for America (Ensine para a América, em livre tradução), programa que leva professores formados de alta performance para trabalhar em escolas de bairros pobres.

Embora alguns pais, professores, administradores e líderes comunitários tenham recebido bem a mudança nos sete meses de existência do distrito de realização, outros se queixaram da falta de sensibilidade racial e acusaram o novo distrito de marginalização de professores experientes, muitos dos quais afro-americanos. Cerca de 97% dos alunos das escolas do distrito de realização são afro-americanos, em comparação com menos da metade dos professores.

"Não estamos apenas pedindo para que as pessoas façam algo diferente de forma incremental em um sistema que está fundamentalmente problemático e continua o mesmo", disse Chris Barbic, superintendente do distrito de realização e aluno do Teach for America que fundou a cadeia Yes Prep de 11 escolas em Houston, Texas.

Barbic, que combina a energia de um empresário com o dom de um político para a escuta, espera levar mais de 35 escolas no Tennessee, nos próximos três anos. "Eu quero criar um sistema onde teremos grandes escolas de todos os tipos", disse ele, "e menos escolas ruins de todos os tipos."

Mesmo com revisões drásticas, a recuperação é difícil. "Às vezes as pessoas confundem grandes mudanças organizacionais como novos professores e gerenciamento com mágica", disse Deborah Ball, decano da Faculdade de Educação da Universidade de Michigan. "Mas não há mágica".

Alguns membros da comunidade disseram que os pais e os alunos ainda estão se adaptando.

"Eu acho que de onde eu venho, as pessoas não sabem que a mudança será positiva ", disse Sarah Carpenter, uma mãe e avó que está servindo em um conselho consultivo para o distrito de realização de Memphis. Em visitas a escolas, ela disse ter visto alunos "engajados e aprendendo."

"As expectativas serão maiores e as crianças não estão acostumadas com isso", disse Carpenter. "Mas elas certamente conseguirão atender a estas expectativas."

No entanto, a suspeita permanece sobre o que esta nova administração significará para professores mais experientes.

Embora as autoridades do distrito de realização tenham incentivado os atuais professores a se candidatarem a empregos nas novas escolas, nenhum deles terá uma vaga garantida. Apenas cinco professores e três administradores das antigas escolas permaneceram.

"Nós não queremos chegar à cidade e perder todos os atuais educadores e contrarar um monte de novos professores", disse Ash Solar, oficial chefe de novos talentos para o distrito da realização. "Queremos mostrar que se você construir um novo sistema onde os educadores recebem apoio, eles poderão prosperar."

Solar disse que o distrito tinha contratado mais de 50 professores de outras escolas públicas de Memphis. Espera-se que esses professores ajudem a facilitar a transição.

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Deja Lewis, Trametria Griffin e Quianna Wyatt participam de exercício sobre o que mais ouvem dos pais

Em uma tarde recente, Deidra Holliday, uma professora de artes com 10 anos de experiência, não se intimidou pelas sugestões das vidas domiciliares caóticas de seus estudantes durante uma aula da sétima série na Escola Fundamental West Side.

"Digam-me o que suas mães costumam lhes dizer em casa", disse Holliday, convidando os alunos a escreverem citações em seus quadro brancos.

Uma menina escreveu que, assim como muitos de seus colegas, sua mãe costuma lhe dizer: "Cale a boca". "Você precisa limpar o quarto e também lavar a louça." '

Holliday lidou com o tema. "Vamos começar a ajudar mamãe mais", disse ela, rindo. "E pode ser que ela acabe falando coisas mais positivas." E virou-se para um aluno e disse que faltava uma vírgula em uma de suas citações.

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