Iniciativas buscam envolver meninas em programação

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Imagem tradicional afasta alunas, mas várias iniciativas querem reverter quadro

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Quando Julia Geist foi instruída a desenhar um cientista da computação no ano passado, a garota de 16 anos esboçou um empresário usando óculos, terno e gravata. Quando olhou ao seu redor, ela viu que seus colegas de classe também haviam retratado os cientistas da mesma maneira que ela. A imagem mudou: "Hoje eu sei que qualquer um pode ser um cientista da computação", disse, incluindo ela mesma.

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Reshma Saujani, fundadora do Girls Who Code e estudante Diana Eusebio em evento para meninas programadoras do Google

Sua nova perspectiva é uma vitória para o grupo Girls Who Code (Meninas Que Programam, em tradução literal). Como parte de um programa de oito semanas com o grupo sem fins lucrativos de Manhattan, Geist e 19 outras meninas do ensino médio aprenderam como programar softwares, falar em público, desenvolver produtos e outras habilidades para prepará-las para empregos na indústria de tecnologia.

O Girls Who Code está entre a recente leva de programas destinados a acabarem com o hiato de gênero no mercado de tecnologia, ao intervir mais cedo, quando as jovens mulheres ainda estão decidindo o que querem estudar. Com nomes como Hackbright Academy, Girl Develop It (Garota Programa, em tradução livre), Black Girls Code(Garotas Afro-americanas Programam, em tradução livre) e Girls Teaching Girls to Code (Garotas Que Ensinam Garotas a Programar, em tradução literal) esses grupos tentam apresentar uma perspectiva mais emocionante da ciência da computação.

A escassez de mulheres no setor de tecnologia tem sido bem documentada. Mesmo que as mulheres representem mais da metade da força de trabalho global, elas representam menos de um quarto do mercado da computação e trabalhos técnicos, de acordo com o Centro Nacional para Mulheres e Tecnologia da Informação com base na Universidade do Colorado, Boulder. Nos níveis executivos e de empreendedores, as mulheres são ainda mais escassas.

Uma variedade de grupos de advocacia e redes tentaram resolver o problema ao treinar mulheres sobre como montar uma empresa, elevar o capital de risco e crescer dentro de grandes empresas. Mais recentemente, Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook, publicou um livro best-seller, "Lean In", que serviu como uma espécie de chamado para que as mulheres demonstrem-se ambiciosas no ambiente de trabalho.

Mesmo assim, o número de mulheres que entram no mercado de tecnologia tem diminuído. As mulheres hoje fazem parte de apenas 12% de um grupo que se forma em ciência da computação, abaixo dos 37% em 1984. Executivos de tecnologia, recrutadores e financistas disseram que as mulheres simplesmente não são o público que procura oportunidades em suas empresas.

É por isso que a indústria está tentando uma nova abordagem. Lidar com o problema muito antes das mulheres começarem suas carreiras, ensinando as meninas a habilidade básica de programar.

Grupos como o Garotas Que Programam são parte de um movimento nacional para recrutar jovens para o desenvolvimento de softwares e para se manterem competitivas em relação a outras economias. Um novo grupo, Code.org, por exemplo, tem pessoas como Mark Zuckerberg do Facebook e Bill Gates da Microsoft incentivando todas as escolas para ensinarem a suas crianças a programarem.

Mas a necessidade é mais urgente para as meninas, disse Reshma Saujani, que fundou o grupo Garotas Que Programam no ano passado. Cerca de 74% das meninas no ensino médio expressam interesse em ciência, engenharia e matemática, disse ela. Mas, no momento em que chegam à faculdade, apenas 0,3 % escolhem cursar informática.

Garotas Que Programam ainda está começando. Em 2012, ele ensinou 20 meninas em Nova York a programarem. Neste verão, o programa irá aceitar 160 meninas em Nova York, São Francisco e Detroit. O grupo enviará seu currículo para que escolas e organizações comunitárias possam ensiná-lo, também.

Em março, organizou um evento de recrutamento no escritório do Google em Nova York para 200 meninas, pais e professores. Graduados do ano passado mostraram os aplicativos e sites que construíram e os participantes foram brindados com regalias do Google, incluindo uma demonstração de seus óculos conectados à Internet e sanduíches de carne e frango empanado.

Geist, a estudante que nunca tinha participado de um curso de informática, construiu um aplicativo para encontrar pessoas com interesses semelhantes no Twitter. Agora, ela se inscreveu nos cursos de computação em sua escola pública e quer estudar ciência da computação e física na faculdade. Ela até convenceu seu pai, um guarda, para fazer aulas de programação.

"Eu acho que no fundo eu estava fazendo o que meus amigos estavam fazendo, e nenhuma das meninas queria fazer ciência da computação porque era algo para meninos", disse Geist. "Mas eu realmente não me importo com isso agora. Eu amo a ciência da computação. "

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Google fez evento de recrutamento no escritório de Nova York para 200 meninas, pais e professores


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